Sábado, 10 de Abril de 2021
Follow Us

Quinta, 04 Março 2021 20:08

“Revús” completam 10 anos e dizem que a "luta continua", em Angola

JES considerou-os de “jovens frustrados sem sucesso académico” mas o movimento alastrou-se a várias cidades abrindo portas ao direito à manifestação

Foi há dez anos que um grupo de jovens angolanos se auto-denominou de Movimento Revolucionário e lançou protestos e manifestações numa altura em que isso era praticamente inexistente e de alto risco em Angola.

Aliás por várias vezes foram atacados e agredidos e foram também alvo de acções judiciais como o conhecido processo dos 15 mais duas, em 2015, que os tornou conhecidos na gíria angolana como os “Revús”.

Muitos dos membros desse movimento dizem hoje que a “luta continua” mas são unânimes em considerar que as suas acções iniciadas ainda durante a presidência de José Eduardo dos Santos que os apelidou de “jovens frustrados sem sucesso académico”, serviram para tornar mais aberta a participação política da sociedade civil angolana.

O movimento alastrou-se rapidamente a várias cidades angolanas, onde jovens adoptaram rapidamente o mesmo nome de um movimento sem hierarquia de chefia.

Albano Bingo Bingo “revú” que integrou o conhecido grupo dos 17 entende que apesar de estarem de alguma forma fragilizados ainda assim fizeram em dez anos o que muitos da oposição partidária e ONGs não fizeram em 45 anos.

Bingo diz que o problema dos angolanos hoje é económico: "Do ponto de vista económico Angola encontra-se num caos”, disse.

“Não sou economista e nem é preciso porque eu vivo e sinto a realidade dos angolanos, hoje com cem mil kwanzas não se compra quase nada e não chega para aguentar um mês", afirmou.

Já Emiliano Catumbela afirma que "nos dez anos de movimento penso que mudámos alguma coisa no país mas ainda não é o suficiente”, acrescentando que o quer “daqui p'rá frente é o derrube do regime do MPLA do poder" .

Catumbela diz que existem forças que têm inviabilizado esta luta e inclui nisso a própria oposição.

"Há partidos na oposição que são pagos para serem opositores em Angola", disse.​

Osvaldo Caholo, um dos integrantes do conhecido grupo 15 mais duas e também o único militar na altura, diz por seu turno que "é a própria comunidade internacional que legitima o sofrimento dos angolanos quando reconhece os pleitos eleitorais fraudulentos que o MPLA realiza”.

“Ao serem os primeiros a reconhecerem isso faz com que a oposição vá a reboque e tome lugares na Assembleia Nacional enquanto o que acontece com a maioria da população é que continua na miséria”, disse.

Osvaldo Caholo considera que o recente anúncio de uma revisão constitucional "não passa de manobras de diversão e distração”.

“O objectivo desta gente nunca foi a democracia e bem-estar dos angolanos é a manutenção do poder acima de qualquer coisa e para isso eles fazem tudo ainda que seja matar os angolanos como ocorreu em Cafunfo, por exemplo", acrescentou.

Doravante de acordo com os Revús as manifestações irão ocorrer defronte à embaixada dos Estados Unidos em Luanda porque acham que a comunidade internacional, em especial os norte-americanos, "fecham os olhos à desgraça dos angolanos".

Os Revús tencionam assinalar os seus 10 anos com um festival de música Rap no Cacuaco no próximo domingo. VOA

Rate this item
(1 Vote)

Log in or Sign up