Quarta, 23 de Junho de 2021
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Sábado, 29 Junho 2019 15:17

Juiz brasileiro recebe comitiva angolana: querem fazer uma Lava-Jato em Angola

‘Caça aos marimbondos’

Marcelo Bretas, juiz da Lava-Jato carioca, recebeu esta semana uma comitiva de angolanos que incluía militares, agentes do Serviço de Inteligência e do Ministério Público. Querem implementar no país uma Lava-Jato para apurar possíveis crimes de corruptos — lá, eles chamam de “marimbondos”.

Exportamos corrupção...

Aliás, a Odebrecht, sempre ela, já confessou por aqui que deu US$ 20 milhões a um ministro angolano, cujo nome até agora não foi revelado.

Entenda caso da Corrupção da Odebrecht

O que diz diretor da Transparência Internacional sobre esquema de corrupção da Odebrecht

Para Transparência Internacional, esquema da Odebrecht não tem paralelo no mundo. Em entrevista, diretor diz que criminosos deveriam ser banidos da empresa.

Que o esquema de corrupção da construtora brasileira Odebrecht é enorme todo mundo já sabe. O escândalo veio à tona através da Operação Lava Jato, que investiga a companhia por comprar políticos e diretores da Petrobras em troca de contratos. Mas, segundo a Transparência Internacional, ONG que atua no combate à corrupção no mundo, o caso é bem mais do que isso: “É o mais bem organizado caso de corrupção já desvendado na história do capitalismo”, atesta Bruno Brandão, diretor-executivo da entidade no Brasil.

A ONG acaba de lançar um relatório sobre corrupção internacional, em que destaca cinco casos emblemáticos envolvendo grandes empresas. Há no documento um capítulo especial sobre o escândalo da Odebrecht, que contabiliza 788 milhões de dólares pagos em propina a políticos e agentes do governo de 12 países durante mais de uma década.

Além do caso brasileiro, o documento destaca escândalos envolvendo as seguintes empresas: a fabricante de aviões francesa Airbus; a mineradora de origem britânica e australiana Rio Tinto; a companhia holandesa de óleo e gás SBM Offshore e o grupo chinês Sinopec, também do setor de óleo e gás.

 “Todos os casos têm características básicas essenciais, mas o da Odebrecht é diferente, nunca vimos nada igual”, comentou Brandão. Na visão de Brandão, o grande diferencial do esquema elaborado pela construtora é o padrão de atuação, usado em todos os países onde a companhia atuou de forma ilícita, a saber: Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela.

Em 2015, a Polícia Federal prendeu o então presidente da construtora, Marcelo Odebrecht. Dezenas de executivos e ex-executivos da empresa assinaram os acordos de delação, confessando os atos de corrupção. Foi a maior colaboração premiada do mundo. Até agora, a companhia se comprometeu a pagar 2,6 bilhões de dólares em multas, mais 632 milhões de dólares da Braskem, subsidiária da Odebrecht que atua no setor petroquímico.

Nas palavras do diretor-executivo da Transparência Internacional, a construtora criou uma espécie de “fordismo da corrupção”. Tamanha profissionalização resultou em nada menos que 3,34 bilhões de dólares em “pagamentos e/ou lucros oriundos da corrupção”, diz o relatório da Transparência Internacional.

Blog de Ancelmo Gois da Globo

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