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Quarta, 22 Abril 2015 18:13

UNITA fala em "chacina" no confronto entre polícia e seguidores de seita

O secretário-geral da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) classificou hoje como uma "chacina" os recentes confrontos entre membros de uma seita religiosa e efetivos da polícia, no Huambo, com várias mortes de ambas as partes.

A posição foi assumida por Vitorino Nhany, em conferência de imprensa realizada em Luanda, convocada para abordar os acontecimentos à volta de seita religiosa "A Luz do Mundo", também conhecida por Kalupeteca, nome do seu líder.

Uma delegação de deputados da UNITA, o maior partido da oposição em Angola, está desde hoje naquela província, para confrontar as famílias enlutadas com as informações oficiais.

Em causa está a morte de nove polícias e de 13 elementos da seita religiosa, a 16 de abril, no município da Caála. Os agentes, na versão policial, entraram em confronto na tentativa de capturar Julino Kalupeteca, líder da seita, ilegal e que advoga o fim do mundo em 2015.

"O que se passa na província do Huambo é um autêntico terror, uma chacina, um genocídio, o que é condenável a todos os títulos", referiu Vitorino Nhany, comentando informações da população local que apontam para a alegada morte de mais de 700 pessoas, versão negada pela polícia.

"Só uma investigação séria e isenta poderá determinar os factos que realmente terão ocorrido na Serra do Sumi na passada semana", disse ainda o político.

Em comunicado, o Governo Provincial do Huambo acusou terça-feira a UNITA de ter orquestrado um plano político para ser executado pela seita "A Luz do Mundo".

No documento, as autoridades provinciais referem que o plano "com muitos traços que identificam a atuação política da UNITA" tinha como objetivo levar as populações a abandonarem as suas residências, para se fixarem nas matas, sobretudo nas ex-bases militares daquela força política.

O governo do Huambo afirma ainda que no âmbito do mandado de captura, emitido pela Procuradoria-Geral da República, as autoridades encontraram no morro do Sumé - local do acampamento da seita - "muito material de propaganda da UNITA, incluindo cartões de membros dessa organização, recentemente emitidos e assinados pelo seu secretário provincial, Liberty Chiyaka".

Declarações anteriores de alguns dirigentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, e a divulgação de imagens de material de propaganda daquele partido no acampamento da seita, levaram a UNITA a negar, em comunicado, qualquer envolvimento nos confrontos.

A direção do partido liderado por Isaías Samakuva manifestou mesmo "revolta pelas tentativas de envolvimento do nome da UNITA numa situação que nada tem a ver com ela", considerando-as "irresponsáveis, descontextualizadas e imbuídas de má-fé".

LUSA

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