Choro pelas crianças que aprendem cedo demais o som das sirenes, antes mesmo de saberem escrever o próprio nome. Choro pelas mulheres que carregam nos braços filhos feridos e, no peito, um medo que nunca dorme. Choro pelos idosos que já viram demasiadas guerras para acreditarem que esta será diferente. Choro pelos jovens com futuro interrompido, sonhos adiados à força, vidas ceifadas por decisões que nunca tomaram.
A guerra não nasce do povo. Ela é planeada longe do povo. É desenhada em salas fechadas, por quem acredita que pode tudo, que tem tudo, que manda em tudo. Mas quem paga o preço nunca está nessas salas. O preço é pago nas ruas destruídas, nas casas reduzidas a pó, nas famílias desestruturadas, no luto que se acumula sem tempo para cicatrizar.
Dizem-nos que a guerra é necessária. Que é inevitável. Que é a única solução. Mas não é. Nunca foi. A guerra pode impor silêncio, mas não constrói paz. Pode destruir um inimigo, mas também destrói a própria ideia de humanidade. Cada bomba que cai não leva apenas vidas — leva futuros, memórias, afetos, possibilidades.
O resultado está diante de nós: um mundo mais duro, mais traumatizado, mais distante da empatia. Um futuro duramente adiado. Crianças que crescerão com feridas invisíveis. Sociedades inteiras marcadas pela dor e pela desconfiança. E, depois, perguntamo-nos por que o ódio se perpetua.
Eu primo pela vida. Primo pelo diálogo. Primo por tudo aquilo que produz resultados bons para todos e todas, não apenas para alguns poucos que lucram com o caos. Acredito que conversar é mais difícil do que bombardear, mas é infinitamente mais transformador. Acredito que ouvir é mais revolucionário do que dominar. Acredito que proteger vidas é mais nobre do que conquistar territórios.
Enquanto houver quem aplauda a guerra, continuará a haver choro. Enquanto a guerra for vista como solução, continuará a ser o problema. E enquanto uma única criança morrer por uma guerra que não escolheu, teremos falhado como humanidade.
Que as bombas se calem. Que as vozes humanas voltem a falar. E que, desta vez, escolhamos a vida.
Por Rafael Morais

