Quinta, 28 de Mai de 2026
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Quinta, 28 Mai 2026 17:00

Partidos da oposição angolana desmentem frente eleitoral proposta pelo Bloco Democrático para 2027

Os partidos Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Renova Angola e Partido Democrático para o Progresso – Aliança Nacional Angolana (PDP-ANA) negaram oficialmente qualquer envolvimento numa nova coligação política promovida pelo Bloco Democrático (BD), iniciativa que visava a criação de uma frente eleitoral para as eleições gerais de 2027.

A posição mais contundente surgiu da FNLA, cujo Comité Central divulgou esta quinta-feira, 28, uma declaração política na qual manifesta “profunda preocupação e choque” perante alegadas movimentações para a criação de uma frente única de partidos políticos com objectivos de alternância política em 2027, envolvendo o nome do partido sem autorização formal dos seus órgãos deliberativos.

Segundo o documento, a FNLA considera que qualquer negociação de acordos, plataformas políticas ou coligações deve ser previamente autorizada pelo Comité Central, órgão competente para mandatar o Bureau Político a assumir compromissos em nome do partido.

O partido histórico fundado por Holden Roberto acusa directamente o seu presidente, Nimi-a-Nsimbi, de ter assumido compromissos políticos sem o consentimento dos órgãos internos competentes.

“O irmão Nimi-a-Nsimbi demonstrou, mais uma vez, que é o violador-mor dos estatutos ao tomar, unilateralmente, a decisão de assumir um acordo para a aliança sem autorização dos órgãos deliberativos do partido”, refere a declaração do Comité Central da FNLA.

Também o presidente da Renova Angola, Manuel Fernandes, desmentiu qualquer adesão formal do partido a uma nova coligação liderada pelo Bloco Democrático. O dirigente esclareceu que a Renova Angola continua vinculada à CASA-CE e não integra plataformas políticas paralelas sem deliberação oficial dos seus órgãos internos.

Segundo Manuel Fernandes, contactos anteriormente mantidos com o Bloco Democrático tiveram apenas carácter exploratório e não resultaram em qualquer compromisso político.

“Enquanto dirigente, não podemos tomar nenhuma decisão sem a autorização prévia do órgão deliberativo do partido”, afirmou.

Na mesma linha, o líder do PDP-ANA, Abreu Capitão, negou a existência de qualquer compromisso eleitoral ou integração oficial do partido numa eventual frente alternativa da oposição.

As sucessivas recusas surgem numa altura em que o Bloco Democrático procura construir alianças políticas com vista às eleições gerais de 2027, numa tentativa de garantir a sua continuidade jurídica e eleitoral.

De acordo com a legislação angolana, um partido político pode ser extinto caso falhe, por duas eleições consecutivas, a participação em pleitos eleitorais com candidatos e programas próprios ou através de coligações formalmente reconhecidas.

O Bloco Democrático enfrenta actualmente esse risco, o que explica os esforços recentes da formação política para negociar entendimentos com outros partidos da oposição.

No entanto, as divergências internas e a ausência de consenso entre as diferentes forças políticas têm dificultado a concretização de uma plataforma comum para o próximo ciclo eleitoral em Angola.

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