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Quarta, 17 Abril 2024 15:02

Ngola Kabango recorda 25 Abril “um dia de alegria” que também é “um pouco de Angola”

O nacionalista angolano Ngola Kabango, dirigente da Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA), recordou o 25 de abril de 1974 como “um dia de alegria”, e lembrou que muitos dos “capitães” combateram em terras angolanas.

“As pessoas estavam ansiosas à espera do dia da independência” disse Ngola Kabango quando falava à agência Lusa, sobre os 50 anos do 25 de Abril de 1974, que pôs fim a 48 anos de um regime de ditadura em Portugal.

“É bom que as pessoas saibam que foi a nossa luta que impulsionou o golpe de Estado em Portugal. Os capitães, na sua maioria combateram em Angola, fundamentalmente no norte de Angola - Costa Gomes, Vasco Gonçalves, Vasco Lourenço - chegaram à conclusão que não podiam vencer militarmente”, referiu Ngola Kabango, que sucedeu ao líder fundador da FNLA, Holden Roberto, após a sua morte, em 2007.

O político, que no dia 25 de abril de 1974 estava em Kinshasa, capital da então República do Zaire, atual República Democrática do Congo (RDCongo), disse que não ficou surpreendido quando recebeu a notícia do golpe de Estado em Portugal.

Entre nacionalistas angolanos e portugueses, garantiu Ngola Kabango, não havia ligação nenhuma, mas a situação era acompanhada “através de canais”.

“Não havia ligação nenhuma, eles tinham uma filosofia que era contrária à nossa, eles estavam ligados ao partido comunista português e nós éramos - e ainda somos - nacionalistas, não havia afinidade político e ideológico”, realçou.

Ngola Kabango admitiu que “de certa maneira” o 25 de Abril “foi um grande contributo” para a independência das ex-colónias, porque derrubou “o sistema Salazar Caetanista”.

“Eles não tinham outra saída senão responder aos apelos dos povos das colónias, que lutavam de armas na mão, é caso de Angola, da Guiné [Bissau], Moçambique, e não tinham outra saída senão enveredar pelo caminho que eles tomaram, mas também pressionados por nós”, repetiu.

O antigo deputado da Assembleia Nacional angolana, que em 1958 se filiou à FNLA, um dos três movimentos da luta de libertação de Angola, sublinhou que a guerra no território angolano apenas cessou com a assinatura, em 14 de outubro de 1974, do Acordo de Cessação de Hostilidades, entre uma delegação portuguesa, chefiada pelo falecido general Fontes Pereira de Melo, na altura chefe da Casa Militar do Presidente português, António Spínola, e o líder fundador da FNLA, Holden Roberto.

O dirigente disse que se sentiu “feliz e praticamente realizado em termos da luta de libertação” com o 25 de Abril de 1974, “um longo período de 14 anos, que valeu a pena”.

Para Ngola Kabango, o 25 de Abril “é um pouco de Angola”, já que a maior parte dos capitães da Revolução dos Cravos combateram no território angolano, lamentando que a nova geração desconheça este processo da luta e “mal conheça as datas”.

“Acho que nesse dia devemos felicitar o povo português e partilhar com eles a alegria, porque também Portugal libertou-se da ditadura, do fascismo”, disse.

Passados 50 anos, o histórico da FNLA considerou que “Portugal saiu de Angola de maneira vergonhosa”, tendo o país entrado “numa desastrosa guerra civil”, que já faz parte do passado, preparando-se para comemorar dentro de um ano meio século de independência.

“Tenho fé que Angola vai dar esse passo qualitativo, vai virar a página, para que possa nascer uma verdadeira nação, Angola virada para o progresso, para o bem-estar económico das populações. É um desejo, mas tenho fé que isso vai acontecer”, referiu, classificando o atual quadro socioeconómica do país como “sobressaltos de uma nação em crescimento”.

“Presentemente, estamos todos numa situação, diria mesmo, preocupante em termos socioeconómicos, mas são as dores do parto. Vão passar as emoções, as euforias, o fanatismo e vamos ter mais país, mais nação em crescimento e vamos acertar”, ajuntou Ngola Kabango, afirmando que é um povo angolano mais maduro, “apesar do sofrimento” que vai imprimir “mudança, no bom sentido”, isto é, “democrática e sem violência”.

O político acredita que as próximas eleições gerais de Angola, em 2027, serão o momento “da viragem, só que no bom sentido”.

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