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Terça, 28 Novembro 2023 16:10

João Lourenço reúne-se com Biden com saldo comercial positivo e à procura de mais investimentos

O Presidente de Angola vai encontrar-se com o seu homólogo norte-americano levando na bagagem um saldo comercial positivo de quase mil milhões de dólares e um investimento de outros mil milhões no Corredor do Lobito.

De acordo com os dados das autoridades norte-americanas, Angola vendeu, no ano passado, bens e serviços, na sua esmagadora maioria petróleo, aos Estados Unidos da América (EUA), no valor de de 1,6 mil milhões de dólares (1,4 mil milhões de euros), o que, descontando os 653 milhões de dólares (594 milhões de euros) de produtos importados dos EUA, totaliza um saldo comercial favorável a Angola no valor de 945 milhões de dólares (860 milhões de euros), mais 57,8% do que o saldo positivo de 346 milhões de dólares (315 milhões de euros) registados em 2021.

No contexto regional, Angola é o terceiro maior parceiro comercial dos EUA na África subsaariana, "principalmente devido às suas exportações de petróleo, enquanto as vendas dos EUA incluem máquinas, aviões, aves, e produtos de ferro e aço", lê-se num relatório do Departamento de Estado, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros nos governos europeus, sobre a relação entre a maior economia do mundo e o segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana.

Uma boa parte das trocas comerciais entre os dois países tem sido feita ao abrigo da Lei de Crescimento e Oportunidades em África, conhecida pela sigla inglesa AGOA (African Growth and Opportunity Act), que inclui vários países africanos que beneficiam de condições preferenciais no relacionamento bilateral com os EUA.

O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) dos EUA em Angola foi de 255 milhões de dólares (232 milhões de euros) no ano passado, ao passo que o investimento angolano nos EUA foi de apenas 92 milhões de dólares (83 milhões de euros), uma descida de 3,2% face ao valor investido em 2021.

Em termos de negócios concretos, há dois que se destacam no panorama do relacionamento bilateral: o investimento dos EUA no Corredor do Lobito e a atribuição da construção e gestão da refinaria do Soyo, no valor de 3,5 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de euros), atribuída à Quanten LLC, um consórcio de empresas privadas norte-americanas, em 2021.

"O projeto vai fortalecer a capacidade interna de refinação, aumentar o acesso a combustíveis acessíveis, e criar uns estimados 7 mil postos de trabalho diretos e indiretos no país", lê-se no comunicado de imprensa distribuído pela embaixada norte-americana em Luanda em 2021, no qual se aponta que os norte-americanos vão "construir, deter e operar o projeto de refinação de 100 mil barris de petróleo por dia".

Este projeto, apontava-se ainda na nota, seguia-se a dois outros importantes investimentos, a concessão de uma licença de telecomunicações à empresa Africell, apoiada pelos EUA, e ainda um projeto de energia solar da Sun Africa, que seria "o maior da África subsaariana".

O mais recente investimento norte-americano em Angola são os quase mil milhões de dólares (931,3 milhões de euros) para o desenvolvimento multissetorial do corredor logístico do Lobito para ligar Angola, a República Democrática do Congo e a Zâmbia.

Na ótica do Governo dos Estados Unidos, a nova linha ferroviária que ligará a Zâmbia ao porto do Lobito será “o maior investimento individual dos EUA e da UE no continente africano numa geração”, visando “desbloquear o enorme potencial” existente no setor da ferrovia na África subsaariana.

Para lá da economia, os EUA olham para Angola como um país em que o baixo nível de desenvolvimento não está à altura das oportunidades económicas, vincando que o trabalho no país ajuda a "fortalecer a boa governação, aumenta as oportunidades económicas e melhora a disponibilização de serviços sociais" aos angolanos.

"O baixo nível de desenvolvimento em Angola está em contraciclo com o seu potencial de prosperidade económica, considerando o nível de riqueza dos recursos naturais do país; muito deste paradoxo é explicado pela disrupção social e pela destruição física causados por 27 anos de guerra civil", lê-se numa análise do país feita pelo Departamento de Estado, na qual se salienta também que "o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, com um tremendo potencial agrícola, pode tornar-se uma potência regional no comércio e investimento regionais".

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