Mesmo diante dos problemas, ignoram as soluções. As suas acções prejudicam a vida dos angolanos na saúde, na alimentação, no saneamento básico, nas finanças e na economia. Por vezes, fico a perguntar-me: não sei em que direcção vamos.
É notório que uma governação que ataca apenas os problemas que lhe convêm acaba por privilegiar os assuntos mediáticos. Quando determinado assunto ganha visibilidade nas redes sociais, surgem respostas e até apoios. Mas, quando estão em causa questões estruturantes, com impacto directo na vida dos cidadãos, na economia, nas finanças, na criação de empregos para a juventude e no aumento da receita fiscal, os processos podem permanecer durante mais de seis meses por cima de uma escrivaninha, sem qualquer resposta.
Não podemos continuar a viver à mercê das conveniências dos governantes. Os governantes devem cumprir e fazer cumprir a lei. A superintendência deve fazer-se sentir quando estão em causa interesses públicos e privados*, e o recurso hierárquico deve merecer resposta dentro dos prazos estabelecidos por lei.
Se não tem competência para resolver os problemas, demitam-se.
Se há uma coisa que deixa o cidadão profundamente irritado é ver como os meios públicos são utilizados em detrimento das reais necessidades do país, sobretudo quando esses recursos são destinados à diversão e ao palhatismo, sem que daí resultem receitas líquidas significativas para os cofres do Estado.
Ou seja, esbanjam-se recursos públicos para fazer aquilo que é conveniente, em vez de se investir naquilo que é sustentável e capaz de produzir resultados para o país.
As instituições que não geram receitas são, muitas vezes, as que mais recebem verbas. Ao mesmo tempo, empresários e empreendedores cujas actividades geram receitas fiscal para suportar as despesas do Estado, criam emprego e auto-emprego, aumentam a produção nacional e contribuem para a competitividade da economia não recebem apoios de acordo com as suas reais necessidades.
Em alguns casos, os apoios são concedidos de acordo com a conveniência das próprias instituições públicas, atraindo para a actividade empreendedora pessoas que nunca exerceram verdadeiramente o empreendedorismo, mas que vêem nessas promoções uma oportunidade para conseguir algum benefício.
No final, os resultados falam por si. Se tivéssemos dados estatísticos rigorosos sobre a sobrevivência desses negócios, acredito que uma grande maioria não chegaria a completar seis meses. No final, fica a sensação de que é apenas dinheiro público gasto sem resultados proporcionais.
Esses valores, se fossem canalizados para aqueles que efectivamente desenvolvem actividade empreendedora e que procuram apoio para expandir negócios já existentes, poderiam produzir resultados diferentes.
O Executivo deve deixar de apoiar apenas aquilo que é conveniente ou mediático e começar a apoiar aquilo que é estruturante, sustentável e capaz de gerar valor para a economia nacional.
Angola precisa de instituições que cumpram a lei, respondam aos cidadãos e utilizem os recursos públicos em função do interesse público — e não das conveniências de quem governa.
Por: Tomás Alberto

