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Terça, 27 Junho 2023 21:07

Porque há sucessivas manifestações em Angola?

Salvo erro, o direito de manifestação está consagrado na Constituição angolana. É seguro apostar que o número crescente de manifestações em Angola tem como objetivo forçar o sistema político a abandonar a gestão vertical em favor da gestão horizontal.

É tempo de o Presidente da República se dar um tempo para refletir sobre a sua governação.  Seis anos depois de ter assumido o poder, ele deveria saber que, em matéria de respeito, a reciprocidade é válida. É do conhecimento geral que o povo só respeita as instituições se o inverso for verdadeiro.

Chegou o momento de uma mudança de paradigma. Só um sistema político aberto, baseado num diálogo permanente, pode permitir que o país se concentre no seu desenvolvimento. A consulta deve ser integrada no processo de decisão. Isto deve ser feito em todos os sectores.

Enquanto garante da Constituição, o Presidente tem o dever de garantir à população que as suas exigências estão a ser tidas em conta através de consultas. Envolver os cidadãos no processo seria a solução para canalizar a sua raiva. Desta forma, o espetro do desprezo desaparecerá, dando lugar ao respeito mútuo. Porque uma gestão baseada no desprezo pelos outros só pode ser contraproducente, nomeadamente a nível internacional.

Para um país em desenvolvimento, com todos os seus desafios, ninguém pode pretender ter o monopólio das soluções.

Graças ao seu sistema político baseado essencialmente no diálogo permanente e na participação dos cidadãos no processo de decisão (uma fórmula mágica), a Suíça é poupada a uma proliferação de manifestações, ao contrário de outros países ocidentais. Esta estabilidade contribui enormemente para o crescimento económico do país.

Em suma, o diálogo permanente com os partidos da oposição, os sindicatos, a sociedade civil, etc., deve ser rapidamente adotado para pôr termo à degradação da imagem do país. Desta forma, o país poderá concentrar-se melhor no seu desenvolvimento, que exige a contribuição de todos os angolanos, independentemente das suas convicções políticas.

Pody Mingiedi

Politólogo

Observatório e Análises da política angolana.

Genebra, Suíça

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