Domingo, 05 de Fevereiro de 2023
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Sexta, 16 Dezembro 2022 22:41

Blinken agradece a João Lourenço por "reformas democráticas e económicas" em Angola

SECRETÁRIO BLINKEN: Senhor Presidente, seja bem-vindo. É muito, muito bom ter você aqui em Washington na cúpula. O Secretário de Defesa e eu temos o prazer de receber o Presidente Lourenço. Os Estados Unidos dão grande importância ao relacionamento com Angola, relacionamento que tem se fortalecido cada vez mais, principalmente sob sua liderança.

E, Senhor Presidente, também apreciamos muito a liderança que Angola tem demonstrado na região, tentando acabar com os conflitos, trazer a paz, sobretudo no que diz respeito à situação no leste da República Democrática do Congo. Nossa própria parceria tornou-se, como eu disse, ainda mais forte, os laços comerciais e de investimento cada vez mais profundos. Temos empresas americanas de ponta, incluindo a Sun Africa, a trabalhar em Angola em projectos de ponta. E claro, também estamos aprofundando nossos laços de segurança.

Portanto, estamos muito gratos por tê-los aqui em Washington para a cúpula dos líderes e também por esta oportunidade hoje de falar sobre os muitos desafios e oportunidades que enfrentamos juntos.

Lloyd.

SECRETÁRIO AUSTIN: Bem, obrigado, secretário Blinken, presidente Lourenço. Deixe-me acrescentar minha voz ao secretário Blinken e seus comentários em termos de boas-vindas aos Estados Unidos. Estamos muito felizes em tê-los aqui no cume.

O Departamento de Defesa valoriza a nossa crescente parceria com Angola. Reconhecemos que a liderança africana continua a ser fundamental para fortalecer a paz, a segurança e a governação em todo o continente e além. Este é o desafio definidor do nosso tempo. Angola é um líder chave no continente.

E entendo que Angola procura reestruturar os seus militares. Estamos ansiosos para fazer parceria com você neste esforço. Ficamos satisfeitos por saber que Angola está interessada em possíveis compras aos Estados Unidos e estamos a trabalhar com o Departamento de Estado para responder ao seu pedido.

Agradecemos profundamente sua liderança e sua amizade e aguardo com expectativa a discussão de hoje. E novamente, senhor, bem-vindo aos Estados Unidos.

PRESIDENTE LOURENÇO: (Via intérprete) Muito obrigado, Secretário Antony Blinken, Secretário de Defesa General Lloyd, ilustres representantes do Governo dos Estados Unidos. Sinto-me muito honrado por estar aqui hoje na vossa presença e atendendo ao convite feito pelo Presidente Biden a vários líderes africanos, incluindo Angola. Aproveitaremos esta oportunidade de nossa estada aqui para buscar estreitar ainda mais nossos laços de amizade e cooperação entre nossos dois países. Angola tem dado sinais muito positivos de que estamos muito interessados ​​em reforçar a nossa cooperação com os EUA, por isso não duvidem das nossas boas intenções relativamente a este passo muito sensível que estamos a dar se quisermos olhar para o passado histórico de nossos relacionamentos.

Portanto, há uma mudança de jogo. Podemos dizer que é significativo, e isso é do interesse de – de ambas as partes, o interesse de Angola e o dos Estados Unidos da América. Angola é um país bem localizado geograficamente porque fazemos parte de pelo menos três regiões do país. Somos estados membros da SADC, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Também somos membros da Comunidade Econômica da África Central. Também fazemos parte da região dos Grandes Lagos e estamos presidindo a conferência sobre a região dos Grandes Lagos pela segunda vez. Portanto, nosso posicionamento estratégico conjunto deve ser levado em consideração.

E ainda, se falarmos da importância das reformas que estamos a levar a cabo, quer económicas, quer políticas para atrair investimento e aliciar investidores estrangeiros, sobretudo americanos, a investir em Angola, já existem alguns casos de sucesso à parte daqueles investimentos no setor de petróleo, que é tradicional há décadas. Mas há novos players que começam a se aventurar em diferentes setores como telecomunicações, produção de energia solar.

Tivemos um caso de sucesso no centro do país na província de Benguela, onde temos duas grandes centrais que já estão a produzir electricidade. E há ainda um penhor de cerca de 2 mil milhões de dólares para a empresa Sun Africa, a fim de desenvolver um projecto gigante que vai levar electricidade a quase todo o sul de Angola nas províncias do Namibe, Huíla, Cunene e Cuando Cubango. E, claro, o excedente será levado à rede elétrica nacional e beneficiará as demais regiões do país.

Assim, os investidores norte-americanos virão a Angola na sua maioria para investir em todas aquelas áreas do seu interesse sem qualquer excepção, não só no sector da energia, não só na exploração de recursos minerais de todo o tipo, incluindo diamantes e outros, que são minerais preciosos, raros terra. Em todas essas áreas, o investimento norte-americano é bem-vindo. Isso inclui também telecomunicações, TICs, 5G. Esperamos que as empresas norte-americanas possam dar atenção ao 5G em Angola, que é importante para o nosso desenvolvimento.

Estamos a promover três grandes zonas francas, nomeadamente em Cabinda junto ao porto do Caio que seria o maior porto de águas profundas da região da África Central, que estará pronto no final de 2023 ou início de 2024, o próprio porto. Mas em torno do porto vamos desenvolver a zona de livre comércio, e certamente contamos com o investimento dos Estados Unidos também nesses projetos.

Outra zona franca que vai despertar o interesse dos investidores americanos é a Barra do Dande, que fica a poucos quilómetros de Luanda. É um projeto antigo que ainda não começou, mas desta vez estamos determinados a levá-lo adiante. E o concurso público já foi aberto, está na hora das empresas também apresentarem suas propostas.

No final de 2023 vamos concluir a construção e também o funcionamento do novo aeroporto internacional de Luanda com o nome do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto. É um porto que movimentará cerca de 15 milhões de passageiros por ano, 50 milhões de toneladas de carga por ano, o que fará a diferença no que diz respeito ao transporte aéreo da região. Além disso, o surgimento deste novo aeroporto nos fará retomar um projeto que está em andamento. Estou falando da compra de novas aeronaves da Boeing, que —

SECRETÁRIO BLINKEN: Sr. Presidente, se puder, desculpe interromper – talvez possamos deixar nossos colegas da mídia partirem, e podemos continuar a reunião com mais detalhes. Me desculpe por interromper. Obrigada.

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