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Quinta, 05 Julho 2012 02:00

Angolanos acham "bem-vinda" a crítica, mas apenas a nível político - José Eduardo dos Santos

José Eduardo dos Santos José Eduardo dos Santos

A crítica ao relacionamento com Portugal feita pelo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, está a ser considerada por cidadãos angolanos "bem-vinda", mas só a nível político, porque "de povo para povo isso não existe", defendem.

As relações entre os dois países saltaram para as primeiras páginas da imprensa dos dois países depois de José Eduardo dos Santos, no discurso sobre o Estado da Nação, ter dito que "só com Portugal, as coisas não estão bem", quando se referiu à política externa de Angola.

O chefe de Estado angolano lamentou então as "incompreensões ao nível da cúpula", que fazem com que o "clima político atual, reinante nessa relação, não aconselha à construção da parceria estratégica antes anunciada".

Sobre o assunto, Gabriel Almeida, consultor financeiro, considera que o Presidente "tem razão", porque a atitude de "alguns políticos que não gostam de Angola" tem sido uma ingerência nos assuntos do país.

"Eu acho que o Presidente tem razão. Por mais que eles achem que têm razão, estão a imiscuir-se em problemas internos e acho muito bem a achega que o Presidente deu, foi ótima, que é para também os outros países começarem a tomar atenção", referiu.

Gabriel Almeida disse ainda que tem consciência que em Angola existe corrupção, mas nos países ocidentais também há mas, entretanto, "limitam-se a criticar os países africanos".

"Portanto, eles atiraram uma pedra no sítio errado e acho que o Presidente tem toda a razão de se chatear com Portugal", acrescentou.

"Há políticos que não gostam de Angola e talvez esses políticos estejam a minar a relação que existe do próprio país com Angola, a minar laços antigos, que já construímos desde os anos da colonização", sublinhou.

Para António Sampaio, reformado do Banco Nacional de Angola, a chamada de atenção de José Eduardo dos Santos "significa independência e soberania".

"Por isso é bem-vinda, porque Portugal mistura política com interesses e Angola tinha que pôr um ponto final nisso", afirmou.

Questionado se o problema afetará as relações entre povos, respondeu estar convencido que "nem os nossos dirigentes vão misturar isso".

"Povo é povo e as relações povo a povo, as relações culturais, consanguíneas, não se mexe nisso. Agora a relação Estado a Estado é outra coisa diferente", frisou.

Da mesma opinião é o lojista Rui Carlos, para quem "tanto Angola como Portugal precisam um do outro".

"Pode ser que Portugal esteja a precisar um pouco mais, porque estão numa fase de crise agora, mas Angola também precisa muito de Portugal, então isso é só uma questão de tempo, vai-se resolver", disse Rui Carlos.

O lojista pede calma às pessoas "preocupadas com a situação", à semelhança dos seus patrões que importam a maior parte dos produtos de Portugal, já que "isso é só uma questão de diálogo", que acredita dentro em breve será resolvida.

"Porque o povo não tem culpa, porque se lá em cima os mais velhos estão a falhar, o povo não pode sofrer, porque o povo precisa de ir buscar coisas lá em Portugal, os portugueses precisam de vir investir aqui e vice-versa. É só uma questão de tempo e vai-se resolver", reiterou Rui Carlos.

LUSA

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Last modified on Quinta, 17 Outubro 2013 22:53