Apesar do forte interesse dos investidores, a operação levanta questões sobre a valorização da maior operadora de telecomunicações do país, quando comparada com a transacção realizada em 2020.
Segundo a Comissão Executiva da BODIVA, o preço final das acções foi fixado em 40.040 kwanzas por acção, correspondente ao valor máximo previsto no prospecto da oferta. A procura pelas 7,5 milhões de acções disponibilizadas superou a oferta em cerca de 120 vezes, tendo sido registadas 17.549 ordens de subscrição. Destas, foram satisfeitas 16.571 ordens, permitindo que 11.264 investidores se tornassem accionistas da Unitel.
A liquidação financeira da operação está prevista para 28 de Julho, enquanto a admissão das acções à negociação no Mercado de Bolsa de Acções da BODIVA acontece a 29 de Julho, data a partir da qual os títulos poderão ser livremente comprados e vendidos no mercado secundário.
Avaliação inferior à operação de 2020
Embora a operação tenha sido considerada um sucesso em termos de procura, a comparação com a aquisição realizada pela Sonangol em Janeiro de 2020 evidencia uma diferença significativa na valorização da empresa.
Na altura, a Sonangol adquiriu à operadora brasileira Oi uma participação de 25% da Unitel por mil milhões de dólares, operação que atribuía à empresa uma avaliação implícita de 4 mil milhões de dólares.
Tomando essa transacção como referência, cada 1% do capital da Unitel correspondia a cerca de 40 milhões de dólares, o que significa que uma participação de 15% teria um valor aproximado de 600 milhões de dólares.
No entanto, a operação agora concluída pelo Estado resultou numa receita de apenas 318 milhões de dólares, cerca de 282 milhões de dólares abaixo do valor implícito da avaliação de 2020.
Em termos percentuais, o montante arrecadado representa pouco mais de 53% do valor que resultaria da avaliação implícita da empresa há seis anos, traduzindo uma diferença de aproximadamente 47%.
Diferença pode reflectir critérios distintos de avaliação
Apesar da comparação evidenciar uma redução expressiva do valor implícito da participação alienada, especialistas recordam que as duas operações ocorreram em contextos diferentes e obedeceram a critérios distintos de avaliação.
A aquisição da participação da Oi pela Sonangol foi uma negociação privada entre accionistas, enquanto a actual alienação decorreu através de uma Oferta Pública de Venda, cujo preço foi determinado pelas condições do mercado e pela procura dos investidores.
Ainda assim, a diferença entre as duas avaliações levanta interrogações sobre a valorização actual da Unitel e sobre o retorno financeiro obtido pelo Estado na alienação da sua participação.
Forte procura confirma interesse dos investidores
Apesar da avaliação inferior à referência de 2020, a elevada procura demonstrou o forte interesse do mercado pelo activo.
A procura superou a oferta em mais de 120 vezes, confirmando o apetite dos investidores por empresas consideradas estratégicas e consolidando a OPV da Unitel como uma das maiores operações realizadas no mercado de capitais angolano.
Com a entrada em bolsa, todas as acções da Unitel passam a ser livremente transaccionáveis através dos intermediários financeiros autorizados pela BODIVA, abrindo uma nova fase para a empresa e para o desenvolvimento do mercado accionista em Angola.

