Faltam apenas três meses para o prazo previsto para a conclusão do Programa de Privatizações (Propriv), mas o rasto de dívidas por saldar às contas do Estado está longe de fechar. Segundo dados do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), quatro empresas concentram, sozinhas, mais de 90% dos incumprimentos contratuais registados no programa.
Quatro nomes, 15,7 mil milhões de kwanzas por saldar
Do total de 17,39 mil milhões de kwanzas em incumprimentos contratuais acumulados ao longo do processo de privatizações, 15,7 mil milhões de kwanzas — cerca de 90,3% — pertencem a apenas quatro empresas: Alcaal, Viva Luanda, Opaia e Emadel.
As quatro adquiriram activos públicos no âmbito do Propriv, conduzido pelo IGAPE, mas mantêm valores vencidos por liquidar junto do Estado, segundo os dados agora revelados.
Também o Nosso Super entra na lista de incumpridores
Os dados do IGAPE apontam ainda para incumprimentos nas unidades da rede de supermercados Nosso Super, adquiridas também no quadro do programa de privatizações, juntando mais um caso à lista de compradores de activos públicos que não têm cumprido os compromissos financeiros assumidos perante o Estado.
Relógio a contar e Estado sem o dinheiro na mão
Com o Propriv a aproximar-se do fim do prazo estabelecido para a sua conclusão, o peso destes incumprimentos levanta questões sobre a capacidade do Estado angolano de recuperar os valores em dívida antes do encerramento formal do programa, e sobre o próprio critério de selecção dos compradores de activos públicos ao longo do processo de privatizações.

