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Sábado, 04 Outubro 2014 22:58

Mesquita pró-gay é incendiada na África do Sul

Recentemente inaugurada, esta mesquita quer promover a igualdade entre géneros e religiões. A comunidade muçulmana local está contra.

A mesquita aberta da Cidade do Cabo, cuja construção e abertura gerou polémica entre a comunidade muçulmana local por promover a igualdade entre géneros e permitir a entrada a não muçulmanos e a homossexuais, foi incendiada neste sábado. Segundo as autoridades, não foram feitas detenções e a polícia está neste momento a investigar o caso. O fundador da mesquita, Taj Harguey, disse que as janelas e uma porta foram danificadas por vândalos. Harguey apelou ao Conselho Judicial Muçulmano para averiguar o incidente. Apesar do sucedido, a mesquita deverá continuar aberta.

A mesquita foi inaugurada no dia 19 de setembro e desde que os planos para a sua construção surgiram tem sido alvo de críticas ferozes entre a comunidade muçulmana da Cidade do Cabo. Isto porque o local foi pensado para permitir a igualdade entre homens e mulheres, dando a estas a possibilidade de dirigir orações, bem como para acolher crentes de outras religiões e homossexuais.

Taj Harguey, que para além de ser fundador da mesquita é professor em Oxford, no Reino Unido, disse na altura da abertura do espaço que era necessário iniciar uma “revolução religiosa” na região, acrescentando que o Islão pregado nesta mesquita seria iluminado, erudito e igualitário, segundo o jornal Cape Times. Entre a comunidade muçulmana houve quem acusasse Harguey de ser “herege” e “não crente”. O Conselho Judicial Muçulmano disse que chamaria ao local um local de culto e não uma mesquita.

Poucos dias depois da abertura da mesquita, um conselheiro local disse que esta teria de ser encerrada por violar leis municipais, uma vez que não tem um parque de estacionamento. “O Conselho Municipal está a tentar encerrar a mesquita recorrendo a regulamentos ridículos. Não me deixarei ameaçar por eles, nem por ninguém”, disse Hargey à BBC.

O conselheiro municipal Ganief Henricks recusou estar numa caça às bruxas para encerrar a mesquita, acrescentando que Hargey não pediu a mudança de estatuto do edifício, de um armazém para uma mesquita. Mas o fundador do local acredita que tudo foi feito de acordo com a lei e que a ameaça de encerramento não passa de “intimidação pura”.

“Esta mesquita baseia-se na mesquita original de Medina, que tem uma porta onde homens e mulheres se juntam para rezar. Quero que a minha mãe, a minha mulher e a minha filha rezem ao meu lado. Não quero que elas sejam cidadãs de segunda classe. Se rezamos todos juntos na Hajj [peregrinação anual a Meca] porque não podemos rezar juntos nas outras mesquitas em todo o mundo?”, lamentou Hargey.

Observador

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