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Domingo, 25 Julho 2021 15:36

Morre Otelo Saraiva de Carvalho, estrategista da Revolução dos Cravos em Portugal

Otelo Saraiva de Carvalho com Fidel e o seu irmão Raúl, em Havana, em 1975 Otelo Saraiva de Carvalho com Fidel e o seu irmão Raúl, em Havana, em 1975

O tenente-coronel Otelo Saraiva de Carvalho, estrategista do 25 de Abril de 1974 em Portugal, morreu neste domingo aos 84 anos, no Hospital Militar de Lisboa.

Ele foi o responsável por elaborar o plano de operações dentro do Movimento das Forças Armadas (MFA), o movimento militar de esquerda que há 47 anos derrubou a ditadura do Estado Novo no país.

Saraiva de Carvalho nasceu em Lourenço Marques, hoje Maputo, capital de Moçambique, em 31 de agosto de 1936. Foi recrutado para servir em Angola, na época também colônia portuguesa, em 1961, como capitão de artilharia, e lá permaneceu até 1963. Também atuou na Guiné, entre 1970 e 1973. A atuação das Forças Armadas portuguesas contra os movimentos de independência em suas possessões na África seria uma das grandes motivações da revolta dos militares contra a ditadura comandada por António de Oliveira Salazar.

Já como capitão em Portugal, no MFA, Otelo Saraiva foi o responsável por elaborar o plano de operações militares que derrubou a ditadura de 41 anos de Salazar, na chamada Revolução dos Cravos, homenageada no Brasil, que ainda vivia a ditadura, pela música "Tanto Mar', de Chico Buarque. Na madrugada de 25 de Abril, com o codinome Óscar, dirigiu as ações do golpe a partir do posto de comando instalado no Quartel da Pontinha, em Lisboa.

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Ele chegou a comandante da Região Militar de Lisboa e do COPCON, o Comando Operacional do Continente, durante o chamado "processo revolucionário em curso". Mas, à medida que as divisões internas do MFA foram se acentuando, tornou-se um dos militares mais radicais do movimento.

Acusado de ter determinado uma série de ordens de prisão arbitrárias, em 25 de novembro de 1975 foi afastado de todos os cargos, principalmente do comando efetivo do COPCON.

Otelo Saraiva foi candidato à Presidência em 1976,  quando obteve mais de 16% dos votos, e em 1980, quando teve uma votação irrisória, abaixo de 1,5%. Na década de 1980, seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25), organização armada de extrema esquerda responsável por vários atentados e mortes. GLOBO

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