Segunda, 08 de Agosto de 2022
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Terça, 28 Junho 2022 20:04

Autoridades angolanas já estarão a preparar o funeral de José Eduardo dos Santos

As autoridades angolanas estão já a preparar o funeral de José Eduardo dos Santos. No entanto, as filhas do ex-presidente de Angola não querem que se realize em Luanda.

As autoridades angolanas estarão já a preparar-se para organizar os preparativos do funeral.

Contudo, segundo o correspondente do Expresso em Angola, muito dificilmente, as filhas de José Eduardo dos Santos aceitarão que o funeral seja em Luanda – onde o Estado pretenderá que aconteça.

Eduardo dos Santos “foi um péssimo Presidente e um ditador no seu pior”

O estado de saúde do ex-Presidente angolano agravou-se nas últimas horas e de forma irreversível, mas Maria João Sande Lemos considera que “Angola não tem nem vai ter saudades” de José Eduardo dos Santos.

O impacto que o desaparecimento poderá ter na vida de Angola “já passou”. Na antena da SIC, Maria João Sande Lemos, do Fórum português para a democracia em Angola, admite que algumas pessoas possam “ter pena” mas “considero que é uma figura sinistra da história de Angola, foi um ditador no seu pior”.

“Para Angola, penso que não vai deixar saudades e com a sucessão de João Lourenço está resolvido o problema. [Pelo que], não vejo que tenha nenhuma consequência para Angola“, afirmou.

Apesar de lamentar a situação para a família e amigos, Maria João Sande Lemos defende que tem de ser feito “um balanço justo e verdadeiro, e esse só pode ser negativo quanto à Presidência de Eduardo dos Santos, porque de todos os pontos de vista da democracia, da saúde, da economia foi um desastre para Angola”.

Falamos de “um país riquíssimo como possibilidades de ter a melhor qualidade de vida no mundo e ele [Eduardo dos Santos] conseguiu tornar a vida do povo angolano um verdadeiro inferno“.

Afirmando que o ex-Presidente angolano “já saiu da história do país”, Maria João Sande Lemos diz esperar que João Lourenço “respeite as eleições, a democracia e que tenha os interesses do povo angolano em primeiro lugar, o que não acontecia com Eduardo dos Santos”.

Neste sentido, conclui, não prevê quaisquer incidentes caso haja cerimónias fúnebres em Angola, defendendo “não é a altura de se manifestarem contra ele. Agora há que respeitá-lo mas não dizer que ele foi o que não foi”.

E o que foi? “Foi um péssimo Presidente, um ditador no seu pior, e Angola não tem saudades nenhumas dele mas respeitará o seu enterro com certeza“.

Hélder Oliveira, antigo administrador da Fundação Portugal-África, afirma que existem diversas opiniões sobre o papel que José Eduardo dos Santos desempenhou enquanto Presidente angolano, mas que a sua eventual morte “não influencia significativamente a evolução positiva” daquele país.

“A sucessão permitiu que Angola fosse um país governado democraticamente no contexto africano. João Lourenço tem sido um Presidente com um comportamento muito positivo”, defende.

Sobre José Eduardo dos Santos, diz ainda que “haverá muitas análises e críticas a fazer” à sua Presidência, mas que, neste momento, Angola “pode evoluir de uma maneira normal, há um processo democrático em curso”.

No final da semana passada, o ex-chefe de Estado sofreu uma queda na sua casa na capital catalã, onde vivia desde abril de 2019, e estava deste então internado e em coma induzido na unidade de cuidados intensivos do Centro Médico Teknon, em Barcelona.

José Eduardo dos Santos tem 79 anos e padece de problemas de saúde há vários anos, sendo acompanhado em Barcelona, numa das melhores clínicas do mundo, desde 2006. SIC

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Last modified on Terça, 28 Junho 2022 21:33