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Segunda, 10 Agosto 2020 16:02

Óbito/Waldemar Bastos: Músicos usam as redes sociais para homenagear "inesquecível voz"

Músicos como Aline Frazão, Paulo Flores, C4Pedro e Anselmo Ralph, o ativista Luaty Beirão e o escritor Kalaf Epalanga usaram as redes sociais para recordar o ‘kota’ Waldemar Bastos, que morreu hoje aos 66 anos.

O músico angolano Waldemar Bastos morreu hoje de madrugada em Lisboa, vítima de cancro, segundo fonte do gabinete de comunicação do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola.

Aline Frazão, numa mensagem partilhada no Twitter, fala num “dia de luto para a música angolana”. “Ficam os seus discos, o seu legado musical imenso, a sua inesquecível voz...Obrigada, ‘kota’ Waldemar Bastos”, escreveu.

Luaty Beirão, que enquanto ‘rapper’ é Ikonoklasta, escreveu, numa mensagem dirigida a Waldemar Bastos: “Obrigado por partilhares um pouco da tua luz, apesar de tanto terem feito para apagá-la. Descansa em paz mô kota, em guerra está quem por cá permanece”.

Também no Twitter, Kalaf agradeceu ao “kota” Waldemar Bastos por ensiná-lo “a amar angolanidade” através dos seus versos e melodias. “O teu legado será preservado”, promete.

Paulo Flores expressou, no Facebook, “gratidão pelo exemplo, pela musicalidade, pela espiritualidade e pelas palavras” de Waldemar Bastos. “Descansa em paz, obrigado por sempre”, escreveu.

A cantora Pérola, também no Facebook, defende que “o grande” Waldemar Bastos “jamais será esquecido”.

No Instagram, C4Pedro diz que “Angola tornou-se um país extremamente pobre” com a morte de Waldemar Bastos, cuja voz considera “uma das sete maravilhas do universo”.

“Obrigado por teres sido fiel a ti mesmo e parabéns pela verticalidade que te caracterizou durante esta rica trajetória”, escreveu o cantor, lembrando que o tema “Filho do Mato” é a prova da “eterna admiração” que sente por Waldemar Bastos.

Anselmo Ralph recordou “mais uma grande voz angolana que se cala”, mas cuja “grande arte fica, com uma voz e timbre muito peculiar e sentimental”.

“Tive a honra de orgulho de crescer a ouvir esta grande voz. Muito obrigado pelo seu contributo grande mestre”, escreveu o cantor.

Waldemar Bastos foi hoje recordado também, entre outros, pelo diretor do Festival Músicas do Mundo, que decorre anualmente em Sines, mas este ano não se realizou devido à pandemia da covid-19.

Carlos Seixas, no Facebook, fala na morte de “um músico maior”. “Na memória ficam canções intemporais, uma voz de dor e de esperança, uma discografia única no cancioneiro angolano e de língua portuguesa”, salientou.

Waldemar Bastos nasceu em Mbanza-Kongo, ex-S. Salvador do Congo, na província do Zaire, no noroeste de Angola, e começou a cantar ainda menino.

No período colonial, o músico foi preso pela PIDE, a polícia política do Estado Novo.

Aos 28 anos mudou-se para Portugal onde editou o seu primeiro disco, "Estamos Juntos" (1983), ao qual se seguiu "Angola Minha Namorada" (1989) e "Pitanga Madura" (1992).

Em 1997 publicou, pela etiqueta Luaka Bop, de David Byrne, "Pretaluz [blacklight]", e dois anos depois foi distinguido, em Monte Carlo, no Mónaco, com o prémio de New Artist of the Year nos World Music Awards.

Em 2004 editou "Renascence", pela etiqueta neerlandesa World Connection. Sobre este álbum, a BBC referiu a "grande maturidade e até suavidade em muitas das faixas" onde a esperança e a reconciliação estão entre os temas explorados.

Em 2008, editou "Love Is Blindness", álbum em que gravou em inglês. Em 2018, foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais importante distinção do Estado angolano nesta área.

O músico atuava com regularidade em Portugal, tendo, por exemplo, aberto, em 2017, o 34.º Festival de Teatro de Almada e tocado, nesse mesmo ano, no Festival de Músicas do Mundo de Sines.

O seu último álbum, "Classics of my Soul" (2010) apresentou-o, em 2013, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com a Orquestra Gulbenkian, num concerto que descreveu como um "encontro da música ocidental erudita com a música contemporânea de África".

Sobre a sua música, muitas vezes definida como um misto de afro-pop, fado, ‘soul’ e influências brasileiras, Waldemar Bastos explicou que ela tem a ver com as músicas todas que ouviu.

"Porque nós, se falarmos historicamente, enquanto colonizados, ouvíamos de tudo - eu ouvia Amália Rodrigues. A minha música tem um bocado de tudo, porque tudo de bom das culturas, eu absorvo; o que é belo, eu absorvo naturalmente", disse numa entrevista à agência Lusa, em 2013.

Waldemar Bastos vivia em Angola desde 1990, com a família, sendo pai de três filhas.

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