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Sexta, 17 Julho 2020 01:54

Angola: 84 empresas despediram mais de 4 mil trabalhadores

Ao todo, 84 empresas suspenderam, de Abril a Junho, o vínculo laboram com 4.180 trabalhadores, devido à crise resultante da pandemia da Covid-19.

De acordo com dados da Inspecção Geral do Trabalho apresentados, ontem, pela ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, durante a discussão, na especialidade, da Proposta de OGE Revisto, outras 35 empresas têm a intenção de despedir 2.886 trabalhadores, o que acontecer vai perfazer um total de 7.066 funcionários desempregados.

Teresa Rodrigues Dias garantiu que, a apesar deste cenário, os esforços do Executivo são permanentes, tendo apontado o Plano de Acção e Promoção da Empregabilidade (PAPE), aprovado pelo Presidente da República, que prevê a criação de 500 mil empregos. “No momento em que se delineou o Programa, não se imaginava que surgiria a pandemia da Covid-19, por isso as razões de operacionalização do programa e da sua continuidade mereceu um estudo prévio que terminou recentemente e visa o ajustamento do programa”, sublinhou.

A ministra informou que o sector que dirige preparou, igualmente, os pacotes da Política de Empregabilidade e do Fundo da Reserva e Estabilização do Instituto de Segurança Social, para poder garantir a sustentabilidade e evitar a dinâmica de suspeições que se vêem levantando. Também avaliou o Fundo Social da Segurança Social.

A intenção, segundo Teresa Rodrigues Dias, é permitir que as questões de emprego sejam abordadas de forma segura e sustentável. Segundo a ministra, o Executivo prevê a reestruturação do PAPE, para evitar a construção de mais centros. “A nossa visão é evitar a construção de mais centros, aproveitando os que existem e actualizá-los.

Temos bastantes centros que precisam de reparações e reequipamentos“, disse Teresa Dias, salientando que “o que se pretende é aumentar a expectativa da empregabilidade”. No âmbito dos desempregos massivos, o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social tem estado a trabalhar com a Inspecção Geral do Trabalho, no sentido de se aferir “se muitos deles não se tornam um aproveitamento do momento”.

“Temos notado que algumas vozes que se levantam nesse sentido não correspondem à verdade. Já fizemos alguns levantamentos e nem muito próximo desse número que se vem dizendo correspondem à verdade”, afirmou. A ministra defende o reforço da Inspecção Geral do Trabalho para que possa fazer o devido acompanhamento destes tipo de aproveitamento e trabalhar só naqueles que merecem apoio.

O ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, lembrou que a situação da Covid-19 provocou em todas as economias, em particular em Angola, uma situação muito difícil de manutenção dos postos de trabalho. Sérgio Santos adiantou que o Executivo está a lançar iniciativas para aliviar a situação do desemprego: “Estamos a acompanhar a evolução do mercado de trabalho e os dados que o Instituto Nacional de Estatística nos dá apontam para um agravamento da situação do desemprego”.

No último trimestre, acrescentou, a taxa de desemprego cresceu em cerca de 5,3 por cento nas idades entre 15 e 24 anos. Segundo Sérgio Santos, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que o desemprego cresce mais na zona urbana e decresce no meio rural. “Acreditamos que está a acontecer uma dinâmica que é natural nesta situação. Quando há uma situação como esta de crise económica, os sectores sociais são os primeiros a serem afectados”, sublinhou.

O responsável pela Economia e Planeamento disse que “vê-se a dinâmica nos sectores da Agricultura e das Pescas”. O ministro fez uma comparação da taxa de desemprego na zona rural do primeiro ao quarto trimestre do ano passado, que foi de 17 por cento e no primeiro trimestre do ano em curso, que passou para 12,6. Na zona urbana, disse, passou-se de uma taxa de desemprego de 42 para 45 por cento.

O ministro garantiu que se pretende aumentar a produção nacional na agricultura e nas pescas, no comércio e nos serviços, trazendo incentivos para a manutenção e criação de mais empregos. Sérgio Santos acredita que as medidas de alívio económico anunciadas e os recursos financeiros que estão a ser disponibilizados pelos bancos vão permitir que se atinja esse objectivo.

“Os institutos de apoio às pequenas e médias empresa e os ligados ao desenvolvimento agrário e industrial estão a trabalhar com várias empresas nos vários sectores”, informou. O ministro revelou que 1.962 empresas candidataram-se ao programa de apoios financeiros. “Muitas destas empresas estão na situação de informalidade e não têm um registo conveniente na segurança social, têm dificuldade de títulos de concessão das terras”, referiu.

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