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Quarta, 08 Abril 2020 11:31

Angola mudou governo para reduzir gastos mas outra remodelação poderá vir em breve - analista

O analista Augusto Báfua defendeu hoje que o Presidente de Angola tinha de fazer a remodelação governamental anunciada na segunda-feira para cortar nos gastos públicos, mas avisa que esta não deverá ser a última até final do mandato.

“O preço do petróleo tem baixado cada vez mais e isso causa uma enorme pressão nas finanças públicas. Então [o Presidente) não teve outra alternativa senão reduzir o executivo e, por consequência disso, os gastos governamentais", afirmou Augusto Báfua em declarações à Lusa a partir de Luanda.

Para o também investigador esta, aliás, não deverá ser a última mudança no governo que o Presidente da República, João Lourenço fará até ao final do seu mandato.

"Fala-se numa possibilidade de antes do final de mandato se poder reduzir mais ministérios, uma redução que não é só na quantidade, mas também na tentativa de aumentar a qualidade" da resposta do governo às necessidades do país.

"Agora o governo diminuiu de 28 para 21 o número de ministérios e pode ser que mais tarde, dependendo da análise que se vai fazer, possa diminuir de 21 para 18", disse.

O analista recorda que foram criados "certos privilégios" o petróleo estava a cerca de 60 dólares o barril, e hoje está abaixo de 30 dólares.

Por isso, o Presidente tomou a decisão, mesmo num contexto de pandemia, causada pelo novo coronavírus, que irá afetar a economia mundial.

"Mais do que a incidência do coronavírus é a incidência da baixa do preço do petróleo durante este período" que está em questão, defendeu o analista.

Porém, o analista admitiu que esta redução do executivo é também uma reposta à recomendação do FMI de corte nos gastos do governo.

Augusto Báfua disse que há muito que se falava na necessidade de reduzir o executivo, não só em número, mas também no nível das despesas, citando como exemplos, os ministros terem de deixar de viajar em classe executiva e de reduzirem a compra de viaturas.

Mas o corte "não pode ser de uma forma brutal porque a rotura não ajuda na governação", afirmou, considerando que deve ser feito paulatinamente.

Para o analista "é o que o presidente está a fazer, com muita dificuldade, há muita reclamação, é criticado se não o fizer, e também é criticado se o fizer".

Porém, a remodelação não teve apenas como objetivo a poupança, foi feita "também na tentativa de aumentar a qualidade" do executivo, com mais dinamismo e capacidade de dar resposta aos problemas que afetam os angolanos, considerou.

Da remodelação governamental destaca a tentativa do Presidente João Lourenço de colocar jovens e mulheres, no sentido de fazer "uma governação que vai mais de acordo com aquilo que é o cidadão comum, com aquilo que é a média de idade do cidadão angolano", dando, assim, uma "lufada de ar fresco".

Além disso, o "elenco que foi remodelado não é do ‘core’ da economia angolana", ou seja, não abrangeu os ministros que lidam mais diretamente com os problemas económicos do país, nem o Ministério da Saúde, responsável pelo combate á pandemia do Covid-19, salientou.

Para Augusto Báfu, estas mudanças têm, assim, a vantagem de poderem trazer "novas ideias para o governo", um aspeto positivo, "porque uma das coisas que se criticou em remodelações anteriores foi ter-se utilizado algumas pessoas que já têm muito desgaste de anos de governação".

Quanto à exoneração do ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, um dos aspetos polémicos da remodelação, Augusto Báfu disse que este fez "um grande trabalho", mas que a sua substituição por aquele que foi o seu secretário de Estado, Tete António, "foi mais uma jogada no sentido de dar mais força e melhorar o que já estava bem no ministério".

No arco da governação, “o titular do executivo põe aqueles que melhor entende nos lugares em que acha que prestarão um melhor trabalho. Por isso não se admire se vir o ministro Manuel Augusto numa posição de igual ou maior responsabilidade", afirmou.

Sobre o novo ministro considera que "tem uma vasta experiência, conhece bem a União Africana e os meandros das Nações Unidas", e "vai conseguir, a breve trecho, dar conta da casa" até porque já era secretário de Estado.

A presidência angolana divulgou esta segunda-feira a lista dos novos membros do executivo.

Da longa lista de exonerações divulgada pela Casa Civil do Presidente da República, João Lourenço, constam 17 ministros e 24 secretários de Estado, bem como o secretário do Presidente da República para os Assuntos Políticos, Constitucionais e Parlamentares e o diretor do Gabinete de Ação Psicológica e Informação da Casa de Segurança do Presidente da República.

Mas entre estes muitos assumirão as mesmas funções no novo executivo, enquanto outros terão novas pastas e outros ascendem a cargos mais altos.

Já Adjany Costa, a jovem bióloga que venceu um prémio das Nações Unidas para os ambientalistas que mais se distinguiram no ano passado, é uma cara nova no executivo, assumindo um superministério que junta Cultura, Turismo e Ambiente.

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