Sábado, 28 de Novembro de 2020
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Domingo, 26 Julho 2020 19:29

Geopolítica da Segurança do Estado: Força Militar e Serviços Secretos

Segundo doutrinas militares e teorias do realismo político, a base da segurança de um Estado passa primeiramente pela preparação estratégica e força militar do seu exército.

Hoje inúmeras guerras são vencidas fora dos campos de batalhas muito antes delas começarem. Os serviços secretos são um dos principais responsáveis por essas vitórias, pela neutralização das forças inimigas e manutenção da estabilidade do Território.

Toda estratégia militar exige que conheças bem o seu adversário, neste processo vários mecanismos são empregados com o intuito de se estar sempre um passo à frente do inimigo, sendo assim espiões são infiltrados nos demais sectores do aparelho de um Estado, informações privilegiadas são colectadas outras compradas, alguns são chantageados e corrompidos, outros tornam-se agentes duplos a vantagem de um interesse maior ou em troca de proteccção, riqueza ou bem-estar.

A regra número 1 dos serviços secretos é que o Estado vem antes “de tudo e de todos”. Não há família, filhos, pai, mãe, irmãos, nem amigos, o teu dever principal é para com o Estado só depois vem o resto. A espionagem exige que te doas por completo à Nação, e se for preciso sacrificar parentes próximos, dezenas, centenas ou milhares de pessoas para proteger o Estado terás de o fazer. Esses princípios da espionagem foram incorporados fortemente pela teoria do realismo político. Hoje a situação é ainda mais perigosa e complexa do que antes, porque novas técnicas foram criadas e desenvolvidas, hoje a espionagem é em grande escala, abrange todos os níveis e sectores da sociedade: instituições públicas, associações e organizações não governamentais, fundações, empresas e corporações econômico-financeiras.

A espionagem é parte fundamental de um exército, esse último só entra em acção depois que os agentes especiais (espiões) fazem o trabalho completo de intelligence. Esses estudam o ambiente e o terreno do adversário no seu todo, avaliam os pontos fortes e fracos, as entradas e as saídas estratégicas do Território inimigo, só mais tarde é que os batalhões e os militares são enviados em missão.

Os serviços secretos existem para proteger o Estado dos inimigos internos e externos, sobretudo dos inimigos externos, mas diferente das super potências militares os Países africanos usam muito mais a segurança nacional e os serviços secretos para combater principalmente o seu próprio cidadão. Por exemplo Angola é um dos países africanos que mais investe nas forças militares e nos serviços secretos, apesar da crise econômico-financeira o orçamento da defesa angolana e do SINSE estão sempre em alta, e verbas monetárias são sempre adicionadas a favor da secreta do Estado.

Grande parte desses agentes dedicam muito tempo perseguindo angolano igual tanto dentro como fora do País, ficam horas e horas nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, nos portais de notícias online, em frente da TV ou lendo jornais, procurando saber, coisa diz esse ou aquele jornalista, esse ou aquele partido, esse ou aquele cidadão, mas categoricamente e concretamente não é essa a principal função dos serviços secretos de um Estado.

O Estado angolano é um Estado militarizado, como tantos países africanos, até nas Instituições diplomáticas angolanas é evidente a presença de embaixadores e diplomatas que são militares, funcionários e agentes mandados directamente pelo ministério da defesa outros mandados pelos serviços secretos, com a intenção de controlar sobretudo a opinião pública dos seus cidadãos residentes naquele País. Isso dá-nos a entender que ainda não abandonamos o espírito da guerra e da perseguição, o espírito tribalista e partidária. Somos todos angolanos juntos devemos construir o nosso País, cada um de nós deve dar o seu contributo para o crescimento e desenvolvimento da nossa Nação, é perda de tempo perseguir o angolano igual.

Em democracia o poder político e toda a administração do Estado, geralmente devem estar nas mãos dos civis, não nas mãos dos militares, esses (os militares) especificamente têm a função de proteger as fronteiras do País e manter a segurança e a integridade do Estado, mas Angola grande parte do poder encontram-se nas mãos dos militares.

A geopolítica internacional sempre foi caracterizada pelo domínio da força militar basta analisarmos a corrida armamentista entre as grandes super potências militares e económicas do mundo: EUA, Rússia e China, incluindo Israel, Índia, Paquistão, Coreia do Norte, Turquia, Arábia Saudita e Irão.

Esses Países investem avultadas somas de dinheiro do seu PIB para manter sempre em alta e em prontidão o seu exército e os seus serviços secretos. Por exemplo o orçamento militar dos Estados Unidos da América é de 738 bilhões de dólares; China 224 bilhões de dólares; Arábia Saudita 70 bilhões de dólares;  Rússia 65.1 bilhões de dólares; Índia 55.2 bilhões de dólares; Turquia 8.6 bilhões de dólares; Coreia do Norte 7.5 bilhões de dólares; Paquistão 7 bilhões de dólares; Irão 6.3 bilhões de dólares.

 Toda a geopolítica envolve o objectivo de salvaguardar e proteger o Estado e assegurar a integridade nacional a todo o custo. A missão principal é proteger-se dos Estados e dos inimigos externos, incluindo a protecção contra o terrorismo, contra as organizações criminais e clandestinas, protecção contra a máfia, contra o tráfico internacional de drogas, tráfico de armas, tráfico de órgãos humanos, etc.

É visível o esforço das grandes super potências em modernizar o seu exército e a fabricação de novos armamentos. A Rússia como é do conhecimento público, desenvolveu uma arma supersónica denominada AVANGARD, também chamada de “invencível”, é um tipo de arma impossível de ser reconhecido nos radares inimigos, é capaz de destruir as forças adversárias sem ser visto nos sistemas de defesas antiaéreos e anti misses. O som dessa arma viaja numa velocidade de 340 metros por segundos, ou seja, 1224 km por hora, até o momento o alcance dessa arma é de 4 mil km de distância.

A Rússia também possui a bomba nuclear intercontinental mais potente do mundo de nome RS-28 SARMAT, apelidado pela OTAN-NATO de Satã 2 (o destruidor de países), pode atingir um alcance de 10 mil km de distância. É uma bomba capaz de varrer do mapa um País inteiro do tamanho da França e do Reino Unido. Também possuem os sistemas de defesa antiaérea mais avançados do mundo como o S-500, capazes de atingir alvos a 600 km de distância e capazes de interceptar misses balísticos inimigos a 240 km de distância. O exército russo conta com 1.1 milhões de militares no activo e 2.5 milhões na reserva.

Por outro lado, a China também continua modernizando o seu exército, neste momento é o País com a melhor tecnologia de “armas supersónicas”, é o caso do míssil anti-navio

DF-26 que tem o alcance de 5 mil km, apelidado de “destruidor de porta aviões”, esses misses também podem actuar como misses balísticos ou intercontinentais tal igual como o míssil DF-21 que podem atingir alvos a 10 mil km de distância, e o DF-41 o mais moderno e avançado míssil balístico chinês com um alcance de 12 mil km. O seu exército conta com 2.1 milhões de militares no activo e 510 mil na reserva.

Os EUA a melhor potência militar e económica do Mundo, além das suas mais variadas bombas nucleares intercontinentais (o Minuteman III com alcance de 12-15 mil km; o Trident II D5 com alcance de 7-12 mil km; o Peacekeeper com alcance de 9-10 mil km; os DeepStrike com alcance de 60-499 km destinados à alvos terrestres), dos seus sistemas anti misses (o THAAD, o Patriot) e dos seus porta aviões, possuem também os caças de guerra mais caros e mais tecnológicos do mundo: os F-35, custando cada um cerca de 130 milhões de dólares (actualmente esses caças de guerra custam menos).

Os EUA Possui um exército de 1.3 milhões de militares no activo e 860 mil militares na reserva. O seu orçamento de defesa (738 bilhões) é maior que os orçamentos de todos os países juntos, isso deve-se em parte por terem bases militares espalhados em todo o mundo.

O poder militar e o poder económico ditam as regras do jogo a nível internacional, para essas super potências (EUA, Rússia, China) as leis do Direito internacionais não aplicam-se à eles, porque toda à geopolítica e todo o sistema estratégico-militar internacional é praticamente decidida por eles. A corrida armamentista, de domínio e de potência é o que traz equilíbrio e segurança mundial, em base a teoria do realismo político.

Além das forças militares desses países os seus serviços secretos são também muito avançados, podendo infiltrar-se nos demais sectores de um Estado inimigo sem serem percebidos, notados e detectados.

Existem por exemplo muitos cidadãos russos nas instituições públicas americanas, russos nascidos nos EUA, falam bem o inglês e desde muito cedo foram treinados como espiões a serviço da Rússia. Existem espiões russos não somente nos EUA, mas em todo o mundo. Foram os russos (a antiga KGB) que fundaram a espionagem, do mesmo jeito fazem as outras potências e super potências.

Os EUA usam inúmeras tecnologias para interceptarem conversas telefónicas de cidadãos, de governos e chefes de Estados a nível Global. A partir da sua própria Embaixada podem saber tudo o que se passa dentro daquele Estado.

A espionagem move-se de muitas maneiras, sem você saber a tua própria namorada, Pai, amigo, filho, irmão, ou teu melhor amigo, pode ser na verdade a pessoa que te espiona e tu nem sequer imaginas. Por isso é sempre melhor desconfiar do que confiar, não importa o tipo de meio ambiente em que te encontras. O teu próprio Pároco, teu pastor da igreja, teu irmão da igreja, teu catequista, o médico de família, teu psicólogo, pode ser também um espião. A espionagem é uma técnica, não se faz de qualquer maneira, requer treinamento, prática e aprendizagem.

A geopolítica actual não envolve apenas a força militar, a espionagem e o poder económico, envolve também a chamada “guerra biológica” (pandemias, epidemias) é o caso do coronavírus e de tantas outras doenças e epidemias graves que o mundo já presenciou. 

Em política nada acontece por a caso, tudo é programado e traçado por uma grande elite, chamados de “poder invisível” na visão de Mosca, Pareto e Mikel (fundadores da teoria elitista). Esses defendem fortemente que quem comanda um País não é quem tu vês a frente do seu governo ou de uma organização internacional, quem comanda é quem não se faz ver mas nos bastidores decide tudo que deve ser feito: o poder invisível é a verdadeira autoridade de um Estado.

O.B.S: O valor dos orçamentos das despesas militares de um Estado e o número dos seus respectivos exércitos (activos e não activos) nunca são 100% exactos, a causa do segredo de Estado, e periodicamente esses mesmos Estados adicionam mais dinheiro aos orçamentos já aprovados, portanto nenhum Estado revela exactamente quanto gasta para a sua defesa militar.

Por Leonardo Quarenta

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

Mestrado em Relações Internacionais e Diplomacia

Curso de Alta Formação em Conselheiro Civil e Militar.

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