Terça, 02 de Junho de 2020
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Sexta, 20 Março 2020 14:27

Coronavírus (Covid – 19): Angola deve – se preparar para o pior

Com um sistema de saúde que quase não funciona, Angola não deve levar de ânimo leve a luta contra o COVID – 19. O País deve – se preparar para o pior. E, sabemos nós que, Angola não está preparada para fazer face à esse drama letal.

O País deve impor medidas pertinentes de biossegurança para impedir o contágio por esse grande mal sanitário que assola o universo.

O coronavírus é uma arma biológica irrepreensível, não é uma patologia de natureza ordinária como o paludismo, a gripe comum, a febre tifoide, giardíase, a infecção urinária, que podem ser negligenciadas por qualquer pessoa. O coronavírus mata tudo, até milionários. Não há País algum que o supera. De lembrar que, nas famílias mais abastardas angolanas, o receio pelo rumor do COVID – 19, levou – os a abstraírem os seus das nações do mundo, conduzindo – os as postas de casa, por estarem cônscios de que não há remédio algum capaz de calar a fúria do COVID – 19. Seja na Europa ou em qualquer lugar do mundo, o COVID – 19 está a dar o que fazer a todos.

O coronavírus não é irmão da febre-amarela, não é primo da cólera ou de um outro drama sanitário que já tenha colocado Angola de pés descalços, o coronavírus é de uma espécie de vampiros teimosos e violentos que mata mais que uma arma. Se Angola não vê capacidade alguma face à surtos de malária ou de febre amarela, o que dizer da pandemia letal do COVID – 19? Recordemos como ficaram os cemitérios em 2016 ao longo da epidemia de febre-amarela e de surto de malária: “um verdadeiro local de concentrações de cadáveres infindáveis”.

Desde logo, é hora de se prevenir do coronavírus. Lavar as mãos, usar máscaras, usar álcool gel, colocar em primeira mão as medidas de biossegurança, longe disso, a vida não nos poderá ser possível. Abarrotar as dispensas de comida de toda natureza, água e demais necessidades caseiras, porque quando esse drama começar não haverá alguém que saberá poupar. Em Angola, ricos ou pobres, grandes ou pequenos, velhos ou jovens, políticos ou cidadãos comuns, caso não se impunham medidas de biossegurança, ninguém será poupado desta terrível pandemia que não escolhe a quem vai ceifar primeiro.

Angola, ficará exânime caso teime em investir em medidas preventivas enquanto existem escassos casos positivos dispersos por Luanda fora. Recentemente um cidadão americano situado nas sondas de extração de petróleo em Malongo (Cabinda), terá regressado dos EUA à Cabinda apresentou – se incomodado com um quadro clínico típico do COVID – 19, tal drama, levou a Ministra da Saúde Dr.ª Silvia Lutukuta à deslocar – se ao local e averiguar a veracidade dos factos. Em medicina, a clínica tem 80% de probabilidade de evidência de diagnóstico, os exames complementares apenas têm 20%, aliás, os exames são complementares, e não são prova de diagnóstico.

A prova de diagnóstico é o quadro clínico. Assim existem muitos falsos positivos e muitos falsos negativos nos testes do COVID – 19 EM Angola, não é possível, que o País seja a excepção do mundo inteiro sem nenhum caso positivo apesar de haver variados casos nos Países vizinhos e Angola ser a aliada estratégica no panorama económico para a China, o local por onde a enfermidade partiu, com variados chineses a residirem em Angola desde 200.

Embora o Governo de Angola afirma não haver casos positivos de COVID – 19, não há dúvidas que, a clínica deste e doutros pacientes já evidenciou a existência de variados casos positivos clinicamente por COVID – 19 no País. Embora os seus exames tenham dado negativo, há que respeitar a semiologia médica e assuntos de fisiopatologia clínica, o quadro clínico é o factor decisivo para o diagnóstico de qualquer doença. Desde logo, não é verdade que Angola não há casos positivos de COVID – 19.

 Desde logo, o Estado Angolano não deve hesitar em investir todos os seus meios em recursos de prevenção contra essa pandemia que assola a humanidade residente no planeta terra, porque se o País não pode fazer testes positivos em variados casos cuja clínica cuja clínica é sugestiva de tal doença, estará muito longe de fazer face à esse drama que assola o universo aos nossos dias: “Angola não está preparada para enfrentar o COVID – 19.”

Ou o Estado angolano esteja a imitar a China nos primórdios da epidemia, onde terá ocultado toda a verdade sobre o assunto, inclusive o médico chinês de Wuhan que terá noticiado o caso mereceu censuras por parte do Governo chinês, e, hoje o Governo chinês mostra – se severamente arrependido por ter reprimido o médico chinês que denunciou os primeiros casos do coronavírus nas redes sociais.

Angola segue os passos do Governo chinês, recentemente, a médica Manuela Adão terá sido presa pela SIC em Benguela, por ter divulgado em áudio os resultados do paciente chinês internado na unidade sanitária em que esta exercia o seu trabalho. É necessário saber que prevenir é mais importante que curar, e, para Angola, a única arma para fazer face à este drama social são as medidas de força contra os que denunciam os casos positivos, não são as medidas que visam esconder os casos positivos, são as medidas preventivas que irão ajudar o povo a se precaver dessa enfermidade de alta patogenia e contágio. Prender, oprimir, isolar, etc., médicos por terem denunciado casos positivos nas redes sociais, não poderá salvar o País deste drama social que aterroriza o universo.

O País não deve se dar ao luxo de ser o que não é: “um País sem nenhum caso positivo de COVID – 19”, isto não é verdade, ou os aparelhos para tal teste são falsos e incapazes de diagnosticar através de exames, talvez andam completamente avariados, ou alguma coisa não está a ser realizada de maneira eficiente. A verdade é que o País deve investir em medidas de precaução imediatas, em medidas de precaução padrão e precaução específica. O País deve impor medidas sanitárias urgentes que visam fazer face à qualquer forma de contágio da doença que assassina de maneira trivial o universo.

Angola deve colocar medidas de biossegurança à frente do povo, formar agentes sanitários para educar a sociedade angolana a se precaver desta tenebrosa enfermidade. Diagnosticar os casos positivos e mantê – los em isolamento, impor quarentena obrigatória em que tanto filhos de dirigentes, quanto outros cumpram de maneira obrigatória os padrões de precaução universal. De lembrar que, o Presidente do Brasil Jair Bolsonaro cumpriu quarentena, o Presidente de Portugal Marcelo cumpriu quarentena, porém, em Angola é completamente diferente, recentemente ficou sabido que em dois aviões cujos passageiros deslocavam – se de Portugal à Luanda, foram retirados filhos de dirigentes para fazerem quarentena domiciliar, enquanto forçavam à mais de 300 pessoas para que fizessem quarentena nos centros de quarentena, essa medida, mostrou a fragilidade em termos de seriedade do Governo angolano, o que terá resultado num escândalo descomunal onde mais de 300 pessoas passaram a fazer quarentena domiciliar, um erro do tamanho de um oceano, o Governo angolano terá cometido, porque quarentena domiciliar ninguém pode controlar.

Angola deve saber que não é um anjo caído dos céus para ser poupada pelo COVID – 19. Deve - se prevenir de todos os meios que viabilizem as formas de contágio. Hoje, pela ambição dos comerciantes angolanos, as farmácias dispararam o preço das máscaras e do álcool gel, coisa que o Governo deveria impor regras em termos de medidas comerciais. Aliás, as máscaras, não deveriam ser compradas pelos cidadãos, deveria ser o Estado a distribuí – las de maneira gratuita à todos os cidadãos angolanos.

Dizer que não há casos positivos em Angola, é um erro fatal, porque quem nega ter uma doença nega qualquer forma de cura de tal doença. A OMS orienta: “Não assume que não vai ser infectado prepare – se como se fosse alguém em risco de infecção.”

Os chineses ignoraram e provaram do caldo da ignorância, os italianos ignoraram e foram vítimas da sua própria ignorância, os portugueses na sua profunda ignorância já pedem aos socorro do mundo por não se munirem de medidas de combate ao COVID – 19, e na verdade, a melhor medida é a prevenção. Nos dias actuais, perto de 500 pessoas morrem diariamente por infecção pelo COVID – 19 na Itália, as agências funerárias ficaram em debandada, sem caixões para vender e dispararam os preços, um vendedor de caixões na Itália, afirmou não conseguir dormir por uma única noite há três dias sucessivos. Os médicos trabalham feitos animais em horas e horas seguidas, mortos pela síndrome de Burn out, um descalabro sanitário total.

O País não deve estar concentrado numa visão míope que visa apresenta – lo como o País santificado por Deus onde o COVID – 19 não chega de acontecer. O País deve, desde logo, impor medidas imperativas no combate ao COVID – 19. Medidas visadas em segurança sanitária, em segurança ambiental, em biossegurança, para inviabilizar o processo de disseminação do vírus pelo País. Se, há ou não casos positivos, isso em nada ajudará, no âmbito preventivo da pandemia que assola o universo aos nossos dias. Deve – se impor medidas rígidas e obrigatórias de precaução padrão, para que se consiga combater a pandemia em qualquer parte do País. Assim diz o adágio popular: “Prevenir vale mais que remediar.”

O Estado angolano deve colocar na consciência que esse drama sanitário tem uma forma de contágio muito rápida, similar a velocidade de uma bala, se apenas há 10 dias atrás África tinha apenas cinco países com infecções pelo novo coronavírus, conforme afirmou Matshidiso Moeti, Directora Regional da OMS para a África. Dez dias depois, África conta com mais de 34 países com mais de 650 casos registados. Desde logo, o Governo angolano deveria sair do bunker e assumir logo a causa na luta contra essa pandemia mortal e fulminante que assola o universo.

Portugal, Espanha e Itália são os maus exemplos no cenário mundial de prevenção, a esse drama letal, que hesitaram à impor medidas de biossegurança, desde então. Hoje estão com as mãos ponderadas sobre o píncaro da cabeça, por verem o número de infectado a crescer numa velocidade furiosa. A Espanha, registou actualmente 11178 casos confirmados, com 491 mortes. Nesta altura, estão 563 pessoas em cuidados intensivos. Os Cuidados Intensivos da Itália ficaram completamente saturado ao ponto dos médicos escolherem quem deve morrer primeiro e quem deve viver.

Um outro embuste que tem estado a tomar conta do ouvido do mundo, é que o COVID – 19, só mata pessoas idosas, e, imunodeprimidas. Essa ideia é falsa, Michael J. Ryan, diretor executivo e chefe de emergências da OMS, alerta que não é verdade que o covid-19 só mata idosos. Na Coreia do Sul, os que caíram nas primeiras horas foram os mais jovens. Desde logo, tanto jovens, quanto idosos, podem morrer se forem afectados pelo COVID – 19, e a imunossupressão é um dos factores predisponentes para o agravo do estado clínico do afectado pelo COVID – 19. Ryan deu mesmo o exemplo da Coreia do Sul onde a maioria das vítimas mortais – 84, segundo os últimos dados oficiais – não eram idosos. O responsável chamou a atenção que, até ao momento, já “há também um número significativo de jovens que faleceram”.

Muitos angolanos acham ser o COVID – 19 uma patologia qualquer, mas na verdade, o COVID – 19 é uma patologia letal, pior que a segunda guerra mundial. Um cidadão residente em Itália, Jason Yanowitz afirmou o seguinte: “Penso que todos sabem que a Itália se encontra em quarentena devido à COVID - 19. A situação é má, mas pior é ver o resto do mundo a agir como se isto não fosse acontecer com eles. Sabemos que pensam assim, porque nós também pensávamos assim antes desta doença começar no País.”

O coronavírus mata, e não tem até então, nem vacina, nem cura apropriada para tal pandemia, as medidas correctivas são paliativas, visam apenas aliviar os sinais e sintomas, e, não combater a doença. Desde logo, é hora do Estado angolano impor medidas rígidas de prevenção, educar a sociedade em massa, as televisões, rádios, os grupos religiosos, as associações cívicas, etc., devem fazer o seu papel de educadores sociais e sanitários sobre esse grande drama letal para impedir qualquer forma de contágio da doença em Angola.

BEM – HAJA!

Por João Henrique Rodilson Hungulo

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