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Quinta, 26 Dezembro 2013 20:42

Angola continua a vender petróleo e importar combustíveis

Vender petróleo e outras matérias-primas energéticas, como petróleo bruto, e importar combustíveis continua a ser a realidade dominante entre os países da África Austral, incluindo Angola e Moçambique. É o que diz um relatório da Brookings Institution, “think tank” norte-americano, que deixa um conselho: “É imperativo que a África aumente a sua capacidade de refinação.”

A África Subsariana detém mais de 8% das reservas comprovadas de petróleo no mundo, e, ao exportá-lo para que seja refinado no exterior, “o continente perde uma grande oportunidade para transformação económica,” garantem os autores do relatório, membros da Africa Growth Initiative da Brookings.

Angola é um exemplo desta disparidade entre recursos naturais e capacidade técnica: o país tem as terceiras maiores reservas de África, segundo a BP, e é o segundo maior produtor de petróleo do continente. No entanto, não é auto-suficiente no que conta aos produtos derivados de petróleo refinado.

Visto que Angola tem apenas uma refinaria em funcionamento, em Luanda, em Agosto deste ano exportaram-se 100 mil toneladas de produtos refinados de petróleo, mas foram importadas outras 379 mil, 92% das quais eram gasóleo e gasolina, garante o último relatório do Gabinete de Estudos Económicos e Financeiros do BPI.

Tendo em conta que é esperado que as necessidades internas de produtos derivados de petróleo cresçam em cerca de 50% na próxima década, é urgente que a África invista em refinarias, tanto para valorizar os seus recursos antes da exportação, como para alimentar esta procura interna crescente.

Possibilidade de um novo modelo económico para a África Austral

Como alternativa viável para os países produtores de petróleo na África Subsariana, os autores deste relatório da Brookings, Rettig, Kimenyi e Routman, recomendam um processo de integração regional entre os países da África Austral. Esta integração permitiria a exploração da cadeia de valorização da matéria prima dentro da própria região, e a expansão do tamanho de mercados que, neste momento, são “fragmentados e pequenos.”

A África Subsariana tem visto descobertas recentes de novos depósitos de petróleo e gás, como é o caso de Moçambique que, ao longo de 2013, viu a identificação sucessiva de novos poços de gás, e já foi chamado “o maior campo de exploração de gás natural do mundo.” Os investigadores da Brookings sugerem que estas novas descobertas são uma oportunidade para “catalizar a industrialização em África através de investimentos na refinação do petróleo e nas indústrias petro-químicas relacionadas.”

“Se a África Subsariana quer transformar a sua riqueza natural em dinamismo económico, e deixar para trás o modelo colonial de exportar matérias primas em troca de bens refinados, tem que melhorar a sua capacidade de refinação e capturar melhor as oportunidades económicas mais sofisticadas que existem na cadeia de valor petroquímica,” conclui o relatório.

Já existem planos de aumentar o número de refinarias nesta região. O Quénia pretende duplicar a capacidade da sua refinaria de Mombaça, e a Nigéria vai ter a sua primeira refinaria privada, que duplicará a capacidade nacional de refinação. Também em Angola, a refinaria de Lobito teve a primeira pedra colocada há um ano atrás, e esta deverá estar concluída dentro de cinco ou seis anos.

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