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Quarta, 27 Março 2024 14:30

Estabilização do câmbio foi conseguida através de “esquema pouco ortodoxo”

No seu mais recente relatório económico referente ao terceiro trimestre de 2023, o Centro de Investigação Económica da Universidade Lusíada (Cinvestec) sublinha que a estabilização do câmbio oficial foi conseguida através de um “esquema pouco ortodoxo, mas eficaz” dependente do no mercado informal.

“Em finais de Outubro de 2023, o dólar encontrava-se, tanto quanto se pode ter a certeza, num mercado ilegal, a uma taxa de 1.000 kwanzas por dólar, ou seja, o diferencial entre as taxas nos dois mercados tinha passado de 4%, que representava a confiança no mercado formal, para 21%, começando a cimentar-se a ideia de que a taxa informal representa melhor o mercado do que a formal, o que é extremamente perigoso”, observam.

Os analistas explicam que, com a redução da taxa de inflação interna e o aumento da taxa de câmbio, o país ganha competitividade externa. "Até ao período-base, a taxa mantém-se estável, próximo dos 100%, baixando, depois, para o patamar de 0,85, nos quarto tri- mestre de 2022 e primeiro trimestre de 2023, caindo ainda mais no segundo trimestre de 2023, desta vez porque a taxa de câmbio se degrada muito mais do que a inflação interna. Aqui, devido à correcção da inflação que efectuámos, a taxa com a inflação do INE cai para 0,54% (cerca de 45% de ganho de competitividade), enquanto, com a inflação do Cinvestec, a taxa de câmbio real cai para 0,64 (cerca de 35% de ganho de competitividade), mantendo-se nestes patamares até Outubro, com uma ligeira tendência de alta."

Para a estabilização do câmbio, os economistas do referido centro recomendam o desenvolvimento da produção interna não-petrolífera através do apoio aos instrumentos de crédito, contribuindo para a "resolução dos problemas de apresentação formal dos projectos, formalizando a propriedade para permitir a garantia dos créditos, libertando-a dos entraves à sua livre comercialização e usando a política monetária e a orçamental para a bonificação dos juros à produção".

Consta ainda, entre as recomendações, a necessidade de se manterem elevadas as taxas de juro do crédito ao consumo de forma que não seja estimulada a importação. "Reduzir substancialmente a capacidade da banca gerar lucros através de operações cambiais e de crédito ao Estado, que constituem o principal entrave ao desenvolvimento do crédito à economia, nomeadamente reduzindo a dívida do Estado", acrescentam, sem deixarem de parte a criação de activos atractivos, em kwanzas, que permitam reduzir a procura de dólar. O analistas sugerem ainda o incentivo às operações de emissão de titulos de divida e de acções das empresas comercializados directamente ao público através da bolsa, com o apoio da banca.

A estas recomendações de melhoria da política monetária, junta-se a necessidade de se esta bilizar a taxa de câmbio real, não permitindo nem a penalização do consumo nem a perda de competitividade da indústria nacional.

EMPREGO ESTAGNOU COMPLETAMENTE EM 2023

No documento, a equipa de economistas liderada por Heitor Carvalho explica que as alterações nas taxas de emprego e de desemprego são o resultado de uma "estagnação nominal do emprego combinada com um estranho abandono da força de trabalho por um número significativo de pessoas." O centro coloca algumas reservas quanto à qualidade do inquérito ao emprego, publicado em Fevereiro passado pelo Instituto Nacional de Estatistica (INE), que esteve suspenso durante todo o ano de 2023 e reapareceu com a divulgação de dados do quarto trimestre.

O facto de o país até agora ter sido capaz de criar apenas 2,3 milhões de postos de trabalho até ao quarto trimestre de 2023 leva os investigadores a questionar como será possível criar os cerca de 700 mil empregos anuais que o cresci- mento populacional, evolução da pirâmide etária e taxa de actividade exigem. Motivo pelo qual conside- ram a situação do emprego "bastante grave."

Valor Económico

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