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Terça, 18 Outubro 2022 21:04

Angola está no bom caminho mas disciplina orçamental é crucial

O chefe de divisão no Departamento Africano do FMI considera que Angola está no bom caminho da recuperação económica, mas alertou que manter a disciplina orçamental é fundamental para garantir a sustentabilidade da dívida.

"Angola está no bom caminho para uma recuperação saudável", disse Luc Eyraud, o chefe da divisão responsável pela produção do relatório sobre as economias africanas, divulgado na semana passada em Washington, no âmbito dos Encontros Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Em entrevista à Lusa, Luc Eyraud salientou, no entanto, que "daqui em diante manter a disciplina orçamental será crítico para garantir a sustentabilidade da dívida", que teve uma significativa descida nos últimos dois anos, em virtude não só dos acordos com os bancos chineses para o adiamento dos pagamentos, mas também da valorização do kwanza e da recuperação económica, fazendo o rácio da dívida sobre o PIB melhorar de 136,5%, em 2020, para 86,4%, no ano passado, e 56,6% este ano, caindo ainda mais em 2023, para 52,5% do PIB.

Questionado sobre o andamento da diversificação económica, Luc Eyraud disse que as "contínuas reformas estruturais para potenciar o setor não petrolífero são cruciais para esses esforços", vincando que, ainda assim, o setor petrolífero melhorou este ano mais do que o previsto.

"A economia começou a recuperar em 2021, sustentada pelos preços mais elevados do petróleo e pelo relaxamento das medidas de contenção, para além de uma recuperação do setor não petrolífero; para 2022, o crescimento deverá ser mais robusto, apesar de alguns ventos contrários", disse o responsável.

Na entrevista à Lusa, Luc Eyraud salientou que "a produção petrolífera cresceu acima das expectativas este ano, o que, em conjunto com os preços mais elevados do petróleo, significa menos pressão orçamental, um fortalecimento significativo da balança externa e uma apreciação da taxa de câmbio que motivou um abrandamento da inflação, que ainda assim continua elevada".

O FMI reviu em baixa a previsão de crescimento para a África subsaariana, estimando agora um crescimento de 3,6% e 3,7% neste e no próximo ano, com a inflação a subir para 14,4%.

"Na África subsaariana, a perspetiva de crescimento é ligeiramente pior que a previsão de julho, com um declínio, de 4,7% em 2021, para 3,6% e 3,7% em 2022 e 2023, respetivamente, o que representa revisões em baixa de 0,2 e 0,3 pontos percentuais", lê-se no relatório sobre as Previsões Económicas Mundiais, divulgado esta semana no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial.

Esta revisão em baixa "reflete o crescimento mais baixo dos parceiros comerciais, as condições financeiras e monetárias mais restritivas e uma mudança negativa nos termos do comércio das matérias-primas", acrescentam os economistas do FMI, que estimam um crescimento mundial de 3,2% este ano, menos 0,2 pontos percentuais que a previsão de julho, e um abrandamento para 2,7% em 2023.

Para Angola, as mais recentes previsões apontam para uma expansão de 2,9% para este ano, quando em abril a estimativa apontava para um crescimento de 3%.

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