Domingo, 16 de Mai de 2021
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Segunda, 12 Abril 2021 19:01

PIB de Angola afundou 30% em 2020 para menos de 60 mil milhões USD, pior registo desde 2006

Um cocktail composto pela desvalorização do kwanza em mais de 80% em seis anos e pelas quedas do preço e da produção do petróleo fizeram a economia angolana andar para trás 15 anos. A COVID que agravou a crise no sector petrolífero e contaminou a economia não petrolífera também deu uma preciosa ajuda.

O Produto Interno Bruto (PIB) angolano convertido em dólares à taxa de câmbio do mercado caiu 30% para 59,4 mil milhões USD em 2020 face a 2019, o valor mais baixo em 15 anos, de acordo com cálculos do Mercado com base nos dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

É necessário recuar a 2006 quando a riqueza criada se situou em 48,3 mil milhões USD para encontrar ano pior do que 2020.

O PIB em USD atingiu o pico em 2014 nos 145,7 mil milhões USD. A partir desse ano a riqueza gerada anualmente em Angola começou a cair até atingir os referidos 59,4 mil milhões USD em 2020, um trambolhão de quase 60% face ao pico.

A desvalorização do kwanza é a principal explicação para o trambolhão do PIB em USD. Em 2020, o dólar valeu em média 578,3 Kz, contra 98,3 Kz em 2014, uma desvalorização de quase 83%.

O petróleo que representa mais de 30% da economia angolana também deu uma ajuda. De acordo com dados do FMI, entre 2014 e 2020, o preço do crude em média anual baixou cerca de 60% 100 USD para 39,6 USD. Esta situação foi agravada pela quebra da produção de crude em 13,6% de 1,6 milhões de barris por dia para 1,4 milhões de barris por dia no mesmo período. A baixa simultânea do preço e da produção, fez baixar o valor das exportações de petróleo e consequentemente do PIB.

Se a situação já era má piorou em 2020 com a COVID que penalizou ainda mais o sector petrolífero e contaminou a economia não petrolífera.

Com o PIB de 59,4 mil milhões USD em 2020, Angola recua para a oitava posição no ranking das maiores economias da África Subsariana, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois de ocupar a terceira posição entre 2004 e 2018, o País já havia caído para o quinto lugar em 2019.

Se considerarmos as projecções do FMI inscritas nas Perspetivas Económicas Mundiais, divulgadas esta semana, no arranque das reuniões de Primavera do fundo e do Banco Mundial, em 2021, Angola sobe um lugar, para sétimo, no ranking da África Subsariana, com 66,5 mil milhões USD, por troca com a Tanzânia que recua para a oitava posição, com um produto estimado em 65,9 mil milhões.

Se em vez do PIB absoluto em dólares do mercado usarmos o PIB por habitante em 2020, isto é se dividirmos o PIB de 59,4 mil milhões USD pela população, estimada em 31,4 milhões de indivíduos, o País nem sequer está no Top 10 dos mais ricos do subcontinente no ano passado, ocupando o décimo sexto lugar, com 1888 USD, numa lista comandada pelas Ilhas Seicheles com 12 648 USD.

A culpa da queda de Angola no ranking subsariano é novamente da desvalorização do kwanza na sequência da liberalização da taxa de câmbio. Desde Janeiro de 2018, início da liberalização, a moeda angolana perdeu cerca de 62% do seu valor para o dólar considerando as taxas de câmbio médias anuais implícitas na base de dados do FMI.

Segundo a mesma fonte, a moeda etíope desvalorizou “apenas” 37% e a do Gana 25%. Seguem-se as divisas da África do Sul e da Nigéria e com recuos de 19% e 15%, respectivamente, e do Quénia e Tanzânia, com 8% e 4%, por esta ordem. A única das oito maiores economias que viu a sua moeda ganhar ao dólar no mesmo período foi a Costa do Marfim que valorizou 4%.

Previsões de Primavera

As previsões de Primavera do FMI indicam que a África subsaariana deverá crescer 3,4% este ano e 4% em 2022, o que mostra uma ligeira melhoria face aos 3,2% previstos na atualização de Janeiro e aos 3,1% previstos em Outubro.

Para Angola, a instituição de Washington manteve a previsão de crescimento de 0,4%, feita na quarta avaliação do Acordo de Financiamento Alargado (EFF, na sigla em Inglês), em Janeiro deste ano. Assim, Angola deverá recuperar da recessão de 4% prevista para 2020 e crescer os referidos 0,4% este ano e 2,4% em 2022, sempre abaixo da região.

Já o Governo aponta para uma contracção do PIB de 5,1% em 2020, com uma queda de 8,3% do sector petrolífero e 3,6% do não petrolífero, dados avançados pelo ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos.

Com o afundanço do ano passado, confirmou-se a quinta recessão económica consecutiva e a mais severa desde a independência, muito pior do que o previsto. Quando o orçamento de 2020 (OGE) foi apresentado pela primeira vez, o Governo previa uma saída da recessão com crescimento de 1,5%, com o sector petrolífero avançando 1,9% e o sector não petrolífero 1,9%.

Com a pandemia, o Governo foi forçado a rever o OGE 2020 e também as projecções que passaram a apontar para uma queda de 3,6% do PIB, com o sector petrolífero a cair 7% e o sector não petrolífero a recuar 1,2%.

Para 2021, o Orçamento Geral do Estado prevê uma estagnação da economia. Em 2022, segundo o Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022 revisto o PIB deverá acelerar para 2,4%.

A Nigéria, maior economia da região, vai crescer 2,5% este ano, contra uma recessão de 1,8% de 2020, enquanto a África do Sul, a segunda maior, verá a sua economia a expandir-se 3,1%, vinda de uma recessão de 7% no ano passado.

Todos os outros países da região deverão recuperar este ano do crescimento negativo do ano passado, com destaque para as Ilhas Maurícias, Cabo verde e Seicheles, que passarão de recessões de 15,8%, 14,0% e 13,4%, respetivamente, em 2020, para crescimento de 6,6%, 5,8% e 4,3%, este ano, pela mesma ordem. MERCADO

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