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Quinta, 29 Junho 2023 18:12

Angola deve olhar mais para a exploração petrolífera de fronteira - consultora

Angola deve focar-se mais nas novas oportunidades e na exploração de fronteira para atrair novos investidores no setor da energia, defendeu hoje a diretora-executiva da consultora Energy Capital & Power.

Em declarações à Lusa, Devi Paulsen-Abbott sublinhou que, nos últimos 15 anos, os maiores e mais bem sucedidos projetos na área do petróleo, têm sido as "oportunidades de (exploração) de fronteira".

"O desafio de Angola é que o foco tem sido na exploração e desenvolvimento do já existente", disse a responsável, acrescentando que para atrair novos investidores o país tem de se concentrar em novas áreas, como a bacia do Kwanza, "uma oportunidade de fronteira" que vai atrair mais `players` e novos investidores.

Para a CEO da Energy Capital & Power (ECP), "não basta um ambiente amigo do investidor", mas também estar atento a novas oportunidades e explorações.

Neste âmbito, a colaboração entre países desempenha também um papel de importância crescente, considerou a propósito da assinatura do acordo para a partilha de receitas petrolíferas entre Angola e República Democrática do Congo (RDCongo) que deve acontecer em julho, pondo fim a uma disputa que se arrasta há anos.

"Se estamos comprometidos como continente africano, temos de ser ágeis e agarrar as oportunidades, muitas delas são transfronteiriças", afirmou Paulsen-Abbott, apontando países como a Zâmbia, RDCongo ou Namíbia, com quem Angola partilha fronteiras e tem projetos em comum.

"Se isto for um exemplo de como as disputas podem ser resolvidas, vai ser mais fácil, vai mostrar aos investidores que existe boa diplomacia a nível internacional e vai beneficiar ambas as economias, permitindo que as coisas avancem mais rapidamente", destacou.

"A colaboração é o futuro, nenhum país pode caminhar sozinho", reforçou Devi Paulsen-Abbott.

Sobre a venda de ativos de empresas estrangeiras como a Total ou a Galp e a entrada de `players` angolanos como a Somoil, sublinhou que "é bom que as empresas locais comecem a participar mais no setor".

"Somos vítimas, como continente de muita exploração internacional, não queremos estar numa situação em que os investidores estrangeiros vêm e ficam com todos os ativos e depois saem. Isto não traz benefício para a população local, por isso, dar espaço aos `players` locais é muito importante, não precisamos de ter monopólios ou apenas meia dúzia de empresas a concorrer", comentou.

Este é também um "sinal de um mercado maduro", em que vários `players` atuam no mercado.

Questionada sobre a privatização da Sonangol, considerou que vai ser "muito significativa para o setor", e, por isso, não pode ser um processo que acontece de um dia para o outro, antes deve ser feita uma abordagem cuidadosa.

"Vai ter um grande impacto no setor e em Angola", assinalou, sublinhando que "é preferível uma maratona a um `sprint`", tal como acontece com a transição da Sonangol para uma empresa de energia.

Realçou ainda que os compromissos a longo prazo são particularmente relevantes neste setor e que Angola tem mudado bastante em termos de regulação e ambiente empresarial, defendendo maior envolvimento entre setor público e privado.

Mas, acrescentou, "tem de ser uma colaboração, não pode ser uma imposição, tem de ser bom para todos".

Sobre o impacto da desvalorização do kwanza sublinhou que se vai fazer sentir em todos os setores, e não apenas na indústria petrolífera.

Cautela será uma palavra de ordem, mas é preciso "olhar para as questões mais gerais", para perceber como será o futuro.

"Não podemos olhar para as oportunidades do futuro com os olhos do presente, temos de pensar como vai ser. Sabemos que o resto do mundo não tem as oportunidades em termos de recursos que temos em África, por isso temos de ter uma abordagem de longo prazo", frisou.

A empresa sul-africana dedicada ao investimento no mercado da energia vai promover entre 13 e 14 de setembro, em Luanda, a 4.ª Conferência Oil & Gás, procurando mostrar novas oportunidades de desenvolvimento, as mudanças no setor a nível da transição energética e estratégias de descarbonização, mas também focar-se na igualdade de género, adiantou Devi Paulsen-Abbott.

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Last modified on Quinta, 29 Junho 2023 18:48