A recente extinção da CIMANGOLA-U.E.E., oficializada pelo Decreto Presidencial n.º 152/26, de 20 de agosto de 2026, que revoga o anterior Decreto n.º 23/94, de 3 de junho, que tinha criado a entidade, motiva-me, enquanto cidadão interessado na esfera pública, a oferecer uma reflexão para esclarecer a opinião pública sobre o tema. Esta decisão governamental ultrapassa o simples encerramento de uma empresa estatal, integrando-se num processo de reforma estrutural que busca a privatização de ativos e a redefinição da intervenção do Estado na economia.
“A dignidade não é um luxo: é o primeiro alimento do ser humano.” – Amílcar Cabral. No século XXI, enquanto as grandes nações investem seriamente na indústria militar, na mobilidade dos seus efectivos e na protecção dos seus guardiões, Angola continua a confrontar-se com um cenário que beira o absurdo: militares e polícias a disputar transporte nas paragens de táxi, pendurados na traseira de camiões para chegar às unidades, ou obrigados a fazer pequenos negócios paralelos – mesmo sob risco de punição – apenas para garantir comida na mesa das suas famílias.
Há uma equação que se repete há décadas em praticamente todo o continente africano e que continua a condenar milhões de pessoas à pobreza: África extrai, o Ocidente transforma. Enquanto este modelo se mantiver, dificilmente haverá desenvolvimento real, criação de emprego ou justiça económica para os países africanos.
Abordar a dívida pública angolana é refletir sobre o presente e o futuro do país. Mais do que um número, esta dívida traduz obrigações que transcendem mandatos e impactam gerações. Assim, o essencial não é apenas o montante em causa, mas sim a finalidade do endividamento e a capacidade de gerar riqueza para honrar esses compromissos.