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Terça, 24 Novembro 2015 14:53

Rapper MCK proibido de sair de Angola pelas autoridades do aeroporto de Luanda

O músico angolano MCK foi impedido hoje de embarcar num voo para o Brasil e disse à Lusa que se sente alvo de perseguição política e tenciona apresentar queixa judicial sobre a atuação das autoridades no aeroporto de Luanda.

O rapper angolano MCK preparava-se para embarcar no voo das 10:15 entre Luanda e o Rio de Janeiro, Brasil, onde ia participar no Festival Terra e Vento, que reúne músicos de língua portuguesa.

No aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, os Serviços de Migração e Estrangeiros disseram-lhe que havia um "impedimento por ordens superiores" que não lhe permitia embarcar, sem que tivesse sido comunicada qualquer outra explicação.

"Eu perguntei que ordens superiores eram, se havia uma sustentação jurídico-legal e se havia alguma interdição judicial, mas eles disseram que não. Foi só mesmo ordem superior. `Vamos reter o teu passaporte até o avião partir`", relatou o músico, em contacto telefónico com a agência Lusa a partir de Lisboa.

O rapper MCK, 34 anos, formado em Filosofia, é autor de poemas que contestam o regime angolano e do álbum "É Proibido Ouvir Isto", tendo recentemente atuado em defesa dos ativistas detidos desde junho e que estão a ser julgados em Luanda, acusados do crime de rebelião.

 "Os ativistas cívicos aqui em Angola estão a ser muito perseguidos. Atenção: eu estive a fazer um concerto com o Bonga - que teve muita repercussão a nível da imprensa local - favorável à libertação dos 15+2 e onde todos os recursos angariados foram para as famílias dos que estão detidos há mais de cinco meses. Já tive espetáculos impedidos. Enfim, sou um reincidente relativamente a proibições", acrescentou MCK, que pretende ainda hoje recorrer a um advogado.

"Vou apresentar uma queixa contra a direção dos serviços de migração porque eu ia para um concerto onde há despesas. Há bilhetes e custos de hotel. Vou tentar saber o que posso fazer. Se tenho de apresentar uma queixa ou se os serviços de migração se vão responsabilizar pelo meu embarque", disse ainda MCK.

A Agência Lusa está a tentar contactar o Serviço de Migração e Estrangeiros de Angola sobre o caso, mas até ao momento ainda não foi possível.

Lusa

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