Segunda, 21 de Setembro de 2026
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Segunda, 21 Setembro 2026 12:48

Greve geral dos professores arranca hoje em Angola e mantém escolas vazias

Começou hoje a greve geral dos professores do ensino público em Angola, uma paralisação convocada pelo Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) e agendada até ao dia 15 de Outubro.

Em causa está o incumprimento, por parte do Governo, de um acordo relacionado com o concurso interno para actualização das carreiras dos agentes de educação. A greve avançou depois de falhada a tentativa de anulação por parte do Executivo ao longo do fim-de-semana.

Escolas vazias é o cenário que se apresenta nesta segunda-feira em várias unidades de ensino públicas. Apesar das diligências do Governo nos últimos dias, o sindicato não recuou, ainda que em algumas escolas se tenham visto encarregados de educação a acompanhar os filhos e algumas batas brancas nas ruas de Luanda.

Foi o caso de uma encarregada de educação que foi levar a filha à escola sem saber que a greve arrancava logo hoje. "Eu sabia, vi nas redes sociais, mas contudo tive que vir comprovar mesmo, porque há situações como esta que dizem que vai haver, mas depois recuam", contou, acrescentando ter encontrado a escola fechada, sem ninguém para prestar esclarecimentos, apenas com um aviso a anunciar quase um mês de paralisação. Para a mãe, trata-se de "uma situação caótica", que deixa em aberto o impacto nos atrasos escolares das crianças, "tanto psicológico quanto educacional". À classe política, deixou um apelo: que Governo e sindicato "entrem em acordo que favoreça os dois e, principalmente, as crianças", por serem estas "os mais lesados".

Noutra escola de Luanda, um encarregado de educação admitiu ter-se deixado enganar pela confusão em torno da paralisação. Disse ter contactado previamente a direcção do estabelecimento, que lhe garantiu não haver greve por falta de condições dos professores para a decretar — informação que se veio a revelar incorrecta. Apesar do desencontro, o pai considerou "complicado" o início do ano lectivo marcado pela paralisação e questionou o que sucederá caso o impasse não seja resolvido até 15 de Outubro, data prevista para o fim da primeira fase.

O filho do encarregado de educação, Cefas Felipe António, admitiu ter-se sentido "mal, triste" ao perceber que não haveria aulas no primeiro dia, mas assegurou que "dá para ultrapassar". Já outro estudante ouvido deixou um apelo directo ao Ministério da Educação para que "se resolva essa situação" e as aulas possam ser retomadas o mais cedo possível.

O Ministério da Educação (MED) orientou as direcções de todas as escolas públicas do país a registarem as faltas dos professores aderentes à greve, para efeitos de controlo e processamento salarial. A orientação consta de uma circular enviada aos Gabinetes e Secretarias Provinciais de Educação e às Direcções Municipais de Educação, tendo por base a Lei da Greve, que prevê a suspensão do salário durante o período de paralisação.

A medida surge numa altura em que o ano lectivo 2026/2027, iniciado a 1 de Setembro, decorria já sob ameaça de greve. O MED recorda ter reunido com o SINPROF no dia 9 de Setembro, num quadro que classifica de "diálogo aberto e construtivo", e garante que a maioria dos pontos do Caderno Reivindicativo está a ser cumprida. Segundo o ministério, 11 pontos já foram atendidos, estando as questões relacionadas com as promoções já contempladas com verbas previstas.

Apesar da posição do Ministério, o SINPROF confirmou a greve, cuja primeira fase arrancou às 7h00 desta segunda-feira, 21 de Setembro, e se prolonga até 15 de Outubro. Estão previstas mais três fases de paralisação: de 2 a 18 de Dezembro de 2026, de 10 a 26 de Fevereiro de 2027 e de 17 de Maio a 18 de Junho de 2027.

O sindicato acusa o Executivo de não cumprir o acordo assinado a 8 de Janeiro de 2026, apontando, entre outras questões, o caso de professores alegadamente excluídos do Concurso de Ingresso Interno e de Acesso, bem como problemas ligados à sua inserção no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE).

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