Sábado, 26 de Novembro de 2022
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Quarta, 27 Abril 2022 13:07

Faltam 200 milhões de dólares ao dinheiro “falso” apresentado pelo SIC

 “Importa referir que os indivíduos faziam-se transportar em duas viaturas de alta cilindrada, onde numa destes foi encontrada na carroçaria, 50 sacos de ráfia, contendo no seu interior 25 lotes de usd 200.000, por cada saco, em notas faciais de usd 100, o que totalizou 50 milhões de dólares falsos”.

(Gabinete de comunicação institucional e imprensa da direcção geral do SIC, em Luanda, aos 21 de abril de 2022)

No comunicado do SIC há, pelo menos, dois elementos merecedores de reflexão: a) a omissão da identidade da gráfica em que teriam sido impressos os tais 50 milhões de dólares falsos; b) os números apresentados não resistem a um elementar exercício de aritmética.

Vamos lá:

Se cada saco contem 25 lotes de USD 200.000, 00 (duzentos mil dólares), temos, então, um total de 5.000.000.00 por unidade. Os 5 milhões por saco resultam desta simples operação de multiplicar: 25 x USD 200.000, 00 = USD 5.000.000,00.

E como o comunicado fala em 50 sacos, só temos de multiplicar esse número pelo conteúdo de cada um. Assim, temos 50 x USD 5.000.000,00 = USD 250.000.000,00.

Portanto, a Aritmética ensina que o total do dinheiro apreendido tem de ser de USD 250 milhões.

Do comunicado do SIC extraem-se duas ilações: ou os “operativos” não são dados a contas (o que é totalmente inadmissível numa polícia de investigação) ou, o que é bem pior, alguém deu destino incerto à parte de leão do dinheiro “falso” apreendido. É que faltam 200.000.000.00 (Duzentos milhões) de dólares!

Quase uma semana depois, o silêncio do SIC a respeito desse equívoco, se é que se tratou mesmo de um equívoco, significa, no mínimo, que a instituição já deu por encerrado o assunto.

As autoridades angolanas repetem-se em demonstrações de serem bons intérpretes da máxima segundo a qual o latir dos cães não trava a marcha de uma carruagem.

Traduzido, depois do show off, com que o SIC mostraria algum serviço, o dinheiro já foi parar aos bolsos dos seus “donos” e aos “cães”, que são os contribuintes, só resta mesmo ladrar.

Foi assim com o caso Lussaty. Depois dos “banquetes” servidos pela TPA, em que foram exibidas quantidades enjoativas de dinheiro e bens materiais como carros e casas, pertencentes a um major da Casa Militar da Presidência da República, à opinião pública não mais foi dada qualquer informação sobre o destino dado tanto aos milhões de dólares quanto aos carros e casas de luxo.

Outrossim, os angolanos aguardam, há mais de quatro anos, explicações para o destino dado à enorme quantidade de cocaína apreendida no porto de Luanda.

Falou-se de um barão da droga em Angola, mas a sorte da cocaína nunca foi partilhada com o povoléu.

Os modus operandi e faciend das autoridades sugerem que os 200 milhões de dólares que o SIC não reportou já “passaram no barulho”.

E, como diz o nosso generoso povo, “não lhes vai acontecer nada”.  Correio Angolense

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