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Segunda, 18 Janeiro 2021 10:24

Jovem dado como morto e enterrado voltou a casa

Um jovem, de 18 anos, que foi dado como morto e enterrado, mexeu, no último fim-de-semana, com a província de Malanje, depois do seu reaparecimento em casa da mãe um mês após o funeral.

De acordo com a Rádio Nacional de Angola (RNA), trata-se de Manuel Machado, que foi confundido com o cadáver de um outro jovem, supostamente morto por espancamento no dia 11 de Dezembro. Nandinho, como é carinhosamente tratado, despediu-se da mãe, com quem vive, no dia 15 de Novembro, para ir ao município de Cangandala, 28 quilómetros a sul de Malanje, à procura de emprego numa fazenda local.

"Eu tinha ido a Cangandala e a senhora que me atendeu disse que por eu não me ter despedido convenientemente da família tinha de regressar para o fazer e só depois disso voltar à fazenda. Fiz isso no dia 14 de Novembro. Conversei com a mãe num sábado. Deu-me autorização e despedi-me dela no dia 15, domingo”, explicou o jovem à RNA.
Nandinho conta que passados dois meses a trabalhar na fazenda em Cangandala voltou a conversar com a patroa, manifestando o desejo de visitar a família na cidade de Malanje, pedido foi aceite.

"Viemos juntos e ela deixou-me ficar na praça municipal, de onde segui até a casa. Quando lá cheguei não encontrei a mãe. Só a minha tia e os meus primos. Assim que me viram admiraram-se, questionando-me como é que eu estava ali”, contou. O jovem, perplexo, questionou os parentes sobre o motivo da admiração, porque "vocês sabem onde eu fui”. Os parentes continuavam incrédulos, voltando a retorquir "como é que estás aqui se te enterrámos e fomos ao teu óbito, porque te mataram?”.

A mãe explica-se

Rosa Junqueira, mãe de Nandinho, explicou ter tomado conhecimento da morte do filho por um jovem, que jurou de pés juntos que o corpo encontrado na morgue era de facto o do seu filho.

"No dia 12 de Dezembro escutámos na pracinha que mataram lá um moço muito bonito. Diziam que era filho de uma conhecida. O meu coração ficou sobressaltado, pensei logo nele. Disse, dentro de mim, que esse miúdo que gosta de fazer biscate, não será ele mesmo? Então fui até à vala ter com os seus amigos e perguntei por ele. Disseram que nunca mais o tinham visto”, explicou Rosa Junqueira.

Não satisfeita com a resposta, Rosa Junqueira acedeu ao quarto e encontrou a roupa dele queimada. Depois disso foi à morgue, onde um moço disse que o corpo que estava lá tem um outro nome e não era Fernando.
Conta que foi orientada a ir para casa ou ao Serviço de Investigação Criminal (SIC). Às 8 horas do dia seguinte, na companhia de uma filha e uma amiga, dirigiram-se à morgue do Hospital Regional, onde encontraram um cadáver com as características físicas que se assemelhavam ao de Nandinho.

Madalena António, irmã de Nandinho, explicou que "o rosto do morto estava inflamado e tinha mesmo a aparência dele”. Por se tratar de uma morte criminosa, a família fez uma participação ao Serviço de Investigação Criminal que, para esclarecer o caso, deteve dois amigos do suposto falecido.

"De facto é um caso que requer muita atenção, no sentido de se poder rever o processo-crime em função dessa nova situação. O assunto está sob a alçada da Procuradoria Geral da República (PGR), que legalizou a prisão dos dois jovens, que a priori são inocentes, mas continuam detidos em prisão preventiva”, afirmou o porta-voz do SIC em Malanje, superintendente Lindo Ngola.

Para o jurista Simão Rangel, o SIC prendeu para investigar, quando devia ser o contrário. No seu entender, o facto do suposto falecido ter reapareci-do é porque não houve fortes indícios dos detidos terem cometido o alegado crime.

"Como o corpo já estava deteriorado, era necessário a intervenção de um médico legista, para se saber as causas da morte e pedir um exame com familiares para provar que o ADN coincide com o da pessoa morta”, acrescentou. JA

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