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Segunda, 13 Junho 2022 14:17

Marcolino Moco considera inútil a polêmica de que seu nome consta na lista de deputados da UNITA

O antigo primeiro-ministro angolano, Marcolino Moco, observou que uma especulação tornada pública pelo veterano jornalista e analista político, Ilídio Manuel, em como Moco apareceria integrado na lista de candidatos a deputados da UNITA, está a deslindou toda uma mitologia que este antigo dirigente do MPLA deveria deixar correr para se divertir.

O jornalista Ilidio Manuel, constatou Angola24Horas, disse no passado sábado 11 de Junho, constar que Marcolino Moco, um dos "históricos" do MPLA e um ex-PM no Governo de JES, será uma das novidades das listas de deputados à Assembleia Nacional pela UNITA.

"Pelo que julgo saber, o também ex-secretário executivo da CPLP irá concorrer de forma independente pela lista do Galo Negro (GN). Não se tem notícia de que tenha renunciado ao MPLA", referiu Ilídio Manuel.

O analista político adiantou que algumas vozes no seio do referido partido, não só veem em Marcolino Moco um "infiltrado" que veio roubar lugar aos quadros veteranos à corrida ao Parlamento, como também alguém que anda à procura de acomodação política e material.

Ressaltou por outra que, quem tem acompanhado o percurso deste político poderá questionar-se como foi possível este "casamento" tendo em conta que Moco foi no passado um dos maiores críticos de Jonas Malheiro Savimbi, pelo que a sua "aproximação" à UNITA não está a ser bem acolhida entre alguns elementos dessa formação política.

Com a morte do seu líder fundador, acrescentou, a UNITA, agora sob liderança de ACJ, é, indiscutivelmente, diferente do Galo Negro que apostava na guerra para a tomada do poder.

À conta das suas críticas à gestão do actual Presidenteda República, conta Ilídio Manuel que Marcolino Moco foi compulsivamente "empurrado" da SONANGOL, onde foi um dos administradores Não executivos que beneficiava de um salário galáctico e recebia uma série de mordomias.

"Fosse ele vergado aos bens materiais teria feito rupturas com JLo ou estaria comodamente instalado a beneficiar das benesses que o cargo lhe proporcionava? Será MM um homem de convicções que não se verga aos bens materiais e aos cargos?", questionou o jornalista e analista político.

Em nota de esclarecimento neste domingo, 12 de Junho, Marcolino Moco diz então que é delicioso ler aquelas diatribes, como a de quem lhe descobriu primeiro-ministro em 1975, todo chateado da vida, porque fora exonerado, quando queria substituir (Agostinho Neto ou dos Santos?) o então PR.

"Faz-me lembrar um jovem (mpliano) fanático de Luanda, bem diplomado, que em 2018, me ralhava, todo irritado, questionando sobre o porque eu tinha deixado Savimbi tomar conta do Huambo, em 74 e 75. Ignorava – como muitos ignoram, ainda hoje, que o pico do Luvili não é o Monte Moco – que nessa altura eu era um desconhecido aderente do MPLA, com vinte anos de idade, no que hoje é o município do Cuma, que formalmente, era ainda o (distrito) do Huambo, na ainda (província) portuguesa de Angola. Fossem os gigantes Neto, Holden e Savimbi saberem da minha existência! Era como, com as devidas proporções, pôr hoje o menino ou a menina de 18 anos do CC do MPLA a “combater” o Adalberto da UNITA, em Luanda", conforme Marcolino Moco.

Entretanto, esclareceu que não aparecerá em nenhuma lista, para mais estas eleições parlamentares/presidenciais ou presidenciais/parlamentais. "Estarei é – e já estou – muito atento, às atitudes dos candidatos, especialmente, à PR, que me garantam que não teremos mais um país de exclusão, o que acontece desde 1975".

"Não me sensibilizo com os que amarrando-me ao passado, dizem que eu também participei no sistema. É que o sistema constitucionalizado de exclusão já terminou em 1991/92", observou igualmente.

Desde lá, sublinhou, ninguém de bom senso me pode colar a um passado já enterrado. E assim acaba uma polêmica que até parecia muito divertida, mas inútil. Para quem precisa de despender energias em coisas mais úteis.

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