Domingo, 20 de Junho de 2021
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Quinta, 18 Fevereiro 2021 09:25

Pangea-Risk: "Fontes no Departamento de Justiça ajudaram a revelar investigação"

Pangea-Risk garante que fontes nos departamentos de Justiça e do Tesouro dos EUA contribuíram para o seu relatório. Após publicar a alegada investigação a João Lourenço, consultora diz ser alvo de ciberataques.

A Pangea-Risk sabia que o seu último relatório seria polémico e atrairia imensa atenção, mas não poderia imaginar que o texto seria vazado dias antes da data prevista para a sua publicação. Segundo o diretor-executivo da consultora, as informações estavam sob embargo para publicação até esta quinta-feira (18.02), mas os detalhes acabaram por ser divulgados no início da semana.

Em entrevista exclusiva à DW África, o diretor-executivo da empresa de avaliação de risco, Robert Besseling, conta detalhes sobre como a sua equipa levantou as informações sobre o que afirma ser "uma investigação das autoridades americanas sobre os negócios do Presidente João Lourenço, de familiares próximos e de seus sócios".

Besseling responde às alegações de que a empresária Isabel dos Santos estaria por trás do relatório e comenta os motivos do aquecimento da relação entre Angola e Estados Unidos nos últimos anos. Para o analista, a evolução desta relação teria reduzido "a tração da investigação ao Presidente de Angola, que deverá ser retomada com força no Governo de Joe Biden”.

O fundador da Pangea-Risk revela também que ataques cibernéticos à empresa se intensificaram a partir do momento em que o relatório foi divulgado. Besseling garante que sua equipe identificou que a maioria dessas investidas partiram de Angola.

DW África: Como a sua equipa levantou as informações do relatório?

Robert Besseling (RB): O aspeto mais importante do nosso relatório é que as evidências da investigação já são de domínio público. Se você observar as provas, notará que estão relacionados ao contrato de aquisição da Simportex EP, ao acordo de delação premiada da Odebrecht na corte de Nova Iorque... E várias outras partes dessa investigação também são de domínio público, inclusive depoimentos arquivados para o cumprimento da lei de registo de agentes estrangeiros [Foreign Agents Registration Act - FARA] nos Estados Unidos. Nós, como Pangea-Risk, temos a informação de que as autoridades americanas estão neste momento a procurar saber até que ponto a legislação dos Estados Unidos se aplica a estas evidências. Porque se trata de moeda e bancos americanos e de empresas e bens imobiliários nos EUA. Então, as provas são de domínio público e estão disponíveis, a investigação está ativa e em andamento e, neste momento, tenta identificar em qual extensão os Estados Unidos podem reivindicar a aplicação da sua jurisdição nesses alegados casos de violação das leis e regulações americanas.

DW África: Como sabe sobre os movimentos dessas investigações nos Estados Unidos?

RB: Em meados de 2020, nós fomos informados por algumas fontes que esta investigação já estava em andamento há alguns meses. Especificamente, esta investigação começou antes do lockdown nos Estados Unidos, no início de 2020. Inicialmente nós decidimos não revelar o que descobrimos, simplesmente porque nós não somos um grupo jornalístico. A Pangea-Risk é uma empresa de análises de risco que informa seus clientes. Naquele momento, nós não achamos que isso não teria qualquer implicação imediata aos nossos clientes. Nós passamos a informar sobre isso no início de 2021, em fevereiro. Desde então, os nossos relatórios não foram distribuídos para além dos nossos clientes.

DW África: As suas fontes são de quais setores?

RB: Primeiramente, são fontes ligadas ao Departamento de Justiça dos EUA e Departamento do Tesouro dos EUA. Além disso, nossas fontes estão relacionadas com empresas de comunicação americanas que estão debruçadas sobre a mesma matéria e ainda não a publicaram por estarem a esperar por confirmações. Eu sei que as evidências que já estão em domínio público estão sendo analisadas pelas autoridades americanas e é bem possível que mais provas estejam sendo investigadas, mas não consigo quantificar isso. DW África

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