Em causa está um processo que envolve quatro arguidos — dois cidadãos russos e dois angolanos — todos em prisão preventiva, acusados pelas autoridades angolanas de crimes de terrorismo.
A sessão ficou marcada pela fase de questões prévias, etapa que antecede a produção de prova e na qual os advogados apresentam ao tribunal matérias que consideram essenciais para o andamento do julgamento.
Durante esta fase, as defesas contestaram a duração da prisão preventiva, classificando-a como excessiva, e formalizaram o pedido para inclusão de várias figuras políticas e associativas no rol de testemunhas.
Além de Adalberto da Costa Júnior, foram igualmente indicados os dirigentes da UNITA Paulo Lukamba e Nelito Ekuiki. Do lado do MPLA, constam Higino Carneiro e Julião Mateus Paulo.
A lista de testemunhas inclui ainda António Venâncio, Rodrigo Catemba e Francisco Paciente, ligados à Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA).
Durante a audiência, o advogado David Guz denunciou ainda alegados maus-tratos ao arguido Francisco Oliveira, afirmando que este terá sido vítima de abusos por parte de um agente do Serviço Penitenciário. O jurista representa também o jornalista Amor Carlos Tomé.
A sessão contou igualmente com a presença de um representante da Embaixada da Rússia em Angola, que acompanhou os trabalhos no tribunal.
Face ao elevado número de questões apresentadas, o Ministério Público solicitou o adiamento da audiência para análise das matérias levantadas. O tribunal deferiu o pedido, suspendendo o julgamento, que deverá ser retomado no próximo dia 14 de abril.
Os arguidos respondem por um conjunto de crimes, entre os quais espionagem, terrorismo, financiamento ao terrorismo, associação criminosa, corrupção ativa, tráfico de influência, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira e burla.

