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Segunda, 02 Junho 2014 00:12

“Big Brother não é da nossa angola” e não me representa!

Luanda - Não será muito, pedir aos que estão a acorrentar Angola na imoralidade, na safadeza, no exibicionismo, no álcool e na deturpação da nossa cultura, que nos devolvam a nossa Angola, mesmo do jeito que está!

Não será tanto, exigir que o nosso dinheiro, o dinheiro do povo Angolano, não seja gasto nas “sem vergonhice” do Big Brother Angola, tudo para desviar a atenção da juventude sobre os verdadeiros problemas sociais que vivemos e temos enfrentado. Não será demais, cobrar que respeitem o nosso povo, os nossos mais velhos e as nossas crianças que muitas delas ainda passam fome e nem vão à escola, enquanto o dinheiro é gasto para promover o desrespeito social e deturpar a nossa verdadeira identidade cultural.

A cada dia, fico mais surpreendido com Angola, pintada pelo Big Brother Angola, como dizia o meu falecido pai “Uma Angola para Inglês ver”. Cheia de fantasias, exactamente igual a “never land”pintada pelo falecido astro do pop, Michael Jackson. Uma Angola cheia de palavrões, nudismo, tabagismo e de pessoas com mentes vazias, sem jovens intelectuais, sem jovens que pensam, sem jovens com uma palavra a dizer, sem jovens com talentos que engrandecem à Angola real. Que angola é essa?

Uma angola de festas e curtições, aculturada, sem visão e sem rumo próprio que tudo está a sair bem, como dizem os Mwangolês, uma Angola sem “Makas”. Uma Angola dos kwatas e Sembas em que tudo é aceitável. É essa  Angola pintada todos os dias pelo BBA.

Essa Angola, futurista em que ninguém se preocupa ou se preocupará com os problemas sociais, em que todos serão vigiados por cameras, pelo irmão Mais Velho ou “Big Brother” e que ninguém fará algo pela sua própria vontade sob o risco de ser punido, eu não faço parte dela.

Uma Angola futurista que viverá de coisas fúteis, em que ninguém falará do futuro do país, numa perspetiva mais aprofundada, onde  ninguém falará de política (xê,menino não fala politica!), religião ou ciência, senão de festas e mais festas, nudez e homossexualismo, lesbianismo, exibicionismo, arrogância e prepotência, como temos visto neste tal de Big Brother.

Para os mais desatentos temos como prato de entrada neste BBA 1, uma lésbica, que não disfarça, obviamente colocada de forma propositada, pois na nossa sociedade é ainda mais fácil aceitar uma mulher lésbica do que um homossexual, que caso lhe seja dada a oportunidade que deseja, quem sabe seremos servidos bem na nossa cara e dos nossos kanukos, um beijo lésbico, entre duas mulheres? Só para ver a reacção de um povo que já aprendeu aceitar todo o lixo que vem de fora!

Caso o prato de entrada seja saboreado com sucesso, provavelmente no próximo BBA, estará repleto de Titicas e companhias limitadas, uma afronta a cultura Bantu, onde não existe homossexualismo. Mas é essa Angola que eles querem, uma Angola que só os patos aparecerem na área e os incomodados que se retirem. Que Angola é essa?

Uma Angola sem valores morais, culturais e cívicos, que apesar de ser o segundo país com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo, segundo a UNICEF, esbanja dinheiro na propagação da imoralidade.

É lamentável que os governantes estão a deixar que esse bando de mal-educados e sem cultura, destruam de forma propositada a nossa matrix cultural, introduzindo muitos hábitos ocidentais que nada tem haver connosco. Pior é, que nem mais respeitar o sacrifício dos nossos antepassados querem. Foi com muito sacrifício que os nossos antepassados construíram o nosso mosaico cultural, a nossa raça, a nossa identidade, meus senhores e cabe a cada cidadão nacional respeitar e reconhecer, tal sacrifício!

Esse Big Brother, não é da nossa Angola e não me representa! Talvez nem aos kotas da minha banda que ao verem essa sem vergonhice, sentem saudades do seu tempo do colono em que tudo era mais discreto, muito mais respeitoso e muito menos exposto.

Talvez também, não seja Angola do Presidente da República que vezes sem conta, nos seus discursos fala do resgate dos valores morais e cívicos, mas que infelizmente as suas palavras ganham asas nos ouvidos de quem promove as safadezas em Angola e voam para bem longe deles e por isso não são colocadas em prática e ele, nada mas faz senão discursar!

Senhor Presidente da República, como vamos resgatar os valores éticos, morais e cívicos, com essa pouca vergonha do Big Brother, Windecks e etc? Um povo sem cultura é um povo com a identidade estragada! E o que vemos nestes programas é exactamente isso, uma Angola sem cultura, sem valor e sem respeito de si mesma.

Objectivo do “Big Brother”

Eu me recuso a viver na Angola do “Big Brother”, sendo vigiado 24 horas por dia por aqueles que detêm o poder, ou não sabem que o Big Brother foi desenhado para nos ensinar que um dia seremos vigiados?

Lembramos que nos dias actuais, cada cidadão preso na tela, para assistir o “Reallity Show” não vive em seu limite, mas no do "Big Brother", mais conhecido como "Grande Irmão".

Minha referência não é ao programa exibido diariamente na TV, mas à personificação literária de um poder cínico e cruel, presente no livro "1984", de George Orwell (1903-1950).

Infelizmente poucos se interessam pela história e pior é que os espectadores têm uma ideia distorcida do sentido real da expressão "Big Brother". A confusão estabeleceu-se por conta de nomearem os participantes do reallity show com tal alcunha. O "Grande Irmão", na verdade, é o reflexo de uma sociedade que vive no limite, porque a superação já virou motivo de uma guerra silenciosa.

Orwell, morto há exatos 60 anos, compôs seu último romance utilizando a engrenagem totalitária de uma civilização dominada pelo Estado. Sobrevive-se no coletivo, porém vive-se na atmosfera do unitário, na qual os excessos --absurdos, mas possíveis-- de poder são incontestados, seja no mundo imaginado pelo escritor britânico, seja até na "casa mais espiada do país".

Nesta obra publicada em 1949, Orwell faz uma previsão pessimista de como seria o mundo no então longínquo ano de 1984. Nesta sociedade sombria do futuro, os cidadãos eram vigiados 24h por dia por um aparelho chamado telescreen (tele-tela, na tradução em português) que não podia ser desligado. Você já está percebendo o porquê do título do programa, não é? Essas engenhocas tinham a capacidade de transmitir propaganda política sem parar e, como uma câmera, observar tudo o que acontecia na vida das pessoas. Está percebendo mais alguma semelhança?

Nem Winston Smith, herói do livro, escapa à vigilância do "Grande Irmão". Ele é membro do partido externo e funcionário do "Ministério da Verdade" --metáfora do escritor com relação ao poder que se fazia onisciente e onipresente entre os cidadãos do mundo que criou.

Winston questiona a opressão que o chamado "Partido" exercia sobre os cidadãos. O "Partido" era um sistema totalitário, que controlava ideologicamente os cidadãos. Se alguém pensasse diferente, seria capturado pela "Polícia do Pensamento", acabaria vaporizado pelo "Grande Irmão" e desapareceria.

Orwell, que se inspirou nos regimes totalitários das décadas de 1930 e 1940, utiliza charadas e correlações nos nomes das instituições em seu romance para simbolizar justamente o oposto --o que não representavam. Assim, verdade em ministério era impossível, pensamento era aprisionado pela polícia, e o "Irmão" era um ser unitário, que não agia no coletivo, mas conforme seus interesses.

A intenção do escritor era descrever um futuro baseado nos absurdos do presente. Orwell chega a criar a "Novafala" ("Newspeak"), idioma oficial no megabloco da Oceânia (Américas, Inglaterra, sul da África e Austrália) de seu livro. Segundo ele, o mundo estava dividido em três grandes blocos --Oceânia, Lestásia e Eurásia.

A obra foi escrita em 1948 e o seu título foi invertido para 1984 por pressão dos editores. O exemplar foi publicado somente em 1949, meses antes da morte do autor. Leia abaixo um trecho extraído da primeira parte do livro. Nele, evidencia-se por que "o Grande Irmão está de olho em você" e em todos nós e eles não me representam!

Por Noe Francisco Dias Mateus

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