Domingo, 15 de Fevereiro de 2026
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Domingo, 15 Fevereiro 2026 12:53

Qualidade de alimentos vendidos nas praças de Luanda representa risco de morte

Os mercados informais, conhecidos popularmente como “praças”, desempenham um papel fundamental na vida econômica e social de Angola. Eles garantem o acesso a alimentos a preços acessíveis e sustentam milhares de famílias que dependem do comércio diário para sobreviver. No entanto, apesar da sua importância para a segurança alimentar e geração de renda, a qualidade dos alimentos vendidos nesses espaços tem levantado sérias preocupações de saúde pública, especialmente em Luanda.

Diversos estudos sobre segurança alimentar, bem como relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que alimentos comercializados em ambientes informais podem apresentar riscos significativos de contaminação quando manipulados e armazenados em condições inadequadas. A capital angolana, devido à sua alta densidade populacional e às limitações estruturais, enfrenta uma das maiores cargas per capita de doenças de origem alimentar no país.

Entre os principais riscos identificados estão a presença de microrganismos patogênicos, como Escherichia coli (E. coli), Salmonella e Staphylococcus aureus, frequentemente encontrados em carnes, peixes e vegetais frescos vendidos em barracas ao ar livre, sobre o lixo ou ao lado de lixeiras. A contaminação pode ocorrer em diferentes etapas: no transporte, na manipulação, no armazenamento ou na exposição prolongada ao calor, sem refrigeração adequada.

Grande parte das praças funciona sem infraestrutura básica. A ausência de água potável, sistemas de saneamento, câmaras frigoríficas e gestão eficiente de resíduos cria um ambiente propício para a proliferação de bactérias e outros agentes contaminantes. Em muitos casos, os alimentos são expostos próximos a lixo acumulado, esgotos a céu aberto e pragas, como moscas e roedores, aumentando significativamente o risco de contaminação cruzada.

Outro fator preocupante é a falta de formação adequada em higiene alimentar para muitos vendedores. A inexistência de instalações para lavagem das mãos e utensílios, aliada à manipulação simultânea de dinheiro e alimentos, contribui para a disseminação de patógenos. Esses fatores combinados elevam o risco de surtos de doenças gastrointestinais.

As consequências para a saúde pública são graves. Milhões de casos de diarreia, infeções intestinais e intoxicações alimentares são registrados anualmente em Angola. Em situações mais severas, essas doenças podem levar à desidratação extrema, complicações sistêmicas e até à morte, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Entretanto, é essencial analisar essa realidade com equilíbrio. Os mercados informais não são apenas locais de risco — eles são também pilares da segurança alimentar urbana. Para muitas famílias de baixa renda, são a única fonte acessível de alimentos frescos e a principal oportunidade de geração de renda. A problemática da contaminação não deve ser atribuída exclusivamente aos vendedores, mas compreendida como reflexo de desafios estruturais mais amplos, como pobreza, urbanização acelerada, falta de infraestrutura pública e fiscalização insuficiente.

Portanto, enfrentar o problema exige uma abordagem integrada. Investimentos em infraestrutura sanitária, fornecimento de água potável, programas de capacitação em boas práticas de higiene e regulamentação eficaz podem reduzir drasticamente os riscos sem comprometer a importância social e econômica das praças. A melhoria das condições não apenas protegerá a saúde pública, mas também fortalecerá a confiança da população nesses espaços vitais.

Garantir alimentos seguros nas praças de Luanda não é apenas uma questão de fiscalização, mas de políticas públicas inclusivas que promovam dignidade, saúde e desenvolvimento sustentável para todos.

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Last modified on Domingo, 15 Fevereiro 2026 16:36