Segunda, 20 de Abril de 2026
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Segunda, 20 Abril 2026 20:56

Papa Leão XIV apela à reconciliação e desafia Igreja angolana a manter denúncia das injustiças

O Papa Leão XIV apelou, esta segunda-feira, à promoção da reconciliação e da paz em Angola, durante um encontro com bispos, sacerdotes, consagrados e agentes pastorais, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no município do Rangel, em Luanda.

Na sua intervenção, o Santo Padre sublinhou o papel central da Igreja Católica na construção de uma sociedade mais unida, assente no perdão, na concórdia e numa memória reconciliada.

O Sumo Pontífice sublinhou que, “50 anos depois da independência do país”, Angola continua a enfrentar desafios que exigem unidade, responsabilidade colectiva e compromisso com o bem comum. Neste contexto, afirmou de forma clara que “todos os angolanos têm o direito de construir este país”, defendendo uma participação inclusiva e equitativa na vida nacional.

Ao mesmo tempo, encorajou o clero a não abdicar da denúncia das injustiças, defendendo que esta deve ser acompanhada por propostas inspiradas na caridade cristã.

O Papa destacou a coragem dos agentes pastorais ao longo dos períodos de conflito, enaltecendo o seu contributo no apoio às populações afectadas e na procura de soluções para o fim da guerra. “O vosso contributo é comummente reconhecido e apreciado, mas esse trabalho não acabou. Promovei, pois, uma memória reconciliável, educando todos para a concórdia”, afirmou, lembrando o testemunho daqueles que, mesmo após sofrimento, optaram pelo perdão.

Recorrendo a uma citação de Paulo VI, Leão XIV reiterou que “o desenvolvimento é o novo nome da paz”, exortando a Igreja em Angola a continuar a desempenhar um papel activo no progresso do país, sobretudo nas áreas da educação e da saúde. Sublinhou ainda a importância de perseverar, mesmo diante de dificuldades, evocando o exemplo de missionários que deram a vida pelo povo angolano e pelos valores do Evangelho.

Dirigindo-se directamente aos prelados, o Papa agradeceu o empenho demonstrado ao longo dos anos: “Obrigado por continuardes com perseverança a construir o progresso desta nação sobre o sólido alicerce da reconciliação e da paz. O futuro de Angola vos pertence, mas vós pertenceis a Cristo”.

O líder da Igreja Católica insistiu também na necessidade de reforçar a formação religiosa, destacando o acompanhamento próximo dos formadores e o estudo sério como instrumentos essenciais para esclarecer os fiéis e evitar práticas como a superstição.

À chegada à Paróquia de Fátima, o Papa foi recebido pelo presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Manuel Imbamba. Antes do encontro, e à semelhança dos dias anteriores, cumprimentou fiéis junto à Nunciatura Apostólica, tendo abençoado nove bebés e uma criança doente.

O percurso até ao local do encontro ficou marcado por uma forte mobilização popular, com milhares de cidadãos a alinharem-se ao longo das ruas para saudar o Sumo Pontífice, que seguia numa viatura protocolar.

Leão XIV deverá deixar Luanda na manhã de terça-feira, com destino a Malabo, na Guiné Equatorial, onde encerra a sua visita pastoral ao continente africano, que já passou pela Argélia e pelos Camarões.

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