Este processo, descrito há várias décadas, consiste na expulsão de líquido no momento do clímax. Em situações em que essa libertação é mais expressiva, é comum recorrer-se ao termo popular “squirt” para descrever o fenómeno.
Apesar de a maioria das mulheres poder experienciar algum grau de ejaculação durante o orgasmo, os casos em que a quantidade de líquido é mais abundante são menos frequentes. Em muitos casos, esta capacidade só é identificada numa fase mais tardia da vida, à medida que aumenta o conhecimento sobre o próprio corpo.
Especialistas indicam que se trata de uma resposta fisiológica que varia de pessoa para pessoa. Factores como a estimulação, as práticas sexuais e o nível de autoconhecimento corporal podem influenciar a forma como essa resposta se manifesta.
O que é a ejaculação feminina afinal?
Durante o orgasmo, a mulher pode libertar uma pequena quantidade de fluido, num fenómeno frequentemente comparado à ejaculação masculina. Este líquido resulta, em parte, das secreções das glândulas parauretrais — também conhecidas como glândulas de Skene — sendo expelido através de orifícios localizados junto ao meato uretral, podendo igualmente envolver componentes provenientes da bexiga.
Importa distinguir este fluido de outras secreções produzidas na região genital feminina, como as das glândulas de Bartholin. Em situações de elevada excitação, o organismo pode reagir de forma reflexa, levando à expulsão desse líquido no momento do clímax.
Paralelamente, pode ocorrer a libertação de fluido com origem na bexiga, o que, em alguns casos, resulta em volumes mais significativos, podendo atingir várias centenas de mililitros. Ainda assim, a comunidade científica mantém algum debate quanto à origem exacta deste fenómeno, admitindo-se que possa envolver as glândulas parauretrais, a bexiga ou uma combinação de ambas. Em determinadas situações, foi inclusivamente identificado conteúdo urinário nesse fluido.
Apesar de muitas mulheres relatarem a sensação de urinar durante este processo, especialistas sublinham que não se trata, necessariamente, de um quadro de incontinência urinária, mas sim de uma resposta fisiológica associada à excitação sexual.
Como é a ejaculação feminina: o que os estudos apontam
A ejaculação feminina, proveniente de várias secreções diferentes (das glândulas parauretrais e/ou da bexiga), continua a ser tema de muitos debates.
Entretanto, alguns especialistas garantem que essa ejaculação tem características em comum com o sêmen, porém sem espermatozoides. Outros mencionam o papel das diferentes glândulas parauretrais: das glândulas de Skene, muitas vezes chamadas de próstata feminina. Elas ficam espalhadas entre a vagina e a uretra.
Por fim, houve pesquisadores que tentaram distinguir a secreção das glândulas de Skene da secreção da bexiga. Eles conduziram a experiência em diferentes mulheres que ejaculavam em grandes quantidades. Com a ajuda de um cateter conectado da uretra à bexiga, observaram no momento do orgasmo que a maior parte do líquido provinha da bexiga.
As glândulas parauretrais, portanto, secretam apenas uma quantidade ínfima.
Ejaculação feminina: quantidade, frequência e função dos músculos pélvicos
Ao que tudo sugere, 75% das mulheres expulsam um pouco de líquido durante o orgasmo, embora essa quantidade seja muito pequena e passe despercebida na maioria das vezes. Estudos evidenciaram o papel das glândulas parauretrais na composição da lubrificação vaginal – novamente, em pequenas quantidades.
Para algumas mulheres, essa ejaculação passa despercebida, enquanto para outras, a ejaculação pode vir esguichada, em jato, podendo atingir a capacidade média de uma bexiga. Esse fenômeno pode ocorrer até mesmo várias vezes durante a mesma relação.
Para uma mulher que descobre pela primeira vez essa sensação ou que não a antecipa, ela pode achar que está com uma vontade repentina de urinar. Mas o “squirt” não precisa vir em um jato forte, ele pode apresentar um fluxo mais lento.
Por essas diferentes razões, muitas mulheres podem sentir um grande desconforto, enquanto a maioria descreve um prazer a mais no momento.
Os músculos pélvicos
Toda a região do períneo é muito importante durante a relação sexual: para se ter mais prazer ou a fim de controlar melhor a ejaculação.
Graças aos exercícios de Kegel, é possível aprender a relaxar, a reconhecer a anatomia do próprio corpo e suas sensações. Na teoria, praticamente toda mulher pode vir a ejacular e pode controlar a ejaculação.
Conclusão
Muitas mulheres podem inconscientemente controlar a ejaculação por medo de que ela ocorra ou venha em grandes quantidades. Mas é um fenômeno natural!
Em primeiro lugar, não se deve buscar a todo custo que essa ejaculação ocorra; em segundo lugar, se ela ocorrer em abundância, não se assuste!
Na maior parte dos casos, essa ejaculação passa despercebida. Agora, se você se preocupa com a reação do(a) parceiro(a), às vezes é importante avisá-lo(a), só para prevenir!

