Terça, 31 de Março de 2020
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Sábado, 11 Janeiro 2020 17:56

Falaceu tenente-general Tonta Afonso Castro

O tenente-general Tonta Afonso Castro faleceu hoje, em Luanda, aos 77 anos, vítima de doença, informou a família em comunicado.

Natural de Mbanza Kongo, onde nasceu a 2 Abril de 1943, Afonso Tonta Castro foi distinguido em 2005, pelo então Presidente da República, com a Ordem de Mérito Militar do Primeiro Grau.

No mesmo ano, foi condecorado, também pelo Presidente da República, com a Ordem dos Combatentes da Liberdade do Primeiro Grau.

Antigo comandante do extinto ELNA (antigo braço armado da FNLA ao tempo da guerrilha), Tonta Afonso Castro juntou-se às forças do Governo, em 1983, com mais 1.800 militares e trinta mil civis.

Foi integrado nas extintas FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola) com a patente de major. Foi comandante da Região Militar no Huambo, tendo cumprido várias missões.

Ocupou ainda os cargos de segundo-comandante da Frente Norte, de 1990 a 1991, comandante da tropa da Frente Norte (1991 a 1993), director dos SVC Missão Militar Angolana na República Democrática do Congo, de 1993 a 2000.

Oficial de Legião do Estado-Maior General (EMG) com chefes das Missões Militares Angolanas na República Democrática do Congo e República do Congo-Brazzaville no ano 2000.

Conselheiro do ministro da Defesa Nacional de 2005 a 2009, conselheiro do chefe do Estado-Maior-General desde 2009 e em 2014, por ordem do Comandante-Chefe, passou à reforma por limite de idade.

Numa entrevista ao Jornal de Angola, em 2017, Tonta Afonso Castro reconheceu que Angola estava a mudar, mas apontou pequenas coisas que deviam ser feitas. "Um exemplo simples é que Luanda está cercada de rios e não tem água. Sabe porquê? Porque o general vende água, o ministro vende água. Se esses vendem água, o povo não pode ter água. Se um general desvia a canalização ninguém vai lá dizer que isso não está correcto. Há certos negócios que os dirigentes não devem fazer. Outra coisa, antes não haviam tantos libaneses e outros árabes em Angola. Agora estamos cheios deles. Esses homens, quando entram num país, o Banco Nacional torna-se num mercado. Vi isso no Congo, no tempo de Mobutu, quando entraram um monte de árabes. O Banco Nacional do Congo tornou-se numa praça onde se trocavam dólares com francos congoleses. Agora aqui faz-se a mesma coisa".

Como solução, o tenente-general apontava a necessidade do controlo da imigração. "Antes tínhamos fábricas de pneus. Quem rebentou com isso? Hoje é o árabe que nos envia pneus. Tínhamos fábrica de montar televisões, no Huambo, até televisão a cores. Onde está? Não foi a guerra que destruiu isso, foi o próprio angolano quem destruiu. Tínhamos fábrica de baterias Tudor. Onde está? No Uíge começaram a montar pequenos carros que custavam barato. Onde está essa fábrica? A Textang, funciona? Não. Não foi o povo que a destruiu, foram os dirigentes, para terem sócios libaneses e venderem tudo isso para obter riqueza. Não vendem comida, Luanda está cheia de pneus e os dirigentes angolanos são os sócios desses comerciantes. O que rebenta com Angola não são homens que vêm de fora, são os próprios angolanos", sublinhou.

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