Sábado, 24 de Agosto de 2019
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Sexta, 26 Julho 2019 12:24

Todas as rés contra Massota e seus “fantasmas”

O comissário Francisco Massota voltou a registar, durante a última sessão de audiência de julgamento, ontem, mais declarações de suas subordinadas que se mostraram contra as suas acções e procuraram falar toda a verdade sobre os esquemas fraudulentos de que vem acusado.

O Tribunal Supremo Militar, na sala de julgamento do Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais “Osvaldo Serra Van-Dúnem”, retomou o julgamento de Francisco Massota, que é acusado de ser o autor principal de um esquema fraudulento para enganar cidadãos nacionais e levar a que lhe entregassem elevadas quantias em dinheiro para enquadramento nas fileiras da Polícia Nacional.

Em três dias de audiência, três das rés, por sinal suas subordinadas, foram unânimes em apontar Massota como a peça principal das “falcatruas”, tendo inclusive sido levantadas questões que indicam que terão sido coagidas pelo réu a declarar o contrário. A subinspectora Márcia Alfredo, ré ouvida ontem, disse em tribunal que Francisco Massota a coagiu para que mentisse em tribunal, momentos antes do início da sessão de julgamento, na porta do quarto de banho.

Esta declaração coloca mais uma vez o comissário em maus lençóis, para além do facto de, na sessão anterior a esta, quando foi ouvida a ré Elizandra Tomás, esta ter declarado que Francisco Massota tentou influenciar a sua família de modo a convencê-la a ir para a cadeia para não comprometer o nome do comissário. “Ele disse que é general e que haveria de tirar-me da cadeia. Disse ainda que a corda rebenta do lado mais fraco, e a ele (como general) nada lhe iria acontecer”, sublinhou a ré que não aceitou tal proposta.

Denunciar o general foi a única opção

Elizandra Tomás é a agente da Polícia Nacional que denunciou os factos às autoridades em 2017, após ter sido reconhecida como a principal burladora de 100 cidadãos que tentavam entrar nas fileiras da Polícia. A ré disse ainda que denunciou os factos às autoridades porque estava a ser vítima de ameaças por parte das pessoas que deram o dinheiro para serem incorporadas na Polícia Nacional (PN) e que, dado o tempo de espera, pensavam que estavam diante de uma burla. Foi “a gota de água” quando um dos lesados agrediu fisicamente a sua mãe.

Quando o caso foi parar às mãos da PGR, o seu superior (Massota) foi chamado a prestar declarações e depois dali voltou a procurá-la para que mentisse a seu favor. Pediu-lhe ainda, disse, que tivesse paciência, pois o dinheiro envolvido seria devolvido paulatinamente, caso esta retirasse a queixa contra ele. Foi a pressão das pessoas que fez com que Elizandra devolvesse aos visados, das suas próprias economias, um total de oito milhões de Kwanzas. Perguntada se beneficiou com as contratações das pessoas que seriam recrutadas, respondeu negativamente.

Todo o dinheiro com Massota

Apesar de ter dito no julgamento que recebeu dinheiro da mão de quatro candidatos e que cada um deles lhe entregou 300.000 kz, Márcia Alfredo acrescentou que tal quantia monetária foi entregue ao comissário Massota. Já a ré Elsa Maria, agente da Polícia Nacional, disse em tribunal que o comissário Massota ameaçou a ré Elizandra Tomás por esta a ter levado até ao seu gabinete para lhe perguntar sobre a devolução do dinheiro aos candidatos que acharam que o tempo de espera para entrar na corporação já era demasiado.

Elsa também teve de tirar dinheiro do seu próprio salário para fazer a devolução dos valores a 17 candidatos, tendo entregado, até à data, 1, 9 milhões de Kwanzas. Mesmo assim, disse, ainda continua a pagar a dívida. O comissário Francisco Massota, de 59 anos, conselheiro do comandante- geral da Polícia Nacional, está a ser julgado por suposta prática de 30 crimes de burla por defraudação, conduta indecorosa e abuso no exercício do cargo quando era o director da Escola Nacional de Formação da Polícia de Protecção e Intervenção.

Desde 27 de Junho que o julgamento de Massota tinha sido suspendido pelo tribunal, depois de o réu ter apresentado problemas de saúde durante a audiência, que decorre nas instalações do Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais “Osvaldo Serra Van- Dúnem”. A próxima sessão de julgamento será na próxima Terçafeira, 30 de Julho. OPAIS

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