Quarta, 05 de Agosto de 2020
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Segunda, 22 Junho 2020 19:33

Samakuva quer MPLA no tribunal, analistas não admitem essa possibilidade

O antigo presidente da UNITA, principal partido da oposição em Angola, Isaías Samakuva acusou o MPLA de ser o principal beneficiário dos desvios e fraudes que aconteceram no país e que deve responder por isso.

As opiniões na sociedade angolana dividem-se. As afirmações de Samakuva foram feitas numa entrevista ao Novo Jornal, em Luanda.

As opiniões do antigo líder da oposição são corroboradas pelo general na reserva Manuel Mendes de Carvalho Pakavira, quem entende ser um desrespeito a forma como os atuais membros do MPLA ostentam o que roubaram do povo.

“É triste olhar para as fortunas que construíram e levaram para as ilhas Caimã, etc., é muita veleidade e falta de respeito, muitos deles de farinha com açúcar não passavam e como é que hoje esta gente quer porche, condomínios...”, pergunta o general Paka, para quem “o MPLA tem que se reconciliar com os outros do grande erro que cometeram".

O general diz que se nada for feito, com as eleições à vista, “vai haver uma disputa dentro do MPLA, entre a equipa de João Lourenço e os outros marimbondos com o dinheiro deles, vai ser complicado”.

Por seu lado, o jurista Pedro Caparakata considera que o problema não é o MPLA ou João Lourenço e acusa também a oposição.

"Acho que Samakuva está frustrado porque pensava que seria fácil chegar e derrotar o MPLA, e a UNITA, com a saída dele, desceu mais uns degraus”, afirma Caparakata que lembra que “tanto os que governam como os que estão na oposição nunca olharam para o interesse do povo”.

O sociólogo João Lukombo Nza Tuzola diz não acreditar que quem governa possa auto-condenar-se. “Há exemplos na África do Sul, Jacob Zuma foi a tribunal, mas o ANC não, aqui em Angola também condenam-se alguns como Augusto Tomas, mas o
MPLA todo irá ao tribunal”, conclui.

Na entrevista ao Novo Jornal, publica ontem, 21, Isaías Samakuva reconheceu que João Lourenço deu, desde o início do seu mandato, "passos mais largos e chegou mesmo a criar condições para que uns tantos fossem parar aos calabouços do Estado".

Entretanto, o antigo homem forte da UNITA, reiterou não acreditar "que o sistema promotor da corrupção e os que dele viveram e vivem sejam capazes de o combater e desmantelar com eficácia". VOA

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