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Terça, 12 Novembro 2019 01:14

Angola pode comprar cerca de metade da energia da nova barragem da RDCongo

Angola poderá comprar até 5.000 megawatts de energia produzida na barragem de Inga III, um projeto da vizinha República Democrática do Congo (RDCongo), estimado em cerca de 14 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros).

Segundo a agência financeira Bloomberg, Angola é o segundo país, depois da África do Sul, a manifestar interesse na compra da energia produzida desta barragem que poderá gerar até 11.050 megawatts.

Os dois parceiros do projeto - um chinês e um espanhol – apresentaram uma proposta ao governo da RDCongo em novembro do ano passado, mas o Presidente Felix Tshisekedi, que assumiu o cargo em janeiro, ainda não aprovou a venda de energia.

Angola vai precisar da eletricidade gerada pela barragem de Inga III a partir de 2025 e poderá comprá-la desde que a taxa não seja superior a 30 dólares (27 euros) por megawatt/hora, refere uma carta enviada pelo Ministério da Energia do país às autoridades da RDCongo, a que a Bloomberg teve acesso.

As autoridades angolanas e congolesas já estão a trabalhar para exportar 100 megawatts de energia das instalações existentes, Inga I e II, para a província angolana de Cabinda, disse uma porta-voz do Ministério de Energia de Angola, numa mensagem através do WhatsApp, indicando também que desconhecia a carta.

O porta-voz do Governo de Angola não estava disponível para comentar.

Organizações da sociedade civil questionam o projeto Inga III, por considerarem que a maior parte da eletricidade gerada pela barragem não beneficiará as populações da RDCongo.

Segundo o governo, as empresas mineiras receberiam cerca de 3.000 megawatts.

A África do Sul, em 2013, comprometeu-se a comprar 2.500 megawatts e, no final do ano passado, indicou que poderia duplicar esse valor.

A Inga III faz parte de um plano conhecido como Grande Inga, que tem sido adiado, e pretende aproveitar até 40.000 megawatts de energia, quase o dobro da quantidade gerada pela barragem das Três Gargantas da China, atualmente a maior do mundo.

A carta angolana foi endereçada à Agência para o Desenvolvimento e Promoção do Projeto Grande Inga (ADPI) que é tutelado pela presidência, mas que se escusou a comentar.

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