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Sexta, 25 Outubro 2019 16:15

Grupos dissidentes da FNLA assinam Pacto de Entendimento mesmo sem outras alas

Duas das várias alas desavindas do partido histórico angolano Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) assinaram hoje um pacto com a atual direção, liderada por Lucas Ngonda, para pôr fim a mais de 20 anos de desentendimentos.

O documento foi rubricado, depois de cinco meses de negociações, que envolveram 25 encontros, entre o presidente da FNLA, Lucas Ngonda, Carlito Roberto (filho do líder fundador do partido, Holden Roberto) e João do Nascimento Fernandes.

Do ato de assinatura do documento estiveram ausentes as alas de Ngola Kabangu, antigo líder da FNLA, destituído da presidência da FNLA por decisão do tribunal, e de Pedro Fernando Pedro Gomes.

No relatório da Comissão de Unidade, Reconciliação e Coesão Interna do Partido é referido que no final das negociações, iniciadas em maio e terminadas no dia 14 deste mês, os representantes do grupo de Ngola Kabangu "abandonaram a sala de reuniões, recusando-se a acompanhar a apresentação da versão final do Pacto de Entendimento".

De acordo com o documento, o grupo de Ngola Kabangu respeita os 14 meses e meio de um período de transição, liderado por Lucas Ngonda, mas sem fazer parte do mesmo, regressando apenas na altura da realização do congresso extraordinário, agendado já para o próximo mês.

"Os restantes grupos negociantes concordaram em respeitar a decisão do grupo de Ngola Kabangu, deixando em aberto o processo de transição, caso este grupo entender voltar e fazer parte da direção de transição será bem recebido", lê-se no relatório.

Segundo o coordenador da comissão, Pedro Dala, o ponto mais divergente da agenda das negociações foi o da consagração do princípio de transição, mais precisamente sobre o momento do seu início e do seu fim.

Os órgãos centrais da atual direção e o grupo de Carlito Roberto defendem que a transição começa em sede do V congresso ordinário, considerando que este é o único órgão competente para legalizar a direção de transição e renovar os mandatos dos órgãos centrais do partido, enquanto o grupo de Ngola Kbangu e o de João do Nascimento Fernandes defendem que a vigência da direção de transição se iniciasse logo após a assinatura do Pacto de Entendimento e terminasse em congresso ordinário ou extraordinário.

A direção de transição terá como tarefa durante 14,5 meses criar a comissão preparatória do congresso e acompanhar as suas atividades e dirimir eventuais conflitos ou impasses que possam surgir no seio da comissão, bem como convocar e realizar o congresso extraordinário.

As tarefas da direção de transição incluem ainda traçar estratégias para as eleições autárquicas, informar e sensibilizar os militantes e simpatizantes para a unidade do partido e acompanhar e consolidar as estruturas da FNLA.

Esta equipa de transição será constituída por um comité central, composto por 221 membros, um 'bureau' político, com 51 membros, um secretariado do 'bureau' político, com 10 secretarias nacionais e duas comissões nacionais, e o colégio presidencial, com 11 membros.

Os membros da comissão admitem que a FNLA vive um conflito interno que dura já há mais de duas décadas, desde a morte de Holden Roberto, em 1997, sendo esta uma das razões do fracasso do partido nas eleições gerais.

A comissão reconhece que têm fracassado todos os esforços para se pôr fim ao conflito, e que, pelo contrário, "à medida que o tempo vai passando, agudizam-se cada vez mais as discórdias entre os irmãos e novos grupos são formados, pondo por terra todo um projeto do partido com a sociedade angolana".

Depois da assinatura hoje do pacto, será realizada uma assembleia informativa para militantes e simpatizantes, seguindo-se a realização do V congresso ordinário do partido, evento que servirá para a ratificação do Pacto de Entendimento.

A FNLA, também conhecida como o partido dos irmãos, é um partido histórico, por ser ao lado do MPLA e da UNITA, um dos três movimentos da luta de libertação de Angola. Nas eleições gerais de 2017, elegeu um deputado à Assembleia Nacional.

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