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Terça, 22 Julho 2014 08:54

Uma visita de amigos

O Primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, visitou Angola e veio acompanhado de uma importante comitiva de empresários que manifestam vontade de investir numa economia cujo crescimento está muito acima da média mundial.

A Itália é uma potência industrial e uma das mais fortes economias da Zona Euro. Os seus empresários sabem fazer, sabem gerir e conhecem a fundo os meandros dos negócios internacionais. Angola está em plena reconstrução nacional. Precisa de investimentos privados estrangeiros para desenvolver a indústria nacional e a agricultura. Além de refazer o que foi destruído pela guerra, é preciso reconstruir vidas, combatendo a pobreza e criando todos os dias mais e mais postos de trabalho.

A Itália preside à União Europeia e Matteo Renzi veio a Luanda num triplo papel: amigo, primeiro-ministro de um país que se pôs ao lado de Angola desde a Independência Nacional, e líder de um governo que está na presidência de um bloco político e económico que cada vez mais se afirma como parceiro da reconstrução nacional. Em tempo de paz, todos os nossos parceiros são importantes, todos têm muito para dar a um país onde as feridas da guerra ainda estão à vista, todos são reconhecidos pelos sinais de amizade mas também pelo respeito mútuo.

Os nossos amigos italianos abriram a Angola as portas do "G-8" e permitiram que o Presidente José Eduardo dos Santos afastasse fantasmas que ainda pairam em alguns países e no espírito de políticos menos familiarizados com o percurso de Angola pela via da democracia e dos direitos humanos. A diplomacia angolana, nos últimos anos, tem sido capaz de aproximar Angola e Itália cada vez mais, apesar da estreita relação que existe desde o dia da Independência Nacional.

O Governo italiano manifestou ao Presidente José Eduardo dos Santos a sua disponibilidade para participar numa conferência internacional sobre a vigilância e segurança no Golfo da Guiné, onde o tráfico de droga e a pirataria são já ameaças que ninguém pode ignorar, em nome da paz e da estabilidade na região e no mundo. Os EUA estão igualmente empenhados nesse fórum que vai permitir a Angola, mais uma vez, assumir o seu papel de potência regional e as suas responsabilidades na construção da paz mundial.

A Itália, na pessoa do Primeiro-ministro Matteo Renzi, está disponível para colaborar activamente na construção do diálogo e da estabilidade na Região dos Grandes Lagos e especialmente na República Centro Africana onde tropas italianas dão o seu melhor pela manutenção da paz. Foi isso que veio dizer a Luanda ao Chefe de Estado, que preside à Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos. Este apoio é muito importante porque vem de quem tem hoje a responsabilidade de dirigir os destinos da União Europeia, parte interessada no fim do conflito regional e na neutralização das "forças negativas" que estão cada vez mais isoladas graças aos esforços diplomáticos dos países da região mas também da comunidade internacional.

O Primeiro-ministro italiano esteve em Luanda acompanhado por uma comitiva de 25 empresários interessados em investir em Angola e que representam, no seu conjunto, uma facturação anual de 60 mil milhões de euros. É uma oportunidade que ninguém pode perder. A fina flor do empresariado italiano, o mesmo é dizer do mundo, está pronta para ajudar o nosso país a produzir mais riqueza, criar mais postos de trabalho e colocar a economia nacional cada vez menos dependente da produção de petróleo. Esta visita de amigos vai seguramente render bons frutos. Os empresários colhem dividendos dos seus investimentos e Angola cria mais riqueza para ser distribuída de uma forma justa e solidária. O combate à pobreza passa por pequenos projectos mas também pelo investimento estrangeiro, sobretudo quando os investidores têm um passado recheado de gestos de amizade e solidariedade para com o nosso país.

A visita do Primeiro-Ministro Matteo Renzi acontece na presidência italiana da União Europeia, um dos pilares com que Angola conta para diversificar a produção e sustentar o desenvolvimento económico. Outro pilar  é a CPLP cuja cimeira de Chefes de Estado e de Governo começa em Díli no fim da semana. Aplaudimos as vozes que em Portugal defendem o estatuto do Cidadão da CPLP. Políticos como o socialista António Costa começam a olhar para a comunidade  como uma oportunidade que passa largamente o folclore. O estatuto de Cidadão da CPLP tarda em ser aprovado e quanto mais tarde isso acontecer, mais paus entram na engrenagem do progresso da comunidade. Se em Portugal as “forças negativas” perseguirem este objectivo em vez de colocarem rótulos  na Guiné Equatorial, que saudamos como país membro de pleno direito da CPLP, então estamos no bom caminho. Se aprenderem com o exemplo de Itália, têm meio caminho andado.

Editorial Jornal de Angola

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