Sábado, 19 de Outubro de 2019
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Quinta, 10 Outubro 2019 17:57

João Lourenço mostra desespero da sua incompetência

Estive a acompanhar há pouco o discurso do presidente do MPLA João Lourenço, que marca a abertura do actual congresso da JMPLA, que irá eleger o novo secretário nacional da juventude do MPLA.

O discurso formal, lido, não trouxe nada de novo. É uma repetição do que João Lourenço já tem vindo a prometer sem mostrar números das promessas, entretanto, para não variar.

No discurso informal, de improviso, com muitos erros de português à mistura, o que mais me despertou foi o pedido de autorização que João Lourenço fez à juventude para levar a cabo o propalado combate à corrupção, como se os jovens do MPLA pudessem ter "autorização" para reprovar os erros que todo o mundo está a observar neste combate, que pertence mais a João Lourenço do que ao próprio MPLA.

Lourenço mostrou que já está em desespero no combate à corrupção, chegando mesmo a ter um discurso que aponta haver "financiamentos" para uma "desestabilização" do país. E quem está a fazê-lo, segundo João Lourenço, não é a oposição. São os seus próprios companheiros do MPLA, alegadamente afectados pelo combate à corrupção, sem, entretanto, apontar nomes.

Só isto mostra que o combate à corrupção não é do MPLA, como João Lourenço diz ser. Não é de Angola como Lourenço diz ser. É de João Lourenço. E já há provas de "isolamento" do seu mentor.

Se João Lourenço tem domínio de haver angolanos a serem financiados por "marimbondos" para fazer desacreditar Angola, por que não os denuncia? Por que não os responsabiliza? Vai continuar com este discurso até 2022 para justificar que não o deixaram governar? Não faz sentido. Este argumento só engana distraídos.

Se temos órgãos de investigação que chegaram à conclusão de que quem opina contra João Lourenço está a ser financiado por quem está a ser afectado pelo combate à corrupção, por que os seus autores nunca são identificados?

Do meu ponto de vista, fora do "combate à corrupção", João Lourenço já não tem discurso. Não tem uma estratégia de governação para Angola.

Perante jovens do MPLA, não indicou nenhuma linha de acção para que a juventude encontre caminhos seguros para acudir o alarmante desemprego que sobe todos os dias no país.

João Lourenço continua a hastear um combate à corrupção sem explicar aos angolanos os resultados concretos deste combate.

Esperava-se que João Lourenço dissesse aos jovens do MPLA as vantagens concretas que o seu combate à corrupção está a trazer para a juventude. Era preciso mostrar os resultados concretos da eficiência e eficácia do combate à corrupção para que a juventude soubesse posicionar-se para ajudar o presidente do MPLA.

Esperava-se ouvir as linhas orientadoras para o combate à delinquência que assola a juventude, pela falta de emprego, a questão da qualidade de ensino que está a fazer com que muitos jovens tenham diplomas mas não sejam bem formados, não consigam emprego, a necessidade de se ter mais cidadãos angolanos que saibam os seus direitos constitucionais e menos militantes que só ficam a bater palmas para o chefe, etc.

O presidente do MPLA, fora de uma hipotética luta para se combater a corrupção, não tem discurso. Nem com improviso.

Não conseguiu apresentar uma luz para a juventude. Pelo contrário, está à procura de bodes expiatórios para justificar o seu fracasso na justiça selectiva que está a promover, até prova em contrário.

João Lourenço entrou claramente num discurso populista para distrair, mais uma vez, o povo angolano, pois sabe que a TPA transmitiu em directo o seu discurso.

É preciso que João Lourenço preste contas aos angolanos, de Cabinda ao Cunene, com números, e para onde está a ir o dinheiro e bens recuperados do Estado, fruto do "combate à corrupção", e deixar de fazer discursos intimidatórios, pelo facto de as populações pretenderem, a cada dia que passa, fazer manifestações públicas contra a falta de soluções do actual Governo.

As manifestações fazem parte dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos angolanos. Ninguém precisa ser financiado para reclamar que tem fome e não encontra comida honesta para comer.

Isto demonstra incompetência por parte do Presidente da República João Lourenço.

Se João Lourenço não tem soluções para o país, deve renunciar ao cargo para dar lugar a angolanos que tenham outras ideias. Não pode deixar o povo a sofrer por uma luta, cujos resultados palpáveis a favor do Estado ninguém está a ver. Este discurso da corrupção sem prestação de contas é puro embuste para enganar o eleitorado angolano.

Por: Carlos Alberto (Cidadão e Jornalista)

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