Quinta, 19 de Setembro de 2019
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Sexta, 30 Agosto 2019 13:58

As queimadas em Angola são um desastre, os fogos do Amazónia uma distração

Sei que o Ministro Joao melo disse que “Não é preciso dizer mais nada” sobre a comparacao entre os fogos da Amazonia e de Angola, porem a coisa acaba sendo muito mais grave para Luanda e Brasília a longo prazo do que parece.

A reação superficial do governo de Angola a comparação feita pelo Ministro do Ambiente Brasileiro Ricardo Salles entre as Fogos no Brasil e as Queimadas em Angola, para se defender da acusação de Macron que a Amazónia era um património Mundial que o Brasil era incapaz de gerir e que “já não era hora para palavras mais para ações”, em uma clara ameaça a soberania Brasileira sobre a Amazónia, foi de relativizar os fogos angolanos como “procedimento, usual e secular, mesmo que já não aconselhável, dos camponeses para preparar a terra para o plantio e porque este a se fazer carvão vegetal em todas as províncias, sendo ambas praticas seculares”.

Ansioso de salvar a imagem do governo, o comunicado mostra que não entendemos o alcance do conflito entre Paris e Brasília e implicações para Angola. Ou talvez sentiram um impulso de jogar as brasas no Bolsonaro tendo em conta a ligação do MPLA ao caso Lava-Jato, por meio do BNDS e Odebrecht que afundou os seus amigos do PT?

A preocupação de Macron pelos fogos da Amazónia é obviamente um pretexto quando se sabe que o número de fogos de 2019 esta abaixo da média dos últimos 20 anos, e que contrariamente ao que diz os fogos não são catastróficos, não tem incidência sobre o suposto aquecimento global de origem humana, e finalmente a Amazónia não é o pulmão do planeta porque 50 % do oxigeno do planete são as algas e os phytoplankton. Ora não há pressões internacionais para exigir da China e Indonésia parem de poluir os oceanos com microplasticos, que talvez destroem as bactérias que produzem oxigénio, ou que a Índia que pare de poluir o Oceano Indico com esgoto não tratado. Ambas formas de poluição acabam na dieta humana pelo consumo de peixe.

O primeiro objetivo de Macron é pessoal e de curto prazo, e visa criar uma imagem defensor da Natureza em vista em vista da sua reeleição a presidência da Franca, porque esta em dificuldade depois das 18 semanas de protestos contínuos dos Gilets Jaunes o impediu de aplicar que aplicar a sua agenda de austeridade, disfarçada de “ecologista”, local que se baseava no aumento de impostos diretos sobre os combustíveis automóveis, aumento do preço da eletricidade, e aumento do Impostos sobre as horas de trabalho extra. Apesar de ter reprimido as manifestações, que culminaram em ate 290.000 manifestantes em 18 semanas continuos de confrontos, como um pacato ditador Africano, com a policia usando armas ditas não letais, como a LBD-40, que levou a amputação dos olhos de 24 manifestantes, a ferimentos graves na cabeça de 286 manifestantes, amputação da mão de 5 manifestantes, e na morte de um manifestantes, enquanto que 11 pessoas morreram em circunstancias diversas em torno dos conflitos, Macron teve de recuar em suas medidas. Apesar de ter evitado um colapso do seu eleitorado nas ultimas eleições Europeias não conseguiu destruir a posição eleitoral de Marine le Pen, sendo que o dossier da Amazónia pode lhe ajudar a somar pontos como ecologista entre os jovens e mulheres, e como a figura de uma Franca forte e Imperial no plano internacional entre os patriotas. Outra motivação pessoal que Bolsonaro humilhou Macron ao anular a reunião, a Amazónia, com o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros para ir cortar cabelo.

O segundo objetivo de Macron é local de médio prazo, e visa socorrer o PT e o movimento esquerdista no Brasil, que depois da derrota eleitoral esta agora a sofrer pressões judiciarias com a Operação Lava-jato que viu o ex-presidente Lula preso, o candidato a presidente Haddad condenado por uso de fundos ilegais para campanha política, a fonte de fundos ilegais do BNDS encerada e agora o seu ultimo baluarte, os juízes do Supremo Tribunal Federal, serão vitimas de uma Operação Lava-Toga para averiguar suas responsabilidades na festa Petista.. Incapazes de atacar o Bolsonaro no terreno retorico do “combate a corrupção”, tendo em conta a sua cumplicidade no desvio de R$ 1.000 Bilhões (USD 259 Bilhões) pelo governo do PT de 2002 a 2016, a turma do PT poderá se socorrer de combater o Bolsonaro em nome da Ecologia ate que uma crise económica ou escândalo de corrupção possa lhes ajudar a recuperar parte do eleitorado. Basta ver as manifestações supostamente espontâneas da “Extinction Rebelion”, que na realidade são financiadas pelos mesmos bilionários, como George Soros, que financia financiam os políticos no poder, e o entusiasmo da media pela “ativista” Greta Thunberg, para se perceber o poder de mobilização das massas dos slogans ecologistas.

O terceiro objetivo de Macron é estratégico e de longo prazo, e visa minar Soberania do Brasil sobre a Amazónia, para contrapor a iniciativa do Bolsonaro de construir infraestruturas que possam integrar a região ao resto do território e movimentar tropas para sua defesa, como se viu um plano do governo que foi vazado. Além da biodiversidade e da Madeira, a Amazónia esta repleta de minerais e petróleo que podem transformar o Brasil em uma super-potência industrial no fim deste século, e também o potencial do agro-negócio Brasileiro esta em competição direta com o sector agrícola francês nos mercados Africanos e Asiáticos. O acesso a estes recursos pode ser impedido pelo expediente de “proteger a Amazónia” por meio de reservas naturais administradas por ONG “internacionais” controladas pelos Europeus, para depois serem extraídas a favor por Europeus no futuro mediante negociações com um Governo Brasileiro menos nacionalista ou pelo recurso a um clima de guerra civil anárquica similar ao que esta se passar com a RDC, em que toneladas de ouro e minérios preciosos são explorados por milícias usando trabalho escravo e depois exportadas de forma ilegal por contrabando via o Ruanda, só que no caso da Brasil os produtos poderão ser contrabandeados pelo Território Francês da Guiana que faz fronteira com o Brasil. Não é por acaso que este ataque contra a Soberania Brasileira sobre a Amazónia acontece na mesma semana em que os Europeus se insurgiram contra a proposta, que tem muitos méritos, de Trump de comprar a Gronelândia: tal como a Amazónia é um dos últimos territórios não explorados do mundo, e permite controlar parte do Oceano Ártico, e pode servir de fonte abastecimento de um futuro Império nascido da União Europeia, para se libertar do jugo Americano e enfrentar o nascente poder Chinês. Próxima paragem neste jogo de xadrez geopolítico será a Antártida.

Diante deste quadro do ataque Imperialista de uma potência Europeia contra um pais irmão, a primeira preocupação do Governo de Angola foi de salvar a sua imagem, um comportamento um tanto irónico para um partido que se orgulha de ter lutada contra o “Imperialismo”. Porem esta falta autor-reflexão também os impede de entender a acusação de Macron, que não se resume apenas a existência de fogos na Amazónia, mais que estes fogos constituem um ameaça ecológica Mundial.

Ou seja a pergunta real nao e se os fogos da Amazónia sao comparecereis ao fogos de Angola, mais se os fogos de Angola criam um quadro de desastre ambiental quando comparado com os fogos da Amazónia, porem vamos ser menos ambicioso que o Macrocon, alcunha carinhosa dada pelo Filosofo Olavo de Carvalho, e nos perguntar apenas se as Queimadas em Angola constituem uma ameaça a ecológica para Angola.

O Comunicado de do Ministério do Ambiente Angolano foca no carácter secular da prática de queimadas para preparar o campo e da produção de carvão vegetal, e não deixa de ter razão que ambas foram praticadas durante séculos no território que agora constitui a República de Angola. O Problema porem surge do facto que estas praticas eram sustentáveis no passado porque Angola, a África Central Ocidental no seu geral, sempre foi uma zona de fraca densidade populacional por causa das doenças tropicais e de também das guerras entre príncipes africanos que podia esvaziar territórios. A escravatura tinha uma carácter duplo, porque se podia reduzir a população de um povo raziado e ao mesmo tempo aumentar a população de outros povos que compravam mulheres escravas para serem suas concubinas, como fizeram os Tchokwes. Deste modo sempre teve terras disponíveis a pratica de agricultura com queimadas, quando em outras partes do mundo a fertilidade dos solos dependia de uma pratica de agricultura rotativa, adubos naturais, como no caso do Nilo, adubos artificias ou obras de irrigação. Do mesmo jeito as florestas eram quase que uma fonte ilimitada de madeira para combustível de cozinha, basta se ler ate os relatos do populoso Reino do Kongo para se ver que a densidade de população era tao baixa que havia animais selvagens muito próximo aldeias, sendo que ate Mbanza Congo era mais próximo de um conjunto de aldeias do que uma cidade propriamente dita, e ate mesmo ver o de soldados mobilizadas nas batalhas entre príncipes Africanos, e entre estes e os portugueses, era pequeno se comparado com as batalhas da África Ocidental e da Etiópia medieval.

Ora com a constituição da Colónia de Angola em 1914 Portugal integrou o espaço nacional com vias de comunicação e deu assim acesso aos Angolanos a Medicina Moderna e aos mercados internacionais de grão. Isto permitiu a população de Angola de passasse de sua media histórica de 2 a 3 milhões, regulada pelas muitas enfermidades tropicais, guerras, e carência causadas por secas, para os 31 milhões de habitantes atuais sem que a capacidade de produção de alimentos nacionais tenha aumentado, sendo que na maioria dos casos ainda usamos uma agricultura extensiva de baixa produtividade adaptada uma realidade de baixa densidade populacional e abundância de terras quando estamos a caminhar para um quadro de alta densidade populacional e carência de terras que requer uma agricultura intensiva.

Se a agricultura Angolana não progrediu durante os últimos 100 anos, exceto o breve interlúdio colonial, então como é que a população aumentou tanto assim? Porque as populações rurais que se mudaram para as cidades depois da independência foram alimentadas por grão importado pelo governo e pago com as receitas das exportações petrolíferas. Apesar de já não sofre as pressões sanitárias tradicionais e de não necessitarem de mão de obra para agricultura tradicional, esta população urbana continuou a ter filhos como se ainda estivesse no interior. Este problema de hábitos de reprodução rural em meio urbano já era sentida no século 19 pela administração municipal de Luanda, e como naquela altura, leva a uma situação os recursos económicos ,que poderiam ser usados para criar infraestruturas que aumentasse a riqueza do território, são usadas para aumentar uma população que permanece pobre porque tem de se contentar com os poucos recursos que consegue produzir.

Dai que acabamos em uma situação em que Luanda tem 5 milhões de habitantes, e que 64% da população Angola é urbana. Outro fator no crescimento da população, além dos alimentos e medicina importada, é o acesso ao gás de cozinha barato, que permite reduzir o risco de doenças alimentar e consumir alimentos mais nutritivos, e de combustível barato que permite trazer esta mesma comida e combustível a zonas remotas que antes sofriam de deficit alimentar.

Sabendo estas informações, vamos refazer a pergunta: Queimadas em Angola constituem uma ameaça a ecológica para Angola?

Claro que os fogos angolanos são menos espetaculares que os fogos Brasileiros, porém como e que Angola vai alimentar a sua população, projetada a 77 milhões em 2050, com uma agricultura de queima com uma produtividade insuficiente e que destrói os solos, ao mesmo tempo que a produção de petróleo, que o pais vende para comprar e cozinhar seus alimentos, e que esta em queda livre depois do pico de 2.5 milhões de barreis por dia de 2012 ? A solução fácil seria de explorar novos recursos para a exportação, porem não resolve os dois problemas fundamentais que causaram este quadro, e estaremos a produzir para comer ao invés de se desenvolver.

Agora me diga o leitor o nome de uma pais da África Austral cuja a agricultura esta a suprir as necessidades da população ? Seria a África do Sul , porem o pais parece caminhar para um cenário Zimbabweano em um horizonte de 20 a 30 anos com a crescente campanha para expulsar os Fazendeiros Brancos, o que poder causar a queda da produção agrícola e décadas de lutas pelo poder.

Não sou um especialista, porém se os homens fazer parte também do ambiente, isto me parece uma eventual crise Ecológica, e uma bomba demográfica, muito mais iminente que a falta de oxigénio alegada por Emmanuel Macron. Blog Roboredo

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