Quinta, 19 de Setembro de 2019
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Sexta, 06 Setembro 2019 14:54

Mugabe: Herança económica põe Zimbabué à beira da primeira recessão desde 2008

A economia do Zimbabué está à beira de registar a primeira recessão económica desde 2008, dando corpo a uma crise económica caraterizada por uma inflação alucinante e uma dívida gigantesca que assusta os investidores internacionais.

A morte de Robert Mugabe, hoje aos 95 anos, é mais um capítulo numa história económica sombria, cujo primeiro passo em falso foi a permissão de apropriação das herdades comerciais detidas pelos antigos colonos, no princípio dos anos 2000, o que, segundo lembra a agência de informação financeira Bloomberg, "fez colapsar as exportações agrícolas e a coleta fiscal".

Isto levou o banco central a imprimir dinheiro para o Governo poder garantir o pagamento aos funcionários públicos, e fez com que a inflação disparasse, ao ponto de os preços duplicarem todos os dias.

Além de uma inflação brutal, os 14 milhões de habitantes do Zimbabué enfrentam faltas crónicas de moeda estrangeira, pão, eletricidade e outros bens básicos, o que levou a manifestações durante este verão, que acabaram por ser agressivamente reprimidas pelas forças de segurança, que se mantêm leais a Emmerson Mnangagwa, o homem que substituiu Mugabe em 2017, colocando fim a 37 anos de poder de um dos mais antigos presidentes em exercício em África.

Mnangagwa tem feito um esforço significativo para reativar o funcionamento do país e reanimar a economia, tendo posto em prática um conjunto de reformas económicas com o objetivo de aliciar os investidores internacionais e convencer as instituições multilaterais da credibilidade e potencial do país.

No entanto, os 9 mil milhões de dólares em dívidas externas e a falta de capacidade para as saldar impede que instituições como o Fundo Monetário Internacional, que tem em curso um programa de assistência técnica, ou o Banco Africano de Desenvolvimento, possam voltar a emprestar dinheiro ao país.

O programa de austeridade gerou descontentamento entre a população, que saiu para as ruas em grandes manifestações em agosto, entretanto proibidas pelos tribunais, das quais resultaram 18 mortos e 91 detenções e a utilização de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Neste cenário de profunda crise, o instituto nacional de estatísticas deixou mesmo de publicar dados oficiais sobre a inflação, embora alguns economistas estimem que a subida dos preços oscila entre os 230% e os 570%, com os 400 mil funcionários públicos a viverem ao nível de uma "pobreza extrema", conforme definida pelo Banco Mundial para quem recebe menos de 1,90 dólares por dia.

O Zimbabué, país vizinho de Moçambique, tem enorme potencial económico, suficiente para impulsionar toda a região, de acordo com a Bloomberg, que lembra que era um dos principais produtos de grãos antes da independência do Reino Unido, e tem grandes reservas de ouro, platina, diamantes e outros metais e minerais.

O FMI estima que o Zimbabué vá ter uma recessão de 5,2% este ano e antevê que a inflação se situe à volta dos 73% em 2019.

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