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Quarta, 29 Mai 2019 20:58

UNITA aguarda luz verde de João Lourenço para o funeral de Jonas Savimbi

Líder da oposição escreveu ao Presidente angolano a pedir esclarecimentos sobre como proceder em relação ao enterro dos restos mortais de Savimbi.

A UNITA está empenhada em não se deixar envolver numa polémica política com o Governo sobre o enterro dos restos mortais do seu fundador e líder histórico, transladados do cemitério municipal do Luena, no leste de Angola, para o cemitério da família na aldeia do Lopitanga, perto do Andulo, na província do Bié.

Isaías Samakuva, o sucessor de Savimbi na liderança do partido, escreveu ontem uma carta ao Presidente de Angola, João Lourenço, a solicitar-lhe que esclareça “nesta fase qual será o procedimento” a seguir para levar a cabo as cerimónias fúnebres. A UNITA quer saber se pode prosseguir com o programa das cerimónias, acordado com o Governo e a família, na comissão criada para o efeito. O funeral está marcado para o próximo sábado, dia 1 de Junho.

Na terça-feira, uma comissão da UNITA, liderada por Samakuva, esperou em vão, com várias centenas de apoiantes do partido, pela entrega da urna com as ossadas de Savimbi, tal como acordado, mas estas seguiram directamente para um aeroporto militar no Andulo, onde aguardavam ontem a entrega à família.

Ernesto Mulato, presidente da comissão nacional das exéquias de Jonas Savimbi, está no Andulo desde quarta-feira à tarde a aguardar as palavras de João Lourenço. “Chegámos esta tarde, sabendo perfeitamente que poderia não ser hoje. Vamos ficar a aguardar que amanhã [quinta-feira] haja um desenvolvimento para o efeito”, referiu Mulato ao PÚBLICO.

Questionado sobre se tinha sido dado algum prazo a João Lourenço para responder, o deputado da UNITA garante que Samakuva “nem podia ditar um prazo ao Presidente da República, nem interessa”. Na carta “contou apenas o que aconteceu” e solicitava a informação sobre como o partido deveria proceder a partir daqui.

Em conferência de imprensa na terça-feira, o ministro de Estado Pedro Sebastião, chefe da Casa de Segurança do Presidente, garantia que o acordado é que a urna fosse entregue à família no Andulo e não no Cuíto e que a direcção da UNITA “impediu os seus representantes na comissão de estarem presentes no Andulo”.

A transladação dos restos mortais do líder histórico do Galo Negro, enterrados no Luena desde a sua morte em combate a 22 de Fevereiro de 2002, há anos que vinha sendo solicitada pela família e pela UNITA, para que Savimbi pudesse ser enterrado, como era seu desejo, junto aos pais no cemitério da família na aldeia do Lopitanga. Recusada por José Eduardo dos Santos, só seria aceite pelo seu sucessor. No entanto, há quem dentro do MPLA e do Governo não concorde, nem com a dimensão mediática das cerimónias, nem com a recuperação histórica da figura que muitos ainda continuam a ver como o inimigo perdedor da guerra.

“Nós estamos a fazer política há anos, não somos amadores em política”, disse Mulato. A UNITA reconhece que o MPLA fez a luta de libertação, como o MPLA deve reconhecer que a UNITA fez a luta de libertação. Este país é nosso e têm de nos tratar como irmãos e compatriotas, não nos podem minimizar, como se fôssemos nada”, acrescentou.

A ideia deixada pelo ministro Pedro Sebastião de que o Governo poderia vir a afastar a UNITA das exéquias é olhada pela UNITA como um exemplo da política, mas Mulato recusa fazer uma análise: “Eu não ouvi as declarações do ministro, só me contaram, e é difícil fazer análise nas entrelinhas sobre o que isso significa. Fico à espera da nota para fazermos a nossa análise, a comunicação verbal na rádio e televisão não conta”.

No entanto, esclarece o presidente da comissão nacional das exéquias, “a responsabilidade do enterro é da família. Não se trata de um funeral de Estado foram eles próprios que o disseram”, explicou Mulato. “A família é que sabe, a família pode decidir enterra-lo só daqui a um ano; é ela que decide o que fazer com o corpo”, acrescentou.

“O general não tem sensibilidade nenhuma para estas questões”, afirmou, por seu lado, Alcides Sakala, porta-voz da UNITA, em declarações ao PÚBLICO. Não entende que o que está em causa aqui, nestas exéquias, é mais do que um mero funeral e “tem muito a ver com a reconciliação nacional”.

Num tom conciliador, sem entrar numa contenda argumentativa face a um caso do qual, no entender do porta-voz da UNITA, “o general Pedro Sebastião sai beliscado”, Sakala apelou “à serenidade” e “a muita ponderação” para lidar com o processo.

Por isso, apesar dos contratempos, “mantemos o programa das exéquias”, com uma “única alteração” que é, na verdade, um acrescento: a realização, esta quarta-feira, de uma vigília no Huambo em memória de Jonas Savimbi presidida por Isaías Samakuva.

A transladação dos restos mortais do líder histórico do Galo Negro, enterrados no Luena desde a sua morte em combate a 22 de Fevereiro de 2002, há anos que vinha sendo solicitada pela família e pela UNITA, para que Savimbi pudesse ser enterrado, como era seu desejo, junto aos pais no cemitério da família na aldeia do Lopitanga. Recusada por José Eduardo dos Santos, só seria aceite pelo seu sucessor. No entanto, há quem dentro do MPLA e do Governo não concorde, nem com a dimensão mediática das cerimónias, nem com a recuperação histórica da figura que muitos ainda continuam a ver como o inimigo perdedor da guerra.

“Nós estamos a fazer política há anos, não somos amadores em política”, disse Mulato. A UNITA reconhece que o MPLA fez a luta de libertação, como o MPLA deve reconhecer que a UNITA fez a luta de libertação. Este país é nosso e têm de nos tratar como irmãos e compatriotas, não nos podem minimizar, como se fôssemos nada”, acrescentou.

A ideia deixada pelo ministro Pedro Sebastião de que o Governo poderia vir a afastar a UNITA das exéquias é olhada pela UNITA como um exemplo da política, mas Mulato recusa fazer uma análise: “Eu não ouvi as declarações do ministro, só me contaram, e é difícil fazer análise nas entrelinhas sobre o que isso significa. Fico à espera da nota para fazermos a nossa análise, a comunicação verbal na rádio e televisão não conta”.

No entanto, esclarece o presidente da comissão nacional das exéquias, “a responsabilidade do enterro é da família. Não se trata de um funeral de Estado foram eles próprios que o disseram”, explicou Mulato. “A família é que sabe, a família pode decidir enterra-lo só daqui a um ano; é ela que decide o que fazer com o corpo”, acrescentou.

“O general não tem sensibilidade nenhuma para estas questões”, afirmou, por seu lado, Alcides Sakala, porta-voz da UNITA, em declarações ao PÚBLICO. Não entende que o que está em causa aqui, nestas exéquias, é mais do que um mero funeral e “tem muito a ver com a reconciliação nacional”.

Num tom conciliador, sem entrar numa contenda argumentativa face a um caso do qual, no entender do porta-voz da UNITA, “o general Pedro Sebastião sai beliscado”, Sakala apelou “à serenidade” e “a muita ponderação” para lidar com o processo.

Por isso, apesar dos contratempos, “mantemos o programa das exéquias”, com uma “única alteração” que é, na verdade, um acrescento: a realização, esta quarta-feira, de uma vigília no Huambo em memória de Jonas Savimbi presidida por Isaías Samakuva.

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