Sábado, 31 de Janeiro de 2026
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Sábado, 31 Janeiro 2026 13:39

UNITA alerta para riscos se UE não observar eleições

Líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, defende a presença de observadores da União Europeia nas eleições angolanas e reafirma que será candidato em 2027, pedindo transparência e pluralidade no processo.

Adalberto Costa Júnior: Para quem conhece estas questões, sabe que depois da minha eleição em 2019, dois anos depois, o Tribunal Constitucional considerou que eu já não era mais Presidente da Unita, tendo indicado um outro presidente e nós tivemos necessidade de convocar de emergência um novo congresso, de onde sair bem mais reforçado, com uma maioria mais ampla. Este ciclo terminou em 2025 e nós fizemos uma campanha democrática, plural, com múltiplas candidaturas como é característica nossa, intencional para podermos ser utilizados como espelho para o país, um país que não pode olhar para processos eleitorais com medos, as eleições são regulares, devem ser cíclicas, os mandatos têm limites, devem ser respeitados e portanto as eleições devem ser vistas como normais, como uma festa da democracia.

A Unita tem, de forma muito responsável, partilhado uma postura de maturidade, de responsabilidade e tem pago preço, porque optar pela pluralidade no ambiente externo, que não é plural, tem custos. O meu foco é sempre uma Angola estável, o meu foco é uma Angola democrática, eu aqui falei um pouco caracterizando, mas esta é uma realidade, não é possível nós termos uma Angola de desenvolvimento económico se ela não assentar em liberdades plenas, não é possível nós termos o desenvolvimento, mais uma vez, e a dignidade e a estabilidade se não tivermos efetivamente regras democráticas respeitadas, a pluralidade da sociedade assegurada por quem governa e quem governa, se não for democrata, não pode assegurar democracia funcional. Eu não posso, enquanto dirigente da Unita, desrespeitar a pluralidade e depois amanhã dizer que eu vou ser um líder plural no país, porque não vou ser, porque não conheço os limites disto, porque não o pratico, então é um desafio que ainda é muito presente na Angola de hoje, garantir processos eleitorais plurais, completamente democráticos, transparentes, e olhar para estes processos com normalidade, com tranquilidade. As eleições em Angola têm sido caracterizadas pela exclusão permanente de observadores do mundo democrático, nomeadamente da União Europeia e nomeadamente das fundações americanas. As últimas eleições o Parlamento Europeu enviou uma delegação de peritos a propor a presença de uma observação múltipla com muito tempo de presença, com uma chegada atempada e o governo angolano recusou.

Nós temos uma lei que diz que só participa em observação quem for convidado pelo governo e isto tem sido um grande problema que nós temos tido. Nós tivemos ontem e hoje, aliás ontem a trabalhar em Bruxelas, e nós entregamos ao Parlamento Europeu, também à União Europeia, duas cartas a convidá-los a disponibilizar-se a serem observadores nas eleições em Angola. Alguém pode perguntar, mas o governo se não quiser.

Mas o governo é parceiro da União Europeia, está nos ACPs, pede ajudas, pede programas, então depois nega a presença da observação que é universal, então haja consequências desta questão. Comece-se a medir efetivamente estas posturas com a devida postura de responsabilização. A Unita tem estatutos que regulam as suas normas de funcionamento e os estatutos da Unita dizem que o presidente do partido é o candidato às eleições presidenciais.

Tendo este elemento sido antecipado, todos aqueles que foram chamados a participação no Congresso, todos aqueles que foram chamados a votar, eles sabiam de antemão que estavam a ir optar para a liderança da Unita, mas também para a candidatura à liderança do país. E nós saímos com a legitimidade democrática intocável, devo dizer. A Unita está preparada, sem dúvida nenhuma, para poder liderar um governo democrático, um governo que pode efetivamente trazer, renovar a esperança ao país.

Um governo que não vai fazer o abraço da governação partidária. Está mais que dito, e eu tenho afirmado, nunca é demais, eleito presidente de Angola, eu suspendo o meu elemento de militância partidária, porque eu quero ser presidente dos angolanos todos, sem constrangimentos, sem o sentido interpretativo que às vezes não é nosso, é de quem olha para nós, vê-nos vinculados a um partido e pensa que nos é agradável se tomar determinadas atitudes que condicionam as liberdades do país.

A presidência de Angola sobrepor com a presidência partidária cria múltiplos constrangimentos, múltiplas violações, deseduca no aspecto democrático e é urgente quebrar com este tipo de práticas.

Jornalista: Este livro é uma homenagem aos angolanos.

Adalberto Costa Júnior: Quero dizer que os angolanos são um povo extraordinário, um povo resiliente, com 50 anos de independência, com o sofrimento que tem hoje, mas com a alegria estampada no rosto e com a esperança de um amanhã melhor. Este livro tem imagens de toda a pré-campanha eleitoral de 2022 e de toda a campanha de 2022 e nestas imagens nós temos toda a realidade transversal do país, nos seus aspectos de participação cívica, nos aspectos da cultura, da diversidade, da realidade, efetivamente até com imagens de âmbito social, da infância que também aparece ali, da mulher. É um livro sobre Angola, mas é um livro que incentiva a participação cívica.

Eu estou a homenagear a coragem, mas de forma direta estou a dizer a quem o ler, participem, porque é da vossa participação, é da democracia participativa que nós vamos conseguir o futuro, granjear um futuro melhor. Portanto, é este o meu grande propósito. Eu ligo o 22 a 27, indiscutivelmente, e eu acredito que nós podemos fazer melhor.

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Last modified on Sábado, 31 Janeiro 2026 13:54