"Queremos poder diversificar as fontes de financiamento, em vez de dependermos todos os anos dos mesmos mercados ou dos mesmos investidores", disse em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg o secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos.
O responsável das Finanças adiantou que as autoridades angolanas já visitaram o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Omã no ano passado, no âmbito dos esforços para atrair novos investidores, mas garantiu que não está prevista uma nova emissão de dívida este ano.
Angola angariou 4.000 milhões de dólares, cerca de 3,5 mil milhões de euros, com a venda de Eurobonds (emissão de dívida em moeda estrangeira) este ano, o que lhe permitiu realizar operações de gestão de dívida no valor de 1,2 mil milhões de dólares, equivalentes a mais de mil milhões de euros, lembrou Ottoniel dos Santos.
Estas operações, sublinhou, permitiram aliviar a pressão sobre o reembolso da dívida pública em 2028 e 2029, no final do prazo dos empréstimos.
Estas emissões, juntamente com o recurso ao mercado japonês para a emissão de um 'Samurai bond' em ienes, e o aumento do preço médio do petróleo, permitiram ao segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana precisar de apenas 200 a 400 milhões de dólares para financiar o resto do ano, avançou, na entrevista divulgada esta semana, Ottoniel dos Santos.
"O governo decidirá se deve procurar empréstimos bilaterais, regressar aos mercados de Eurobonds ou explorar instrumentos de financiamento alternativos assim que o orçamento para 2027 estiver finalizado", disse o secretário de Estado, apontando que ainda não foi tomada qualquer decisão sobre o calendário ou a dimensão de uma eventual emissão de títulos de dívida 'Panda' (títulos emitidos em moeda chinesa) ou 'sukuk'.
Os títulos de dívida islâmica, ou 'sukuk', são emissões com regras especiais, entre as quais está a proibição de financiar setores como álcool ou tabaco, e a substituição de pagamento de juros por uma partilha de lucros obtidos pelo investimento das verbas captadas.
Angola terá de pagar cerca de 813 milhões de dólares (723 milhões de euros) em 2028 e 1,3 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) em 2029, no final do prazo das emissões de dívida, o que corresponde a quase 25% das receitas fiscais, de acordo com agência de notação financeira Moody's.
"A melhoria da gestão macroeconómica está a contribuir para uma redução da dívida pública e dos custos com juros, que prevemos situarem-se em cerca de 46% do PIB e 23% das receitas, respetivamente, até ao final de 2026", escreveram os analistas da Moody's na nota que acompanha a decisão de manter o 'rating' em B3, em setembro.

